
New Super Lucky’s Tale é um jogo de ação e plataforma 3D desenvolvido e publicado pela Playful Corp, sendo originalmente lançado para Nintendo Switch em novembro de 2019, o título chegou ao PlayStation 4 e Xbox One em agosto de 2020. O jogo é um remake de Super Lucky’s Tale (2017), também desenvolvido pela Playful Corp, mas publicado, na época, pela Microsoft.
Hoje, quase seis anos depois, ele é novamente relançado, desta vez pela PQube Limited, prometendo 120 FPS e resolução 4K para as plataformas atuais. Nós do CS Reviews — que ainda não tínhamos experimentado nenhuma das versões, nem mesmo o Lucky’s Tale original que antecede a de 2017 —, estamos tendo a oportunidade de jogá-lo agora.
Nesta análise, compartilhamos nossa opinião sobre este título que traz um “gosto de adolescência”: uma época em que passávamos horas desfrutando de jogos desse estilo, tão presentes nos consoles da Nintendo, SEGA e PlayStation.
Tudo começa com a destruição do lar de Lucky e sua irmã, Lyra. Em um insano rompante de ganância, o feiticeiro Jinx traiu seus amigos e tentou roubar o artefato mais poderoso da Ordem: o Livro das Eras. Os Guardiões juntaram forças para enfrentá-lo, mas Jinx conseguiu banir todos que se opuseram a ele, enviando-os para mundos separados.
Lyra e Lucky, os únicos remanescentes, pegaram o livro e fugiram, passando anos evitando Jinx e sua família. E mesmo escondidos, sabiam que cedo ou tarde ele os alcançaria. Esse dia chegou, e a última batalha ocorreu em sua terra natal, Foxington. Quando tudo parecia perdido, algo estranho aconteceu: o livro reagiu com violência à magia de Jinx — fosse para proteger os irmãos ou a si mesmo.

Em meio a uma tormenta, páginas voaram em todas as direções, o livro abriu um portal violento e instável, sugando Jinx e sua Ninhada. Contudo, o portal também levou Lucky. Sem o símbolo do guardião, que estava com o pequeno raposo, a equipe de sua irmã não pôde viajar entre os mundos. Eles ficaram presos desde aquele dia, esperando sem saber para onde o portal o tinha levado, mas Lyra sabia que ele estava em algum lugar dentro do livro.
Lyra Swiftail é a líder atual do que restou da Ordem dos Guardiões, mas esta não é a sua história. Esta é a história de Lucky que, com a nossa ajuda, vai reunir todas as páginas do livro mágico para conseguir retornar para casa. A história de New Super Lucky’s Tale é bem contada e contextualizada. Encontramos diversos personagens pelos mundos, todos precisando de ajuda e, de alguma forma, atormentados pela Ninhada. Cabe a nós ajudá-los como os verdadeiros heróis desta jornada.
A jogabilidade de New Super Lucky’s Tale segue o padrão de clássicos como Super Mario 64 e Banjo-Kazooie. Esse estilo era bastante popular no passado e hoje se mantém forte principalmente nos consoles da Nintendo. Ocasionalmente, somos surpreendidos por títulos como Astro Bot, que inclusive foi eleito o Jogo do Ano no The Game Awards de 2024.

Além dos comandos básicos — andar, correr e realizar saltos duplos — podemos bater nos inimigos e interagir com objetos usando a cauda de Lucky. Ele também conta com uma habilidade única: a de cavar. Com ela, é possível se locomover de forma submersa para ganhar velocidade, atacar pontos fracos de inimigos e explorar cenários onde essa mecânica é obrigatória.
Cada mundo do jogo é dividido por diferentes biomas, com temáticas próprias como Sky Castle, Veggie Village e Wrestful Retreat. O objetivo primário é recolher uma certa quantidade de páginas para abrir um portal selado. Após abri-lo, enfrentamos um chefe e, ao derrotá-lo, ganhamos passagem para um novo mapa.
E dentro de cada área, existem três marcadores principais:
Vidas: O número de tentativas restantes;
Trevo da Sorte: A quantidade de páginas coletadas;
Moedas: Dinheiro que permite comprar novos trajes com um vendedor específico.
Existem formas distintas de encontrar as páginas. Uma delas está atrelada à resolução de quebra-cabeças dentro de cavernas (acessadas por escotilhas). A outra garante até quatro páginas por fase, dependendo da disposição do jogador em completar objetivos internos.

Os estágios variam em jogabilidade, podendo alternar entre plataforma 2D, visão isométrica ou corridas. Esse loop de gameplay acompanha o jogador de forma variada, fazendo com que o jogo ganhe fôlego a cada novo mundo. Vale lembrar que é possível revisitar mundos anteriores a qualquer momento.
Os gráficos são excelentes, especialmente considerando que não se trata de uma produção AAA. O título foi desenvolvido na Unity e está entre os mais belos que já vi nessa engine.
Apesar de o visual ser semelhante ao do relançamento de 2020, ele continua muito atraente, com ótimas texturas e efeitos de iluminação. O jogo roda de forma extremamente suave, não notei qualquer tipo de bug ou queda de quadros no PS5, plataforma onde foi jogado. A direção de arte também se destaca, com paletas de cores vibrantes e um design de personagens muito carismático.
Um ponto que chama a atenção logo de início é a trilha sonora, que se adapta perfeitamente a cada momento. As composições são alegres e apresentam uma qualidade impecável, a fanfarra da tela inicial é marcante, digna de uma grande produção. A sonoplastia cumpre seu papel com maestria, entregando efeitos sonoros condizentes tanto com a exploração quanto com os combates.
Sem a pretensão de revolucionar o gênero, New Super Lucky’s Tale é uma belíssima homenagem aos clássicos de plataforma 3D. O jogo impressiona pelo que entrega dentro de sua proposta indie, proporcionando uma experiência tão divertida que, após 8 horas, a sensação é de que uma sequência seria muito bem-vinda. Apesar de ter uma dificuldade reduzida em relação aos seus antecessores espirituais, o título compensa com um level design competente e performance visual satisfatória. É um título que sabe onde quer chegar e o faz com muito capricho.
8.5
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela PQube Limited para PlayStation 5.