Atomic Owl – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises20/05/202637 Visualizações

Atomic Owl é um título de ação e aventura em plataforma 2D com elementos Roguevania. Desenvolvido pela Monster Theater e publicado pela East Asiasoft Limited, o jogo foi lançado originalmente em 31 de julho de 2025 para PC, chegando em 20 de maio de 2026 para consoles de mesa.

​Embora o título não conte com legendas em português do Brasil, dediquei mais de 7 horas de gameplay ao seu modo Roguelike (ou Roguelite) para trazer, nesta análise, minhas sinceras considerações sobre a experiência.

A história de Atomic Owl começa com a reunião de quatro amigos: Hidalgo (o protagonista e príncipe), Redvolt, Kaze e Goliam, saboreando um delicioso macarrão em um bar na cidade Bladewing City Skyline. Depois de relembrarem o passado de glória da equipe e de uma breve tentativa de competirem para ver quem era o mais veloz, são interrompidos por um estrondoso barulho do lado de fora do bar. Ao verificarem, são surpreendidos pelo vilão da história, intitulado Omega Wing: um corvo mago que, desde sempre, trama uma revanche contra os Bladewing, que têm Hidalgo como líder.

​Omega Wing está de posse da Pena Meza. Essa pena mágica pode não somente mudar o destino do mundo, mas também controlar a mente de quem obtiver o controle dela. É exatamente isso que ele faz: lança uma magia contra os aliados de Hidalgo, que também sucumbe ao tentar impedir o ataque.

​Dois anos se passaram desde que Hidalgo foi amarrado ao pé de uma árvore. Ele é despertado por sua antiga espada, Mezameta, que agora possui poderes novos, capazes de derrotar oponentes controlados pela magia lançada por Omega Wing. Depois de uma breve conversa com a espada — novamente aliada, porém agora alterada e falante —, partimos para descobrir o que está acontecendo com o mundo e para reencontrar nossos antigos aliados.

Voltamos a City Skyline, e após testemunharmos o mal que a magia de Omega Wing causou a toda a cidade e aos seus habitantes, confrontamos nosso antigo amigo, Red. Ele, após lutar arduamente — física e mentalmente — contra os efeitos da magia mística, acaba derrotado e passa a se opor a nós. Torna-se, assim, um oponente perigoso aquele que, outrora, fora um grande amigo e aliado.

Ainda falando da história, mas já pegando uma ganchinho para gameplay, Mezameta nos alerta logo após o término da conversa com Redvolt, que nós até poderíamos ir direto e confrontar Omega, mas que possivelmente levaríamos um segundo chute no traseiro e viraríamos o seu servo assim como nossa antiga equipe e que o ideal era que nos fortalecer antes para termos chances reais contra nosso inimigo e assim partimos.

A trama de Atomic Owl aborda temas como amizade, vingança e uma boa dose de reviravoltas. Conforme avançamos, novas nuances surgem e detalhes sobre o passado do universo do jogo são revelados. Como na maioria dos roguelikes, a narrativa funciona prioritariamente como um pano de fundo para justificar a jogabilidade; por mais que a equipe tenha se esforçado em situar o jogador, a história não é o foco central.

​No entanto, o título oferece uma aba dedicada à história de cada personagem — uma adição muito bem-vinda que preenche lacunas e torna o enredo mais palatável para os jogadores mais interessados no contexto narrativo.

Falando um pouco sobre a gameplay de Atomic Owl, o título surpreende o jogador logo de início ao oferecer a escolha entre dois estilos distintos: o modo Metroidvania ou o Roguevania, como é descrito.

​Ao optar pelo modo Rogue, encontramos um jogo de plataforma sidescroller 2D com comandos precisos que, em diversos momentos, assemelham-se à fluidez de Celeste. A movimentação básica permite andar, correr, realizar saltos duplos, atacar e esquivar, ou avançar através do dash. O arsenal é dividido em quatro categorias principais:

  • Espada Média: ideal para combate a curta distância, oferecendo uma boa probabilidade de danos críticos.
  • ​Martelo Arremessável: extremamente útil para atingir inimigos aéreos com precisão.
  • ​Chicote: permite ataques a média distância, garantindo uma abordagem mais segura contra os adversários.
  • Espada de Duas Mãos: embora mais lenta, entrega o maior dano base entre todas as opções.

Além disso, o jogador dispõe de uma arma secundária capaz de ricochetear em vários inimigos, cujo uso é limitado por um tempo de recarga (cooldown). Um detalhe crucial é que cada arma possui uma cor dedicada, e essa característica não é apenas estética, mas desempenha um papel fundamental na progressão avançada dentro do jogo.

Adentrando as possibilidades do gênero Roguevania, o título oferece mecânicas familiares aos entusiastas do estilo. Ao derrotarmos inimigos comuns e elites, podemos coletar diversos tipos de habilidades via item drop, que servem para fornecer melhorias cruciais para a run vigente. Essas habilidades podem conceder desde um salto triplo e a diminuição do intervalo de dash, até a aplicação de efeitos elementares — como fogo ou veneno — em nossas armas primárias, entre outros atributos.

​Como em todo roguelike, a morte implica a perda das habilidades especiais e o retorno ao início do mapa, resetando o progresso, à exceção do dinheiro acumulado e do conhecimento adquirido em cada tentativa. Ao perecer, o jogador renasce em uma fogueira no melhor estilo Souls; a partir desse ponto, é possível alterar a skin, realizar upgrades e visitar duas salas extras antes de iniciar uma nova jornada.

Desenvolvido no motor gráfico Unity, Atomic Owl apresenta um polimento gráfico excepcional, com personagens detalhados, texturas de alta qualidade e uma coloração vibrante. O uso de diversos efeitos de partículas torna o ambiente vivo e nítido, consolidando a estética como o ponto mais atrativo da produção.

​A direção de arte harmoniza-se perfeitamente com a parte técnica, utilizando uma paleta de cores condizente e um nível de detalhamento elevado. Somado à fluidez da animação, o conjunto entrega uma identidade visual sólida e marcante ao título.

A trilha sonora é de boa qualidade e condiz perfeitamente com a proposta do título, apresentando composições que fixam na mente do jogador. Já a dublagem original em inglês cumpre bem o seu papel, com destaque para Mezameta (a arma falante que nos guia durante a jornada), os demais personagens também entregam boas atuações, tornando este aspecto satisfatório.

​Em contrapartida, a sonoplastia — que engloba os sons de movimentação do personagem, ruídos dos inimigos e efeitos de combate — não atinge o mesmo patamar. Mesmo com ajustes manuais no menu de áudio, o resultado permanece aquém dos demais aspectos técnicos, entregando um feedback auditivo simplório que chega a soar pobre diante da qualidade geral da obra.

Poucos são os jogos deste gênero que trazem uma história memorável, e este não é o caso de Atomic Owl. Por outro lado, o título apresenta diálogos dublados de boa qualidade, o que agrega valor e enriquece a obra, tornando-se um ponto positivo para o conjunto da experiência.

​Durante meu gameplay, tive momentos divertidos, seja pelo apuro técnico e pelos incríveis visuais, seja pela satisfação de concluir uma run com sucesso — característica central da proposta roguelike. Todavia, como nem tudo são flores, o jogo apresenta defeitos técnicos e na sonoplastia, além disso, o elemento “Metroidvania” carece do brilhantismo e do backtracking apropriado, tão comuns ao estilo.

​Embora a trilha sonora, a dublagem e os gráficos sejam, de forma geral, muito agradáveis, o level design — que se limita a progressões horizontais lineares com plataformas de física “escorregadia” — não possui o mesmo refinamento dos demais aspectos. As lutas contra chefes e a variedade de inimigos são satisfatórias, mas não elevam o jogo a um patamar superior, deixando um gosto agridoce após finalizarmos a jornada e assistirmos aos créditos.

Veredito

Atomic Owl é uma experiência de contrastes. O título brilha intensamente em sua apresentação visual e na fluidez, bebendo de fontes consagradas como Celeste. A premissa de misturar o rigor do Metroidvania com a imprevisibilidade do Roguelike é ambiciosa e, em grande parte, bem executada no que diz respeito ao arsenal variado e à progressão de habilidades. ​Entretanto, o jogo tropeça em elementos fundamentais de design. Enquanto os olhos são cativados por uma Pixel Art vibrante e os ouvidos agradados por uma dublagem competente, o level design linear e a sonoplastia simplória impedem que o título alcance o panteão dos grandes do gênero. A falta de um backtracking envolvente faz com que a exploração pareça, por vezes, uma jornada protocolar em direção ao próximo chefe.

Nota

7

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela East Asiasoft Limited para PlayStation 5. Atomic Owl está disponível também para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC e Xbox Series X|S.

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