Abathor – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises08/08/2026110 Visualizações

Abathor é um jogo de ação e plataforma 2D hack and slash inspirado nos clássicos dos anos 80 e 90, desenvolvido pelo estúdio indie espanhol Pow Pixel Games e publicado pela JanduSoft.

​O jogo foi concebido como uma carta de amor aos arcades e consoles de 16 bits, buscando resgatar a sensação de títulos icônicos como Golden Axe, Rastan, Castlevania IV e Demon’s Crest. A narrativa se baseia nos mitos gregos de Atlântida e nas obras literárias de Robert E. Howard (Conan) e H.P. Lovecraft. A trama acompanha heróis defendendo o continente de Atlântida após a abertura dos portões de Abathor por demônios.

​História de Abathor

​Movidos por uma ambição insaciável, os Atlantes abriram as portas de Abathor em busca de uma fonte infinita de energia. No entanto, o ato desencadeou uma invasão demoníaca avassaladora, que rapidamente começou a consumir e destruir Atlântida.

Para prosperar e conquistar novas terras, os Atlantes utilizavam a energia do mineral Oricalco para impulsionar sua tecnologia avançada. Embora esse recurso tenha garantido um alto padrão de vida e a criação de artefatos surpreendentes, a ganância cega fez com que acreditassem que poderiam ir além. Esse desejo incontrolável, somado a uma sequência de erros fatais, culminou na ruína da civilização.

Ao perceberem que a resistência contra a força dos demônios era inútil, alguns Atlantes tentaram fugir do continente em um ato de desespero. Utilizando as poucas embarcações restantes e sobrevivendo a violentos tsunamis, tentaram zarpar. Contudo, algo aterrorizante emergiu das profundezas do oceano: uma criatura cthulhiana, alimentada pelo poder dos Portões, atacou a frota com uma fúria inimaginável. Esse inimigo colossal destruiu a frota inteira com ferocidade impiedosa, eliminando os habitantes um a um.

​Com Atlântida tomada por forças malevolentes, exércitos demoníacos e armadilhas engenhosas, nossos heróis precisaram atravessar os muros do que outrora foi a fortaleza de Mneseus — o antigo rei que ergueu a grandiosa estrutura durante o “Amanhecer de Atlântida”. É nesse cenário de caos que a jornada dos quatro bravos guerreiros tem início.

Um arcade de ação e plataforma 2D

Após o chamado inicial, temos a oportunidade de escolher entre quatro personagens disponíveis para jogar a campanha solo ou no modo cooperativo local para até quatro jogadores. Conheça os heróis:

  • Crantor: Um guerreiro bárbaro extremamente habilidoso que empunha uma espada de duas mãos. Seus ataques são focados em força bruta, e seu ataque especial carregado é capaz de aniquilar inimigos comuns com um único golpe (ao custo de estamina). Ele também pode arremessar machados e se destaca por seus altos pontos de poder e defesa. Para esquivar, Crantor realiza um rolamento, o que permite se posicionar estrategicamente atrás dos oponentes.
  • Sais: Uma valquíria equipada com espada média e escudo. Possui ataques ágeis de dano moderado e usa o escudo para se proteger; se executado no tempo certo, seu bloqueio aplica um parry que quebra a defesa inimiga. Ela conta com um dash para esquiva (que consome estamina), pode arremessar lanças e se destaca pela excelente defesa, combinada com poder e agilidade moderados.
  • Kritas: Um assassino extremamente ágil que domina o uso de duas katanas médias. Utiliza o dash para ganhar impulso e alcançar saltos mais longos. Seu ataque especial (Crescent Moon) desfere um golpe de baixo para cima, rápido e letal para múltiplos inimigos, além de permitir o arremesso de adagas. Seus pontos fortes são a destreza e a agilidade máximas com poder moderado, tendo como contrapartida uma defesa baixa.
  • Azaes: Um guerreiro mágico que empunha uma espada curva em uma das mãos e canaliza magia necromântica com a outra (ao custo de estamina). Seu dash tem caráter ofensivo, atingindo inimigos com um soco mágico, e ele pode arremessar as almas de oponentes derrotados.

Evolução e Recursos

Todos os heróis podem adquirir melhorias com o mercador encontrado nas fases, utilizando moedas de Oricalco obtidas em combates e na abertura de baús durante a exploração dos cenários.

​Essas melhorias aumentam atributos básicos (como Força, Agilidade e Defesa) e garantem efeitos passivos (como Taxa Crítica e Sorte). Além disso, os jogadores podem utilizar poções de cura, água benta contra demônios e invocações temporárias — que variam entre companheiros auxiliares e invocações avassaladoras de uso único encontradas pelo mapa.

Gráficos, Direção de arte e Desempenho

Desenvolvido no motor gráfico GameMaker Studio 2 (ou simplesmente GameMaker), Abathor emula com maestria o visual dos jogos de 16 e 32 bits, resgatando a essência dos clássicos de arcade e plataformas 2D. O título se destaca por uma extensa variedade de biomas e cenários, incluindo enseadas marítimas, florestas nebulosas, montanhas rochosas, pântanos lamacentos e as ruínas de Atlântida.

​Tudo é muito bem caracterizado, apresentando uma paleta de cores viva e saturada, acompanhada de uma pixel art rica em detalhes. A performance é sólida ao longo de toda a jornada, mantendo uma taxa de quadros estável e sem bugs visuais aparentes, mesmo em momentos de ação intensa com vários jogadores na tela.

Áudio e sonoplastia

​A sonoplastia acompanha o alto nível do conjunto técnico e remete diretamente aos jogos das gerações 16 e 32 bits, utilizando a clássica síntese FM (Modulação de Frequência) combinada com composições em chiptune e ritmos de heavy metal e synthwave. A trilha sonora conta com uma excelente variedade de faixas que transitam harmoniosamente entre as fases, reforçando o senso de urgência e a atmosfera épica das batalhas. Os efeitos sonoros complementam perfeitamente a proposta retrô, oferecendo um feedback tátil e nostálgico a cada golpe e impacto.

Uma carta de amor aos velhos tempos

Abathor é, em essência, uma verdadeira carta de amor aos fãs dos jogos clássicos do início da década de 90. Cada elemento da obra remete com precisão a essa era de ouro, recriando com maestria até mesmo as limitações técnicas e as ferramentas visuais da época de forma intencional.

​O título destaca-se pelo excelente fator de rejogabilidade e por uma experiência co-op local memorável, recheada de confrontos contra subchefes e chefes marcantes. Para garantir o acesso aos mais variados perfis de jogadores, a jornada oferece duas opções de dificuldade iniciais, permitindo ainda o desbloqueio de um terceiro modo extremamente desafiador (o Épico, que inclusive revela o verdadeiro final) após a primeira conclusão. Essa versatilidade torna a obra altamente acessível e democrática.

Como ponto crítico, a ausência de um modo co-op online limita o alcance do título. Trata-se de uma barreira considerável, visto que boa parte do público que viveu a era 16/32 bits é composta hoje por adultos que já não moram perto de seus antigos parceiros de jogo. Outro aspecto a ser pontuado é a previsibilidade dos confrontos contra os chefes: embora satisfatórias, as lutas exigem pouco do jogador em termos de engenhosidade, apostando na elevação artificial da dificuldade em vez de mecânicas complexas.

​Em suma, os tropeços de Abathor são infinitamente menores do que o vasto conjunto de suas qualidades e o profundo respeito ao legado de uma geração apaixonada por videogames. A experiência diverte do início ao fim, resgatando com perfeição aquela inesquecível sensação de ligar — e assoprar — um cartucho inédito no Super Nintendo.

Prós:

  • Excelente sensação retrô com pixel art rica e ótima performance;
  • Trilha sonora vibrante em chiptune, FM, heavy metal e synthwave;
  • Modo cooperativo local para até 4 jogadores altamente divertido e com personagens distintos;
  • Alto valor de replay e desbloqueio do final verdadeiro.

Contras:

  • Ausência de modo cooperativo online;
  • Padrões de chefes previsíveis que apostam mais em dificuldade artificial do que em mecânicas complexas.

Veredito

Abathor é um tributo vibrante, nostálgico e extremamente bem-executado à era de ouro dos arcades e dos consoles de 16 bits. Com uma excelente jogabilidade cooperativa local, direção de arte impecável e uma trilha sonora que dita o tom épico da jornada, o jogo supera com folga suas poucas limitações — como a ausência de co-op online e chefes previsíveis. É uma compra obrigatória para veteranos em busca da nostalgia dos anos 90 e para novos jogadores que querem entender o verdadeiro espírito dos clássicos hack and slash.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela JaduSoft S.L. para PlayStation 5. O título possui localização para Português, e está disponível também para PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).

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