
Atomic Owl é um título de ação e aventura em plataforma 2D com elementos Roguevania. Desenvolvido pela Monster Theater e publicado pela East Asiasoft Limited, o jogo foi lançado originalmente em 31 de julho de 2025 para PC, chegando em 20 de maio de 2026 para consoles de mesa.
Embora o título não conte com legendas em português do Brasil, dediquei mais de 7 horas de gameplay ao seu modo Roguelike (ou Roguelite) para trazer, nesta análise, minhas sinceras considerações sobre a experiência.
A história de Atomic Owl começa com a reunião de quatro amigos: Hidalgo (o protagonista e príncipe), Redvolt, Kaze e Goliam, saboreando um delicioso macarrão em um bar na cidade Bladewing City Skyline. Depois de relembrarem o passado de glória da equipe e de uma breve tentativa de competirem para ver quem era o mais veloz, são interrompidos por um estrondoso barulho do lado de fora do bar. Ao verificarem, são surpreendidos pelo vilão da história, intitulado Omega Wing: um corvo mago que, desde sempre, trama uma revanche contra os Bladewing, que têm Hidalgo como líder.

Omega Wing está de posse da Pena Meza. Essa pena mágica pode não somente mudar o destino do mundo, mas também controlar a mente de quem obtiver o controle dela. É exatamente isso que ele faz: lança uma magia contra os aliados de Hidalgo, que também sucumbe ao tentar impedir o ataque.
Dois anos se passaram desde que Hidalgo foi amarrado ao pé de uma árvore. Ele é despertado por sua antiga espada, Mezameta, que agora possui poderes novos, capazes de derrotar oponentes controlados pela magia lançada por Omega Wing. Depois de uma breve conversa com a espada — novamente aliada, porém agora alterada e falante —, partimos para descobrir o que está acontecendo com o mundo e para reencontrar nossos antigos aliados.
Voltamos a City Skyline, e após testemunharmos o mal que a magia de Omega Wing causou a toda a cidade e aos seus habitantes, confrontamos nosso antigo amigo, Red. Ele, após lutar arduamente — física e mentalmente — contra os efeitos da magia mística, acaba derrotado e passa a se opor a nós. Torna-se, assim, um oponente perigoso aquele que, outrora, fora um grande amigo e aliado.

Ainda falando da história, mas já pegando uma ganchinho para gameplay, Mezameta nos alerta logo após o término da conversa com Redvolt, que nós até poderíamos ir direto e confrontar Omega, mas que possivelmente levaríamos um segundo chute no traseiro e viraríamos o seu servo assim como nossa antiga equipe e que o ideal era que nos fortalecer antes para termos chances reais contra nosso inimigo e assim partimos.
A trama de Atomic Owl aborda temas como amizade, vingança e uma boa dose de reviravoltas. Conforme avançamos, novas nuances surgem e detalhes sobre o passado do universo do jogo são revelados. Como na maioria dos roguelikes, a narrativa funciona prioritariamente como um pano de fundo para justificar a jogabilidade; por mais que a equipe tenha se esforçado em situar o jogador, a história não é o foco central.
No entanto, o título oferece uma aba dedicada à história de cada personagem — uma adição muito bem-vinda que preenche lacunas e torna o enredo mais palatável para os jogadores mais interessados no contexto narrativo.
Falando um pouco sobre a gameplay de Atomic Owl, o título surpreende o jogador logo de início ao oferecer a escolha entre dois estilos distintos: o modo Metroidvania ou o Roguevania, como é descrito.

Ao optar pelo modo Rogue, encontramos um jogo de plataforma sidescroller 2D com comandos precisos que, em diversos momentos, assemelham-se à fluidez de Celeste. A movimentação básica permite andar, correr, realizar saltos duplos, atacar e esquivar, ou avançar através do dash. O arsenal é dividido em quatro categorias principais:
Além disso, o jogador dispõe de uma arma secundária capaz de ricochetear em vários inimigos, cujo uso é limitado por um tempo de recarga (cooldown). Um detalhe crucial é que cada arma possui uma cor dedicada, e essa característica não é apenas estética, mas desempenha um papel fundamental na progressão avançada dentro do jogo.

Adentrando as possibilidades do gênero Roguevania, o título oferece mecânicas familiares aos entusiastas do estilo. Ao derrotarmos inimigos comuns e elites, podemos coletar diversos tipos de habilidades via item drop, que servem para fornecer melhorias cruciais para a run vigente. Essas habilidades podem conceder desde um salto triplo e a diminuição do intervalo de dash, até a aplicação de efeitos elementares — como fogo ou veneno — em nossas armas primárias, entre outros atributos.
Como em todo roguelike, a morte implica a perda das habilidades especiais e o retorno ao início do mapa, resetando o progresso, à exceção do dinheiro acumulado e do conhecimento adquirido em cada tentativa. Ao perecer, o jogador renasce em uma fogueira no melhor estilo Souls; a partir desse ponto, é possível alterar a skin, realizar upgrades e visitar duas salas extras antes de iniciar uma nova jornada.
Desenvolvido no motor gráfico Unity, Atomic Owl apresenta um polimento gráfico excepcional, com personagens detalhados, texturas de alta qualidade e uma coloração vibrante. O uso de diversos efeitos de partículas torna o ambiente vivo e nítido, consolidando a estética como o ponto mais atrativo da produção.

A direção de arte harmoniza-se perfeitamente com a parte técnica, utilizando uma paleta de cores condizente e um nível de detalhamento elevado. Somado à fluidez da animação, o conjunto entrega uma identidade visual sólida e marcante ao título.
A trilha sonora é de boa qualidade e condiz perfeitamente com a proposta do título, apresentando composições que fixam na mente do jogador. Já a dublagem original em inglês cumpre bem o seu papel, com destaque para Mezameta (a arma falante que nos guia durante a jornada), os demais personagens também entregam boas atuações, tornando este aspecto satisfatório.
Em contrapartida, a sonoplastia — que engloba os sons de movimentação do personagem, ruídos dos inimigos e efeitos de combate — não atinge o mesmo patamar. Mesmo com ajustes manuais no menu de áudio, o resultado permanece aquém dos demais aspectos técnicos, entregando um feedback auditivo simplório que chega a soar pobre diante da qualidade geral da obra.

Poucos são os jogos deste gênero que trazem uma história memorável, e este não é o caso de Atomic Owl. Por outro lado, o título apresenta diálogos dublados de boa qualidade, o que agrega valor e enriquece a obra, tornando-se um ponto positivo para o conjunto da experiência.
Durante meu gameplay, tive momentos divertidos, seja pelo apuro técnico e pelos incríveis visuais, seja pela satisfação de concluir uma run com sucesso — característica central da proposta roguelike. Todavia, como nem tudo são flores, o jogo apresenta defeitos técnicos e na sonoplastia, além disso, o elemento “Metroidvania” carece do brilhantismo e do backtracking apropriado, tão comuns ao estilo.

Embora a trilha sonora, a dublagem e os gráficos sejam, de forma geral, muito agradáveis, o level design — que se limita a progressões horizontais lineares com plataformas de física “escorregadia” — não possui o mesmo refinamento dos demais aspectos. As lutas contra chefes e a variedade de inimigos são satisfatórias, mas não elevam o jogo a um patamar superior, deixando um gosto agridoce após finalizarmos a jornada e assistirmos aos créditos.
Atomic Owl é uma experiência de contrastes. O título brilha intensamente em sua apresentação visual e na fluidez, bebendo de fontes consagradas como Celeste. A premissa de misturar o rigor do Metroidvania com a imprevisibilidade do Roguelike é ambiciosa e, em grande parte, bem executada no que diz respeito ao arsenal variado e à progressão de habilidades. Entretanto, o jogo tropeça em elementos fundamentais de design. Enquanto os olhos são cativados por uma Pixel Art vibrante e os ouvidos agradados por uma dublagem competente, o level design linear e a sonoplastia simplória impedem que o título alcance o panteão dos grandes do gênero. A falta de um backtracking envolvente faz com que a exploração pareça, por vezes, uma jornada protocolar em direção ao próximo chefe.
7
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela East Asiasoft Limited para PlayStation 5. Atomic Owl está disponível também para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC e Xbox Series X|S.