Crimson Desert – Análise

Jackson FrançaAnálises20/04/2026131 Visualizações

Conhecida pelo famoso MMORPG Black Desert Online, sendo lançado em 2014 para PC, e posteriormente chegou aos consoles, do qual ainda recebe atualizações constantes e está vivo hoje em dia, recebendo inclusive uma versão para celulares denonimada Black Desert Mobile, a desenvolvedora sul-coreana Pearl Abyss anuncia o seu próximo título e também ambicioso, Crimson Desert, em novembro de 2019.

Desde os seus primeiros trailers, Crimson Desert já se apresentava como um jogo que seria totalmente focado em ação e aventura, com gráficos de tirar o fôlego, além de um combate extremamente rápido e fluído. O título passou pela sua segunda revelação na The Game Awards de 2020, do qual foi revelado que foi decidido que o jogo se passaria em um universo totalmente separado e a parte de seu MMORPG, Black Desert Online, e a Pearl Abyss passou a retrabalhar o título como uma experiência única, para um jogador (single player).

A cada trailer que era lançado, mais e mais pessoas amantes de jogos ficavam incrédulos com o que o jogo prometia entregar, porém passaram-se meses, anos, com silêncio. E após todo silêncio, o jogo começou a ganhar algumas atualizações regulares, com pequenos vídeos de batalha contra chefes, de exploração, e até mesmo conversa com desenvolvedores. Com tais atualizações, nos foi passado uma data de lançamento, março de 2026, e agora com tal título em mãos, e após passar mais de 110 horas imerso em Crimson, será que a espera realmente valeu a pena?

Em Crimson Desert, acompanhamos Kliff e seus companheiros Jubas Cinzentas (Greymanes), do qual montaram um acampamento em um canto do continente de Pywel, do qual está em uma guerra constante de poderes entre diversos reinos. Em uma das noites de descanso, os Jubas são atacados de surpresa pelos Ursos Negros, uma facção inimiga, comandada por Myurdin. Durante este ataque, o acampamento é destruído, além de que diversos membros são mortos, e outros sobrevive, mas por um fio.

Ainda no acampamento, Kliff consegue confrontar Myurdin, resultando em algumas baixas para os Ursos, e conseguindo tempo extra para que alguns companheiros conseguissem fugir em segurança. Porém, o líder dos Ursos Negros consegue feri-lo gravemente junto com os seus soldados, jogando-o cachoeira abaixo, para que morresse. Kliff, pensando que já estava condenado, acorda no abismo, um local antigo, porém altamente tecnológico, situando-se acima de Pywel.

Seguindo em frente, Kliff consegue achar uma saída, despertando já no Reino de Hernand, totalmente curado e recuperado de seus machucados, porém agora portando poderes provenientes do abismo. E após tais acontecimentos, Kliff decide que irá encontrar e reagrupar-se com os membros sobreviventes dos Jubas Cinzentas, além de caçar a facção inimiga, os Ursos Negros, além de seu líder, Myurdin.

Apesar de seguir um dos clichês que mais se vê em jogos: uma jornada em busca de vingança contra inimigos que mataram/atacaram nosso amigos, Crimson Desert nos apresenta um mundo extremamente amplo, repleto de conteúdos a serem desbravados e descobertos, e mesmo que tenha personagens que não exalam tanto carisma, nem mesmo os inimigos, e o Kliff, nosso protagonista, entra também nessa conta (inclusive, eu vivia confundindo o nome dele com o de Clive, de Final Fantasy XVI).

O desenrolar da história não é tão empolgante, seguindo mais para mostrar um pouco mais de cada uma das regiões presentes no título, tal como também servindo para que formemos alianças com demais reinados vizinhos com o acampamento que iremos montar no decorrer do jogo, do qual será discutido mais a frente nesta análise.

A jogabilidade de Crimson é muito satisfatória, divertida e extremamente ampla, por dar uma imensa liberdade ao jogador conseguir jogar das mais variadas formas possíveis. Gosta de jogar com duas espadas? Jogar com uma espada e um escudo? Ou melhor ainda, quer jogar só com os seus punhos e sair dando soco em todos? Você consegue fazer tudo isso aqui e muito mais, além de conseguir sair planando de um lugar a outro, e até mesmo cair do Abismo rumo a uma das diversas vilas ou cidades presentes no continente Pywel.

O combate em Crimson Desert é bastante variado devido as possíveis combinações de arsenal que o jogador possa utilizar. Como citado anteriormente, durante grande parte da minha jornada preferi usar espada/escudo para balancear entre ataque e defesa, mas troquei posteriormente para somente duas espadas para conseguir dizimar de forma mais rápida os inimigos, apesar de diminuir as chances de se defender com sucesso, já que com escudo conseguia diminuir e muito o dano sofrido ao me defender.

Além disso, o jogo possui uma Árvore de Habilidade, tanto para Kliff quanto para os demais personagens que podemos jogar (do quais não irei citar na análise, para não dar spoiler), porém uma coisa é compartilhada entre tais árvores: os pontos distribuídos entre Vigor, Vida e Espírito. Vida como todos sabem, é praticamente a Vida, já o Vigor é utilizado ao subir/escalar estruturas ou ao realizar ataques pesados, e o Espírito é a consumido ao utilizar ataques provenientes que usem a força do abismo, como fazer com que o tempo fique ligeiramente mais lento e realize quatro ataques de forma rápida sem que os inimigos tenham chance de se defender.

Crimson Desert não é um jogo RPG como alguns podem pensar, mesmo que o mesmo tenha atributos como vida, ataque e defesa, dentre outros que normalmente vemos presente no gênero. Não há diferença alguma qual arma você vai usar no seu personagem, importando muito mais o refino dos mesmos, tal como quais Equipamentos do Abismo que você pode colocar na sua arma e/ou armadura, sendo um jogo muito mais focado no combate e na exploração.

As armas, assim como as armaduras, podem possuir um atributo secundário, fazendo com que, caso uma espada tenha o atributo de velocidade de ataque, por exemplo, ela fornecerá um pouco menos de ataque quando comparado com uma que não possui um atributo secundário. Isso é aplicado para todos os tipos de armas, servindo até mesmo para armaduras.

E sobre os Equipamentos do Abismo (EA), nada mais são que runas que podemos encaixar em nossos equipamentos para conceder efeitos, sejam eles de ataque, defesa, dentre outros. Armas de duas mãos possuem normalmente 5 espaços para EAs, enquanto armas de uma mão normalmente possuem 3 espaços. Exemplos de Equipamentos de Abismo que podemos equipar em armas é a “Destruição III”, da qual fornece +3 de ataque com a arma equipada. Ou até mesmo a “Fortificação III”, fornecendo +9 de Defesa quando equipado em armadura (elmo, luvas, torso ou botas).

Se quer ter um personagem que suporte mais dano, é só colocar mais EAs que forneçam Defesa ou que auxiliem na recuperação de vida. Se quer causar mais dano, é só equipar mais EAs que te garantam ataque, ou que forneçam ataques especiais que podem até mesmo causar dano em área, limpando de maneira mais rápida os inimigos ao seu redor. As combinações são as mais diversas possíveis, bastando o próprio jogador estudar um pouquinho, que sobressairá sobre os inimigos.

Em quesito da exploração, é aqui que Crimson Desert brilha. E não é pouco. Logo após o início do jogo, você já tem permissão de explorar tudo o que o jogo tem para lhe oferecer, óbvio, dentre os limites do que você consegue matar devido o seu estado atual de equipamento ou de habilidades aprendidas no momento. E uma coisa bem diferente, da qual não cheguei a ver em outros jogos, mas é que caso você “observe” um NPC (ao apertar L1/LB) ou chefe (de forma automática quando o mesmo a utiliza) realizando uma certa ação, você pode aprender uma técnica nova sem gastar ponto algum, habilitando-a para uso de forma imediata.

Quando eu decidia fazer algumas missões, sendo as principais, secundárias ou caçando alguns fugitivos (sendo que missões secundárias ou cartazes de fugitivos podem ser pegos também diretamente no quadro de missões em vilarejos ou cidades), acabava encontrando um pequeno vilarejo ou até mesmo uma pequena base inimiga, e resolvia já enfrentá-los para liberar acesso, e sem querer, acabava concluindo uma missão que sequer tinha pego, porém a mesma já estava parcialmente liberada em algum quadro de missões espalhada nas regiões.

Inclusive, muitos dos momentos de exploração do jogo, acabamos sempre encontrando um baú, um ponto de mineração ou uma caverna, e as recompensas sempre são muito bem vindas – não só de um equipamento novo, mas de recursos que podemos utilizar para melhorar nossos equipamentos na hora de refiná-los em um ferreiro na cidade.

Além de tais pontos citados, a cada inimigo que derrotamos, podemos subir uma barra que fica à esquerda do mini mapa. Ao completar tal barra, ganhamos um Artefato do Abismo, do qual pode ser utilizado para adquirir novas habilidades na árvore ou até mesmo para usar como ingrediente na hora de refinar nossos equipamentos. Este não é o único meio de obter Artefatos, mas também é possível obter ao derrotar chefes ou ao concluir quebra-cabeças dos Abismos.

E como citado anteriormente, durante o jogo acabamos montando um acampamento novo para os Jubas Cinzentas. O nosso acampamento começa bem básico, mas pode crescer para acomodar diversos companheiros, trazendo até mesmo funções de NPCs que só teríamos em cidades, como ferreiros, e vendedores de carne/pratos. Além disto, podemos também gerenciar nossos companheiros enviando-os para missões, arrecadando suprimentos para o acampamento, como comida, madeira, ou até mesmo de realizar serviços para nobres das regiões, como construção de pontes, estátuas, alterando o ambiente ao redor, nos recompensando com o crescimento de vínculos com tais regiões.

O mapa de Crimson Desert é enorme, com diversos biomas, diversas paisagens magníficas, vilas e algumas cidades grandes. E em relação às cidades, você pode entrar em praticamente todas as residências, desde que você tenha uma chave para arrombar as mesmas (você pode adquiri-las em certos NPCs), e dependendo, você pode encontrar caixas-fortes contendo acessórios (anéis ou pingentes) ou uma bolsa gorda de cobre/prata. Além disso, se você está em um com neve ou bem alto, porém não possui nenhum equipamento com resistência a Gelo, você vai acabar congelando e consumirá mais rápido a sua barra de Vigor. E isso vale também para ambientes onde a temperatura é mais alta, como no deserto, você começará a queimar devido o calor escaldante caso não tenha proteção contra Fogo dependendo da hora do dia.

Durante a nossa locomoção no jogo, normalmente em encruzilhadas, acabamos normalmente encontrando um item chamado de Artefato Selado do Abismo. E ele nos fornece um desafio para um certo tipo de arma ou alguma ação que devemos fazer, nos recompensando sempre com um Artefato do Abismo, e dependendo da dificuldade/nível do desafio, pode até nos fornecer um Equipamento do Abismo. E isso não é a única coisa que podemos coletar no mundo de Crimson Desert.

Se continuar a explorar, podemos aprender a criar armas e armaduras nos ferreiros através de livros que contém instruções, nos dizendo quais materiais precisamos para criar tais equipamentos. Alguns livros podem estar disponíveis a venda na própria loja do NPC, ou podem estar em cima de uma das mesas do mesmo, mas você não consegue comprá-lo diretamente da tela de compra, e sim ao “esticar” o braço e aparecer a opção de comprar – ou você pode simplesmente roubar, caso tenha a máscara de ladrão. Porém se te pegarem, você vai para prisão, então toma cuidado viu?

Durante a minha jornada de quase 110 horas por Crimson Desert no PlayStation 5 PRO, optei por jogar no modo Equilibrado, e posteriormente troquei para o modo Qualidade quando veio a opção de ligar/desligar o VRR de forma manual através de uma das diversas atualizações que a Pearl Abyss disponibilizava. Apesar do jogo ficar com uma resolução bem maior, optei por voltar para o modo Equilibrado por fornecer uma taxa de quadros melhor ao usar a frequência de 120 Hz para jogar, mantendo e muito bem os quadros e a fluidez do jogo, apesar do mesmo não chegar aos 60 FPS frequentes, já que o foco do modo Equilibrado são os 40 FPS.

Não passei por muitos bugs na minha jornada, porém passei por problemas de quedas bruscas de quadros em momentos bem específicos da história onde tinham muitos personagens e efeitos em tela, sendo bastante perceptível. Após passar por tais momentos, os quadros voltavam a subir rapidamente, ficando fluídos. E uma coisa que pode ser bastante elogiada ao jogo, é que em todos os modos do jogo há a implementação de iluminação global em tempo real através do uso de Ray Tracing, tornando as sombras e reflexos muito mais realistas.

Veredito

Crimson Desert nos entrega um jogo de ação/aventura com um combate altamente viciante com diversas possibilidades de combinações disponíveis, fazendo nos imergir de cabeça no continente de Pywel para explorar cada cantinho disponível no título. Apesar do mesmo não possuir uma história ou personagens muito memoráveis, a aventura e as recompensas ao decifrar cada segredo nos dá a sensação de continuar a jogar o título por horas a finco.

Nota

9

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para PlayStation 5 PRO. Todas as capturas foram feitas diretamente do PlayStation 5 PRO no modo Equilibrado.

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