BioEden: uma nova vida para um mundo destruído

David "Fiuzer" CarvalhoAnálises28/09/2026116 Visualizações

BioEden é um jogo de simulação e gerenciamento que coloca o jogador diante de um planeta devastado, onde a principal missão é recuperar o meio ambiente e trazer a vida de volta a um mundo que foi destruído.

Desenvolvido pela Broken Arms Games e distribuído pela Focus Entertainment, o jogo mistura construção, administração de recursos e restauração de ecossistemas, permitindo que você recupere áreas contaminadas, desenvolvendo estrutura e criando habitats para diferentes espécies de animais. Com uma proposta focada em tranquilidade e progressão. BioEden busca transformar o processo de reconstrução ambiental em sua principal experiência.

O começo de uma grande Restauração

Bom, BioEden é aquele tipo de jogo cuja proposta já consegue despertar bastante interesse, principalmente para quem gosta de jogos nesse gênero.

A ideia de pegar um planeta completamente destruído e poluído para acompanhar sua recuperação é muito interessante, principalmente quando você começa a perceber as mudanças no ambiente conforme avança na recuperação do planeta. E é justamente nessa transformação que o jogo encontra boa parte de sua identidade.

Você assume o papel de um Keeper, responsável por restaurar esse mundo enquanto recupera recursos, constrói estruturas, limpa áreas contaminadas por venenos e poluição e cria ambientes necessários para trazer espécies extintas de volta à vida. É uma proposta simples de entender, mas que funciona majoritariamente bem, principalmente por causa da transformação visual que acontece durante a campanha.

No começo, tudo é praticamente um desastre. O planeta está tomado por poluição, estruturas destruídas e áreas que precisam ser totalmente recuperadas. Conforme você começa a trabalhar naquele ambiente, a situação vai mudando gradativamente. E esse talvez seja um dos maiores acertos de BioEden.

Existe uma satisfação genuína em olhar para uma área que antes estava completamente morta e perceber que, depois de todo o trabalho, ela começa a ganhar vida novamente. Você não está simplesmente vendo números subirem em uma interface. A própria aparência do mundo muda conforme seu progresso.

Dois sistemas que funcionam juntos

A estrutura de BioEden gira principalmente em torno de dois espaços ou ambientes. Temos o mapa principal, onde você administra recursos, energia, água e estruturas, além de trabalhar na recuperação do planeta. E temos os domos, onde entra a parte mais diretamente ligada aos animais e a fauna do planeta.

Eu, particularmente, gostei bastante da primeira parte, pois ela oferece uma maior variedade de coisas para fazer pelo mundo. Dentro dos domos, você precisa montar habitats capazes de atender às necessidades das diferentes espécies. Temperatura, umidade, vegetação e outras condições precisam ser levadas em consideração para que os animais possam prosperar e se reproduzir.

Você começa a encaixar tudo em um espaço limitado e bem apertado, aos poucos, tenta encontrar uma maneira de fazer aquele pequeno ecossistema funcionar. É quase como, se BioEden tivesse dois jogos diferentes funcionando ao mesmo tempo, mas que mesmo assim, dependem diretamente um do outro. De um lado, você está preocupado com recursos, energia, água e poluição. Do outro, está tentando montar o habitat perfeito para determinada espécie.

E quando essas duas partes funcionam juntas, o jogo consegue ser muito gostoso de jogar.

Um ciclo que começa a ficar repetitivo

O problema é que esse ciclo todo começa a se repetir muito mais do que deveria. Depois de entender como as coisas funcionam, você percebe que grande parte da experiência segue uma estrutura bastante semelhante. Conseguir recursos, construir determinadas estruturas, liberar novas tecnologias, limpar áreas, restaurar os ambientes e voltar para os domos para continuar trabalhando nos animais.

Funciona, mas falta aquela sensação de que suas decisões realmente estão abrindo caminhos diferentes, ou até mesmo que o jogo não consegue ir além disso. As diferentes guildas até tentam mudar um pouco essa experiência, mas as diferenças acabam sendo mais uma questão de ritmo e pequenas alterações na forma como você administra seus recursos do que mudanças realmente significativas na maneira de jogar.

Algumas facilitam determinados aspectos, enquanto outras colocam pequenas limitações, mas a estrutura principal continua praticamente a mesma.

Desempenho vergonhoso e precário

Sim, eu sei que pode parecer até brincadeira ler algo assim nesse tipo de jogo, que parece extremamente leve e que pode ser rodado em qualquer “Batata Gamer”, o que não está errado, até certo ponto.

O ponto é, no começo, são tudo mil maravilhas. Mas, ao longo do jogo, conforme você começa a expandir e acumular cada vez mais coisas no mapa, o desempenho cai por terra. No começo, eu estava jogando na taxa de atualização do meu monitor principal (180Hz). Porém quando cheguei a 75%/80% da história e de progressão, meu jogo já estava rodando entre 60 a 80 FPS, coisa que, para mim, é inacreditável, levando em consideração as especificações do meu PC (Ryzen 7 9700X, 32 GB de RAM e RTX 5080).

Gostaria muito de saber como fica a situação para quem tem um PC mais modesto, pois claramente o game não funciona bem nos últimos 30% da campanha.

Uma experiência feita para relaxar

BioEden não é um jogo que tenta ser extremamente difícil, ou até mesmo ser o melhor do gênero. Na verdade, ele segue muito mais uma proposta relaxante.

Você não está constantemente sendo pressionado e perseguido por alguma ameaça, ou tomando decisões que podem destruir horas de progresso. É um jogo para você sentar, organizar as coisas e simplesmente acompanhar aquele planeta voltando à vida, enquanto ouve alguma música ou até mesmo vê algum vídeo. E eu acho que isso é importante deixar claro.

Se você está procurando um simulador de gerenciamento extremamente complexo, cheio de sistemas interligados e que exige dezenas de horas para dominar tudo, provavelmente esse não é o jogo para você.

Essa falta de profundidade e a boa parte das tecnologias e dos sistemas acaba sendo desbloqueada relativamente cedo. Agora, se a ideia é simplesmente relaxar enquanto você vê um planeta morto se transformar em um lugar cheio de vida, BioEden consegue entregar uma experiência bastante agradável.

Uma transformação visual que faz diferença

E agora falando um pouco sobre a parte visual do game.

A direção de arte segue uma estética bem colorida e estilizada, que combina perfeitamente com a proposta. Existe um contraste muito interessante entre o estado inicial daquele planeta e o resultado que você consegue alcançar depois de algumas horas. Quanto mais você restaura, mais aquele mundo começa a parecer um lugar realmente habitável, um planeta de verdade. É bem simples, mas até que funciona bem.

A trilha sonora também acompanha muito bem essa proposta mais tranquila. Não existe aquela necessidade de ficar constantemente colocando música grandiosa ou tentando transformar cada momento em alguma coisa épica.

O jogo deixa você trabalhar no ritmo que deseja. Se quiser fazer muitas coisas ao mesmo tempo, você consegue. E se quiser fazer uma coisa de cada vez, também consegue. E talvez seja justamente aí que BioEden encontre sua identidade.

Ele não quer ser um jogo de gerenciamento extremamente complexo (até porque ele não é) ele tenta ao máximo ser o mais simples possível, sendo facilmente uma porta de entrada para jogos do gênero.

Uma boa ideia para pouco conteúdo

BioEden tem uma ideia boa, uma identidade que claramente não faz feio, e um loop que funciona enquanto ainda existem coisas novas para desbloquear.

O problema é, ele chega ao ponto em que você já entendeu praticamente tudo relativamente rápido. Daí, a repetição começa a tomar conta da sensação de relaxamento. Ele deixa de ser um jogo que você abre para relaxar, para ser um jogo que você abre para “trabalhar”.

A falta de profundidade e variedade, acaba prejudicando justamente aquilo que deveria sustentar a experiência por mais tempo, a vontade de continuar desenvolvendo o planeta e experimentando novas possibilidades.

O jogo em si, não tenta transformar tudo em uma competição, não fica te punindo a cada erro e não exige que você seja um especialista no gênero para conseguir entender seus sistemas. Mas, justamente por isso, quem procura mais profundidade pode acabar sentindo que faltou alguma coisa.

Considerações finais

BioEden me deixou com aquela sensação de estar jogando uma ótima base para algo que claramente poderia ser muito maior. A ideia de você restaurar um planeta devastado, acompanhar a fauna e a flora voltando a existir, enquanto constrói habitats para espécies que já foram extintas, é muito boa para ficar presa a sistemas tão simples.

É um jogo que, no começo, é relaxante, bonito e extremamente tranquilo de jogar, mas que acaba mostrando suas limitações conforme você avança.

E talvez essa seja a melhor forma de resumir o BioEden: uma experiência que consegue fazer você gostar bastante da ideia de restaurar aquele mundo, mas que, infelizmente, não tem conteúdo o suficiente nem é aprofundada o bastante para te prender durante 100% do jogo.

Veredito

BioEden é um jogo com uma proposta interessante e uma experiência que consegue ser bastante relaxante, principalmente nas primeiras horas. Restaurar um planeta devastado, acompanhar o retorno da fauna e da flora e construir habitats para diferentes espécies é uma ideia que funciona bem, mas que acaba sendo prejudicada pela falta de variedade e profundidade de seus sistemas. O maior problema é que o jogo apresenta praticamente tudo o que tem a oferecer relativamente cedo, fazendo com que a progressão perca parte do seu glamour e a repetição comece a tomar conta da experiência que era para ser principalmente relaxante.

Nota

6.5

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Focus Entertainment para PC (Steam). O título possui localização em português e também está disponível PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

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