Silver Pines – Review

Washington "MeuGameB" DiasAnálises28/10/2026149 Visualizações

Silver Pines é o título de estreia do estúdio independente Wych Elm Games, lançado sob o selo da Team17. O título é idealizado e liderado por Linus Larsson e Mattias Snygg — veteranos da indústria com passagens por produções como Helldivers 2 e The Darkness —, o projeto foi desenvolvido ao longo de cinco anos por uma equipe enxuta e totalmente remota, dividida entre a Suécia e a Noruega.

Nesta análise, apresento minhas impressões detalhadas sobre a experiência com o jogo. As avaliações a seguir foram consolidadas após mais de 20 horas de gameplay, nas quais concluí 100% do conteúdo disponível e conquistei o troféu de platina.

Sinopse narrativa

Nossa jornada de autoconhecimento em Silver Pines começa com o protagonista, Red Walker, despertando ao som insistente de um telefone em uma cantina abandonada. Sem entender como foi parar ali, Red levanta da cadeira, marcando o momento em que assumimos o controle para explorar o local. O primeiro item coletado é a chave do veículo. Em seguida, uma placa comemorativa na parede sinaliza a atmosfera do lugar: “Silver Pines – Oldest Diner (1861)”, com a data de 1972 logo abaixo, emitida pela Silver Pines Historical Society, Inc.

Vale destacar que, os números exercem um papel central na progressão, sendo amplamente utilizados na resolução de quebra-cabeças e na compreensão dos eventos.

Próximo à entrada, encontramos uma Junk Box danificada, incapaz de reproduzir músicas no momento. Seguindo pelo corredor em direção aos sanitários, um quadro exibe um bilhete com uma frequência de rádio crucial: 89,0 Hz. Ao acender a luz e entrar, coletamos um porta-alianças cujos entalhes em formato de estrela na tampa estão incompletos, sugerindo um mecanismo oculto.

Na cozinha da cantina, encontramos um rádio dessintonizado. Ao ajustá-lo para 89,0 Hz, escutamos um alerta oficial de evacuação para os cidadãos de Silver Pines, orientando a busca por locais seguros. Na prateleira ao lado, coletamos a chave da porta da frente e utilizamos a cafeteira local. Esta ação representa a primeira melhoria de personagem: o consumo da bebida aumenta o vigor, evidenciando que o gerenciamento de atributos será vital para a sobrevivência.

Do lado de fora, o som do telefone ecoa de uma cabine próxima. Ao atendê-lo, somos introduzidos ao Sr. Jackman, nosso contratante misterioso, que indaga sobre o paradeiro de Eddie Velvet, o alvo da investigação. Jackman relembra que nosso destino inicial era o Hotel Urso Rubro, questiona se ainda estamos com o dossiê e reforça a alta remuneração pelo serviço. Após desligar, conhecemos a mecânica de salvamento: para utilizar a cabine como ponto de salvamento (save point), é necessário inserir uma moeda, discar o número 7722-1 e selecionar um dos quatro slots de progresso.

No porta-malas do carro, destravado com a chave inicial, encontramos o dossiê de Eddie Velvet, nossa licença de investigador particular, uma câmera Polaroid e a foto do alvo. O perfil revela que Eddie tem entre 25 e 35 anos, é músico, não possui antecedentes criminais e tampouco residência fixa conhecida.

Explorando Silver Pines e o Hotel Urso Rubro

Em um quadro de avisos adjacente, obtemos o mapa de Outskirts (periferia de Silver Pines). Os mapas são essenciais durante a jornada: além de orientar a locomoção e a direção dos objetivos, podemos usar a câmera Polaroid para registrar locais obstruídos ou itens de interesse, fixando automaticamente as fotografias no mapa como pontos de referência.

Após breve exploração, chegamos ao nosso destino: o Hotel Urso Rubro. O portão principal está trancado por uma fechadura eletrônica que exige um código. À esquerda, a recepção encontra-se vazia, conforme constatado ao tocar o sino no balcão. Um bilhete na parede indica que o atendente foi à mercearia do Rodney, situada no fim da rua, mas retornaria em breve.

Explorando a Farmácia

Continuando a exploração, encontramos uma farmácia onde coletamos duas ervas verdes. Seguindo a premissa clássica do gênero, é possível consumi-las separadamente ou combiná-las em um recipiente para criar um tônico de maior eficácia, conforme receita encontrada no local. O local também exibe um trecho de série televisiva em uma televisão, fazendo uma alusão direta à nossa história, em um tom que remete a Alan Wake.

Com a chave da passagem subterrânea em mãos e o caminho principal bloqueado por um portão com cadeado, consultamos o mapa para localizar uma rota alternativa, descobrindo que o item serve para abrir um acesso próximo à recepção do hotel. Neste ponto, uma nova mecânica de movimentação é introduzida, permitindo passar agachado por determinados trechos.

A Mercearia e o primeiro quebra-cabeça

Seguindo pelo caminho liberado, superamos um muro por meio da mecânica de escalada, alcançando o lado oposto do portão que dava acesso à mercearia. O estabelecimento encontra-se completamente abandonado. Em seu interior, encontramos um calendário datado de um mês específico de 1993 e um bilhete que revela o enigma da tranca eletrônica do frigorífico: a soma de um valor fixo com o dia atual do mês resulta no código de acesso.

O Frigorífico e o Primeiro Encontro

No interior do frigorífico, a trilha sonora ganha um tom sinistro e o jogo introduz a mecânica de esquiva. Realizada através de um único comando e aplicável em direções distintas, ela permite evitar ataques eminentes ou posicionar-se nas costas dos inimigos. Desviando de grandes pedaços de carne suspensos por ganchos, avançamos pelo corredor até encontrar uma bolsa contendo a chave da recepção do Hotel Urso Rubro.

Imediatamente após a coleta, uma criatura emerge das sombras e avança em nossa direção. Após executar uma esquiva bem-sucedida para escapar da área sem confronto direto, o protagonista exclama: “O que diabos está acontecendo?”

Mecânicas de gerenciamento e combate

De posse da chave, iniciamos o retorno à recepção. No trajeto, encontramos nossa primeira ferramenta utilizável como arma corpo a corpo: um estilete desgastado, cravado no cadáver de um cão. O item permite cortar capas de lona resistentes e liberar caminhos bloqueados.

O jogo passa a exigir o domínio das mecânicas apresentadas, introduzindo portas seladas por cadeados — onde o uso da câmera Polaroid se mostra indispensável — e rolos de fita adesiva, fundamentais para restaurar a durabilidade das ferramentas e, futuramente, combinados com sucata para a fabricação de kits de reparo.

Assim que o estilete é restaurado, um novo tipo de inimigo surge. Mais lento e previsível que a criatura anterior, ele pode ser combatido diretamente com a arma branca ou evitado com o auxílio da esquiva.

O Hotel Urso Rubro

Na recepção do hotel, cortamos a lona que obstruía a passagem e acessamos a área administrativa. Utilizando a chave coletada anteriormente, encontramos o livro de registro de hóspedes, que detalha o número de clientes, a suíte de Eddie Velvet e a data da locação.

Ao lado, localizamos o primeiro baú de armazenamento, elemento crucial para o gerenciamento de inventário. Logo após organizar os itens, um inimigo surge e é neutralizado com três ataques consecutivos de estilete, seguidos por um pisoteio — mecânica que economiza munição e preserva a durabilidade das armas brancas.

Consultando o código de cinco dígitos presente no registro de hóspedes (gerado aleatoriamente a cada nova partida, mas fixo no documento), abrimos o acesso ao estacionamento do hotel.

No estacionamento, um portão trancado bloqueia o acesso às suítes, e o sistema elétrico apresenta falhas devido à ausência de um fusível. A sala de jogos adjacente encontra-se na mais completa escuridão e repleta de ruídos hostis, exigindo cautela até que o fornecimento de energia seja restabelecido.

Explorando o lado oposto, encontramos uma loja de presentes que abriga uma nova seção do mapa e um armário trancado por cadeado numérico, em cujo interior vislumbramos uma escopeta e munição. Próximo às escadas do porão, um bilhete sobre disjuntores indica a localização de um fusível de reserva.

O porão alagado é percorrido com o auxílio da movimentação agachada. Após derrotar a ameaça local e recuperar o fusível, uma criatura saltitante tenta nos emboscar, exigindo reflexos rápidos para o combate ou fuga. No mesmo ambiente, identificamos uma porta trancada que demanda uma maçaneta, item a ser buscado na área externa.

Com o fusível resgatado, retornamos ao painel elétrico para reativar a energia da sala de jogos. No espaço iluminado, eliminamos o inimigo remanescente e coletamos um bilhete do Sr. Holloway com reclamações sobre Eddie Velvet, além de munições de chumbinho destinadas a um minigame de estande de tiro. Ao completar o desafio, somos recompensados com a chave do portão de acesso às suítes.

A nova zona conta com cabine telefônica, baú de itens e uma máquina de vendas onde é possível adquirir munições, fitas, tônicos e kits médicos utilizando moedas encontradas pelo cenário.

A Suíte de Eddie Velvet e o onírico encontro

Avançando pela área das suítes e conquistando nossa primeira arma de fogo, encontramos um documento que revela o código do armário de armas da loja de presentes, sob posse da moradora do apartamento 3. Na suíte de Eddie Velvet, constatamos sua ausência, mas localizamos sua guitarra Flying V. Ao contatar um número telefônico presente nos documentos do quarto, uma mulher misteriosa condiciona o fornecimento do código à promessa de um encontro futuro. Com a senha em mãos, garantimos a escopeta e sua respectiva munição.

Munidos do armamento e da maçaneta obtida anteriormente, retornamos ao porão para abrir a porta selada. O acesso conduz a uma área onírica em formato de bar. O bartender oferece uma bebida por conta da casa e, diante da recusa, sugere que acompanhemos o espetáculo prestes a começar.

Um artista de costas executa uma melodia melancólica enquanto flashes desconexos invadem a mente de Red. Despertando em um ambiente vazio e na penumbra, deixamos o local e recuperamos nosso primeiro Memento: um urso de cerâmica lascado que incrementa o vigor do protagonista. No mesmo espaço, encontramos a chave do serviço de balsas e um novo objetivo é mapeado.

De volta ao exterior, um novo contato telefônico com o Sr. Jackman revela a pista de que Eddie Velvet fugiu para os picos acompanhado da namorada. A rota aponta para a estação de teleférico no centro de Silver Pines. Ao atravessar um túnel sob forte luz vermelha, enfrentamos a primeira batalha de chefe da campanha, cujo triunfo nos recompensa com o segundo Memento.

Antes de prosseguir, realizei uma exploração complementar na cantina inicial, utilizando o estilete para cortar lonas que bloqueavam o acesso a salas secundárias. A investida rendeu suprimentos, um Memento adicional, a eliminação estratégica de um inimigo através de um botijão explodido e o registro de progresso na cabine telefônica mais próxima, preparando o terreno para a expansão do mundo de jogo.

Gameplay e suas nuances

Silver Pines é um survival horror 2.5D que estrutura sua experiência em torno de elementos clássicos do gênero Metroidvania. A jogabilidade se destaca por ser simples e intuitiva, mas ganha camadas progressivas de complexidade graças a um level design afiado e cada vez mais exigente, que combina resolução de puzzles, exploração minuciosa e combate estratégico.

Ao longo da jornada, novas ferramentas — que também cumprem o papel de armas brancas — servem tanto para enfrentar ameaças quanto para abrir caminhos, destravar atalhos e liberar áreas inéditas. A narrativa se expande dinamicamente através do contato com NPCs, tanto inéditos quanto recorrentes. Sempre envoltos em mistério, esses personagens são cruciais para o avanço do jogador e para a compreensão da história.

Conforme o arsenal se expande, o sistema de combate ganha ainda mais profundidade e variedade. O jogo disponibiliza diversas armas de fogo, variados equipamentos de combate corpo a corpo, tônicos para melhoria de atributos e expansões de inventário para os Mementos. Esses itens passivos fortalecem atributos essenciais como velocidade, resistência e manuseio de armas, criando sinergias valiosas tanto para o combate quanto para a navegação pelo mapa.

A estrutura do jogo ganha um foco claro quando o jogador alcança a estação do teleférico e é surpreendido por um rosto conhecido: o cliente misterioso do bar. Ele revela que, para ativar o transporte em direção aos picos de Silver Pines, é preciso encontrar cinco sinos e tocar uma melodia específica para acionar o mecanismo. A partir desse momento, as localizações são marcadas no mapa. O acesso a cada sino exige entrar em áreas confinadas a partir do mundo semiaberto, resolver sequências de puzzles, enfrentar hordas de inimigos e culminar em batalhas marcantes contra chefes.

Esse loop de gameplay se mantém firme e variado até o desfecho da aventura, que conta com três finais diferentes. Os caminhos divergentes dependem das escolhas do jogador e da coleta de itens chave específicos para alcançar dois desses desfechos. Com um mapa amplo, variado e extremamente bem desenvolvido, Silver Pines se inspira em grandes franquias do gênero, mas ostenta uma identidade própria marcante. Tudo o que o título se propõe a fazer é executado com maestria, superando com facilidade qualquer limitação visual que o plano 2.5D pudesse impor. 

Gráficos, desempenho e direção de arte de fazer inveja a muitos títulos de grande porte

Desenvolvido na Unity 6, Silver Pines entrega gráficos extremamente bonitos e polidos, além de um desempenho exemplar — pelo menos no PlayStation 5, plataforma onde vivi a experiência em sua totalidade.

Na direção de arte, o jogo é um verdadeiro espetáculo. Conta com cenários detalhados e efeitos práticos bem executados, aliados a uma paleta de cores frias e a um clima chuvoso e nublado. Isso constrói uma atmosfera densa, melancólica e perfeitamente condizente com a temática da obra.

Áudio, sonoplastia e dublagem: a cereja do bolo.

A parte sonora de Silver Pines é primorosa e eleva imensamente a imersão. O jogo recria com fidelidade os ambientes, mimetizando com perfeição tanto os nossos passos quanto os dos inimigos. A trilha sonora, apesar de esporádica, é excelente. Os disparos de armas têm impacto, o tinir do aço contra os monstros é marcante e as criaturas emitem urros e grunhidos bem telegrafados, permitindo identificar com precisão a direção de onde vêm. O som da chuva também se destaca, sendo ainda mais imersivo com o uso de fones de ouvido.

No quesito dublagem, a atuação em inglês — que acompanhei durante a jogatina — entrega um resultado profissional que engrandece toda a experiência.

Considerações Finais: Uma obra em sua mais pura essência

Em suma, Silver Pines é o tipo de obra que surge do trabalho de desenvolvedores genuinamente apaixonados e dedicados. O resultado de cinco anos de desenvolvimento é visível: embora suas inspirações sejam claras, sua inventividade certamente servirá de referência para futuros títulos do gênero.

A história, repleta de mistérios e suspense, não responde a todas as perguntas de forma explícita, mas possui personalidade suficiente para prender o jogador até o desfecho. A jogabilidade, que de início pode parecer truncada, ganha fluidez e profundidade à medida que evoluímos o personagem com mais vigor e utilizamos o arsenal de ferramentas, armas e Mementos.

No que tange à parte técnica, o jogo entregou um desempenho satisfatório que potencializou a imersão. Como em qualquer obra, há pontos de melhoria: na minha visão, o ritmo arrastado no início e alguns elementos de narrativos poderiam ser mais diretos. Além disso, vale notar que, apesar de pertencer ao gênero survival horror, o título não chega a causar medo genuíno.

Acredito que, caso haja uma DLC futura, algumas lacunas narrativas possam ser preenchidas, embora eu não veja espaço imediato para uma continuação direta. Trata-se de uma experiência extremamente gratificante que recompensa os jogadores dedicados com desbloqueáveis para uma nova playthrough ao cumprir certos requisitos. Por fim, o esforço conjunto entre a Team17 e a PlayStation resultou em uma redução de mais de 50% no preço de lançamento na PSN brasileira. Silver Pines vale cada centavo e cada segundo investido.

Veredito

Silver Pines revela-se uma experiência imersiva e profunda que, apesar de um começo cadenciado e de uma atmosfera distante do terror de sobrevivência tradicional, destaca-se por sua narrativa envolvente, progressão gratificante e direção artística marcante. Com uma relação custo-benefício altamente atrativa na PSN, o título consolida-se como uma obra recomendada sem ressalvas para entusiastas de jornadas narrativas densas.

Nota

9

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Team17 para PlayStation 5. O título possui localização em português e também está disponível para Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2 e PC (Steam e Epic Games).

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