
Beast of Reincarnation demonstra que a Game Freak é capaz de entregar um sistema de combate visceral, fluido e uma direção de arte deslumbrante quando se vê livre das limitações históricas de hardware da Nintendo. No entanto, o título é gravemente prejudicado por uma clara falta de maturidade técnica, bugs de upscaling e problemas de câmera.

A libertação da Game Freak e as dores do crescimento fora do ecossistema Nintendo
Conhecida mundialmente por carregar a franquia Pokémon nas costas há décadas, a Game Freak sempre enfrentou o estigma de trabalhar sob os limites estruturais do hardware da Nintendo. Em Beast of Reincarnation, lançado em 3 de agosto de 2026 em parceria com a publisher Fictions, a desenvolvedora finalmente deu um passo fora da sua zona de conforto. Uma nova IP de RPG de ação que busca provar o valor do estúdio em um título com aspectos de jogos double A no PC e consoles de nova geração.
Nossos testes foram realizados no PlayStation 5 PRO, PC equipado com processador Ryzen 9 5900X e placa de vídeo RTX 5080, além de uma bateria de testes no portátil ROG XBOX Ally, para avaliar a portabilidade e a otimização em diferentes plataformas.

Humanidade nos Micro detalhes: A Sutileza da Modelagem Facial de Emma
A modelagem facial de Emma se destaca como uma verdadeira conquista artística no design de personagens da Game Freak. Mesmo diante de sua postura estoica, a geometria de seu rosto e a riqueza dos detalhes visuais traduzem uma profundidade impressionante. O cuidado no trabalho de renderização e nos micro movimentos sutis ao redor dos olhos durante os momentos de carga emocional consegue transmitir sua inocência e vulnerabilidade sem a necessidade de atuações exageradas, garantindo que cada close-up da protagonista entregue um peso dramático genuíno e envolvente.
Entre a melancolia, o destino e um foreshadowing cirúrgico
O universo de Beast of Reincarnation se estabelece em uma atmosfera sombria e melancólica. A trama acompanha Emma, uma Purificadora, e Koo, um cão Profano, cujos caminhos se cruzam após Emma resgatá-lo e cuidar do cão quando este é gravemente ferido durante uma caçada.

A missão da dupla é clara e ambiciosa: enfrentar as criaturas conhecidas como Nushi, absorver seus poderes e, no ápice do conflito, derrotar a lendária Beast of Reincarnation, que renasce a cada 100 anos.
Apesar da força da premissa, o ritmo da campanha sofre com cortes abruptos e grosseiros entre as transições de cutscenes, pausas dramáticas que por vezes se estendem além do necessário e uma dublagem em inglês com sincronia labial (voice lip) visivelmente desalinhada.

Uma dança precisa de parries, finalizações e estratégia no combate
As mecânicas de Beast of Reincarnation que brilham com intensidade, estão em sua jogabilidade. O combate é o grande pilar do jogo, fundindo a precisão dos parries de Sekiro, a fluidez com esquivas perfeitas, as finalizações de Stellar Blade e pequenas dinâmicas de Quick Time Events (QTE) em tempo real ao ativar as habilidades de Koo que lembram mecânicas por turnos de Clair Obscur: Expedition 33.
As mecânicas de combate e progressão organizam-se de forma direta:
Apesar da excelência do combate, há falhas de design que incomodam no momento da ação. A inteligência artificial dos inimigos secundários é bastante previsível e se repete após cerca de 3 horas de jogo. A mecânica do R2 no ar carece de variações de finalizadores básicos, e a resposta dos controles decepciona em momentos críticos: a troca de alvo na câmera (R3/LS) é travada e pouco responsiva após a morte de um inimigo, o mesmo ocorrendo ao tentar acionar o item de cura (seringas).

Beleza visual atropelada pela falta de polimento técnico
A direção de arte de Beast of Reincarnation impressiona ao misturar o estilo visual moderno de títulos como Stellar Blade com a expertise da Game Freak em desenhar cenários de florestas e ambientes naturais. A trilha sonora complementa essa atmosfera com arranjos melancólicos que elevam o tom de isolamento do universo apesar de ser bastante repetitiva.
Entretanto, a execução técnica revela a inexperiência da desenvolvedora em trabalhar fora de plataformas fechadas como consoles da Nintendo:

É revigorante ver a Game Freak trabalhando livre das limitações dos consoles da Nintendo, provando que a equipe tem capacidade criativa para construir cenários belíssimos e um dos sistemas de combate mais engajantes dos últimos anos. No entanto, Beast of Reincarnation é severamente punido por vícios técnicos, problemas de otimização, um port inviável para portáteis e bugs de software básicos de iniciantes em Unreal Engine 5. O estúdio demonstrou ambição no gameplay, mas escancarou sua falta de maturidade técnica ao lidar com a otimização multiplataforma.
7.5
Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Fictions para PlayStation 5 e adquirido pelo analista para PC (Steam). O título possui localização para Português, e está disponível também para Xbox Series X|S e Game Pass.