Mouse of P.I. For Hire – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises24/04/202666 Visualizações

Embalado por muito jazz, disparos e pancadaria, assumimos o papel de Jack Pepper, um detetive particular e ex-herói de guerra magistralmente interpretado por Troy Baker (conhecido por dar voz a Joel em The Last of Us e Booker DeWitt em BioShock Infinite).

Mouse: P.I. For Hire é um jogo de ação e tiro em primeira pessoa de ritmo acelerado (boomer shooter), inspirado no estilo frenético de DOOM. O combate mescla tiroteios intensos, uma ampla variedade de armas e combate corpo a corpo, aliados à exploração de plataformas horizontais e verticais. Toda essa experiência é envolvida em uma atmosfera noir em preto e branco, com uma direção de arte que remete às animações clássicas da década de 1930.

Desenvolvido pelo estúdio polonês Fumi Games e publicado pela PlaySide Studios, o título está disponível para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch e PC. Nesta análise, apresento minha perspectiva técnica e pessoal sobre a experiência proporcionada por esta obra.

Em Mouse: P.I. For Hire, encarnamos o detetive Jack Pepper — um camundongo encarregado de investigar o sumiço repentino do famoso Mago Bandel. O que parece ser apenas mais um caso de desaparecimento logo se revela uma teia perigosa de crimes, mergulhando o protagonista em uma trama de assassinatos, corrupção e tráfico de influência, envolvendo a máfia e figuras públicas.

​Nesta jornada, contamos com o apoio de Wanda, uma repórter experiente que atua como nossa principal aliada, fornecendo as pistas iniciais para a investigação. Seguindo o rastro deixado pelo caminho, descobrimos um nome de destaque: Betty Deux-Fiddle. Ao buscarmos por essa assistente temporária em seu endereço, constatamos que ela também está desaparecida, revelando um elo direto a Bandel e indicando que a relação entre ambos ia além do âmbito profissional.

​Ao retornarmos ao escritório (nosso hub central) para compartilhar as descobertas com Wanda, somos surpreendidos pela visita de Cornelius Stilton. O personagem, um gago e corpulento candidato a prefeito da cidade de Musburg, é amigo e ex-companheiro de tropa de Pepper e Bandel durante a guerra. A partir de seu pedido de ajuda, novas camadas da trama são apresentadas, tornando a atmosfera do jogo ainda mais rica. Com diálogos excelentes e atuações primorosas de seus dubladores, a narrativa se sustenta com vigor ao longo das minhas mais de 28 horas de gameplay.

A jogabilidade de Mouse: P.I. For Hire consolida-se no gênero Boomer Shooter, bebendo diretamente da fonte dos títulos modernos da franquia DOOM. O combate é caracterizado por uma ação frenética e acelerada, apresentando um level design que equilibra com maestria a exploração horizontal e vertical.

Para dar suporte a esse ritmo, o jogo oferece um arsenal variado de armas de fogo e combate corpo a corpo (melee), complementado por mecânicas de movimentação como dash, pulo duplo e wall run (corrida pelas paredes) — esta última remetendo à agilidade clássica de Prince of Persia. Essas habilidades são adquiridas progressivamente, garantindo uma curva de aprendizado constante.

​O escritório do protagonista funciona como o Hub Central, onde o jogador aceita missões principais e secundárias. Neste local, é possível gerenciar a progressão através de:

  • Upgrade de Equipamento: Utilização de projetos (blueprints) encontrados durante a exploração para evoluir armas obtidas ao abrir cofres com minijogos (lockpicks), além da compra de munições e colecionáveis.
  • ​Um dos itens colecionáveis permite acesso a um minijogo de beisebol, adicionando variedade ao ritmo da campanha.
  • O ​Mural de Pistas: Elemento central da narrativa, auxilia na compreensão da trama através da coleta de arquivos de texto e fotos nas fases. O jogador deve organizar as evidências no mural para resolver os casos e aprofundar o entendimento da história.

Ao sair do Hub para o mapa-múndi, a transição para as missões ocorre via carro. Embora haja liberdade de navegação pelo mapa, o jogo impõe uma limitação importante: não é possível revisitar fases finalizadas.

​As ambientações são variadas e bem construídas, passando por centros urbanos, pântanos e áreas industriais. Dentro das fases, o jogador conta com uma bússola para orientação. No entanto, é necessária atenção redobrada: se uma passagem se fechar ou um item for deixado para trás, o acesso só será possível reiniciando a fase ou carregando um save anterior à conclusão da missão. Esse fator eleva o desafio para jogadores que buscam os 100%, já que um descuido pode resultar na perda definitiva de colecionáveis e missões secundárias naquela campanha.

​A jogabilidade é fluída e dinâmica, rodando de forma extremamente suave. O título oferece a possibilidade de ser jogado em duas configurações: 120 FPS com resolução Full HD ou 60 FPS em 4K. As habilidades conquistadas na progressão dão variedade e profundidade à excelente gameplay, tudo de forma planejada e orgânica. O Level Design é extremamente bem construído, com situações variadas para quase todas as fases, apesar de o comportamento dos inimigos não ser tão diverso, seu posicionamento, quantidade e constância são bem executados.

​A escolha de não permitir revisitar uma fase frustra, mas não chega a ser um defeito, e sim uma escolha de design atrelada à narrativa. Talvez a inclusão futura de um modo New Game+ (NG+) possa amenizar parte dessa frustração.

​Os gráficos de Mouse: P.I. For Hire podem chocar à primeira vista, mas uma vez que o jogador está inserido no jogo, os elementos visuais se tornam práticos e agradáveis. A variedade de ambientes e a comunicação visual contribuem para isso.

​A direção de arte — que remete ao passado e faz referência estética ao antigo universo Disney — é um dos grandes destaques. Ela trabalha em conjunto com gráficos estilizados que, além de serem muito refinados, trazem identidade e grande impacto visual.

​Não é difícil imaginar cores naquele universo, pois é assim que enxergamos o mundo real, mas o preto e branco é muito mais que uma questão estética. O tom monocromático funciona como um “retrato da época”, além de contextualizar muito bem a obra e sua atmosfera.

​Um dos pilares de maior destaque deste projeto é, sem dúvida, o seu design sonoro, que se revela memorável em todos os seus aspectos técnicos e artísticos.

​A trilha sonora é um verdadeiro “soco no estômago” pela sua força. Ela transita com maestria entre momentos de calmaria contemplativa e sequências de pura ação, onde o senso de urgência é palpável e dita o ritmo da experiência de forma visceral.

​Complementando essa imersão, a sonoplastia atua em perfeita harmonia com os demais elementos. O preenchimento dos cenários com ruídos ambientais é preciso, permitindo que o jogador se oriente organicamente através do som — seja pelo eco de passos distantes ou pelo estalo seco e impactante de um disparo.

​Contudo, o ponto em que o título alcança a aclamação unânime é na dublagem. Liderado por uma performance magistral de Troy Baker, o trabalho de voz é impecável. Jack Pepper certamente ficará gravado na memória dos jogadores, mas o brilhantismo não se limita ao protagonista, todo o elenco entrega uma interpretação de altíssimo nível, elevando a narrativa a um patamar cinematográfico.

Veredito

Mouse of P.I. For Hire é uma grata surpresa que une a nostalgia das animações da “Era de Ouro” com a agressividade moderna dos boomer shooters. O jogo não se apoia apenas em sua estética única, ele entrega uma jogabilidade refinada, um sistema de progressão sólido e uma narrativa noir envolvente, amparada por atuações de voz que rivalizam com grandes blockbusters da indústria. ​Embora a impossibilidade de revisitar fases possa punir os caçadores de conquistas menos atentos, a fluidez do combate e a atmosfera imersiva de Musburg tornam a jornada memorável. É um título obrigatório para quem busca um desafio técnico com personalidade artística de sobra.

Nota

9

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela PlaySide Studios para PlayStation 5.

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