GRIME II – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises30/03/2026673 Visualizações

Grime II é o novo lançamento do estúdio Clover Bite, desta vez distribuído pela Kwalee Ltd. Esta análise focará exclusivamente na experiência deste capítulo, como não joguei o título anterior, não farei comparações diretas. Vou me concentrar nas inspirações do game e apresentar uma visão honesta sobre os pontos discutidos.

​Em 1994, a Nintendo lançava Super Metroid, e graças ao hardware robusto daquela geração, o título expandiu horizontes a ponto de ser considerado por muitos o jogo da década. Pouco depois, em 1997, fomos apresentados ao aclamado Castlevania: Symphony of the Night. Embora a franquia já fosse consagrada, foi nesta obra que ela se reinventou de forma magistral, definindo os pilares que até hoje ditam as regras do gênero.

​Cresci jogando essas franquias, assim como grande parte da minha geração, e essa paixão coletiva acabou batizando o gênero que conhecemos como “metroidvania”. Anos mais tarde, em 2009, presenciamos o surgimento de outra vertente: o Soulslike. Popularizado por Demon’s Souls, o estilo herdou elementos dos metroidvanias, mas injetou características próprias, como combate estratégico e progressão punitiva. Foi da intersecção desses dois mundos que surgiu, em 2016, Salt and Sanctuary, consolidando o subgênero “soulsvania”. É dentro desse cenário de inovação e nostalgia que analisaremos Grime II.

A história de Grime II é simples, porém não linear. Propositalmente fragmentada — seguindo o estilo narrativo da FromSoftware —, a trama funciona como um pano de fundo que justifica a jornada em vez de explicá-la detalhadamente.

“Algo resiste às ondas”, diz o ser misterioso autointitulado “O Criador de Marés”. Ele celebra a existência de “um pensamento com substância” e explica que a confusão inicial é normal, mas alerta que não devemos estagnar nela. Segundo ele, à medida que desejos e memórias se unem em nosso interior, nós crescemos.

​Em Grime II, assumimos o papel de um “ladrão de formas”. Somos um ser informe, um imitador capaz de absorver criaturas e invocar moldes inspirados nelas para lutarem ao nosso lado. A história ganha corpo gradualmente: diferentes pontos de vista surgem através de personagens com filosofias distintas. Por meio de diálogos e escolhas, moldamos parte desse mundo ambíguo, deixando a cargo do jogador decidir qual caminho seguir.

Grime possui nuances fundamentais que remetem às suas inspirações. O primeiro aspecto são as seções de plataforma em 2.5D. Elas são extremamente responsivas e exigentes, funcionando quase como “puzzles em movimento”. Com mais de 40 horas de jogo, perdi a conta de quantas vezes arrisquei a vida para alcançar “só mais aquele item” valioso.

​O mapa é vasto — um dos maiores que já explorei — mas muito bem desenhado, com pontos de salvamento estratégicos. Neles, é possível evoluir o personagem, equipar moldes e até redistribuir atributos. A exploração é recompensadora e honra o clássico backtracking: habilidades novas revelam segredos em áreas antigas, incentivando o jogador a retornar e superar obstáculos antes intransponíveis.

​A influência Souls é nítida no combate, mas com ressalvas que dão identidade própria ao título. A “barra de estamina” aqui é chamada de fôlego. Diferente de outros jogos, quando o fôlego acaba, você não perde mobilidade; apenas o seu dano é reduzido, permitindo que o ritmo da luta não seja totalmente interrompido.

​A grande estrela, porém, é a mecânica de moldes. Ao derrotar inimigos, você pode “roubar” seus poderes. Após absorver a mesma criatura algumas vezes, o molde é desbloqueado permanentemente. Isso permite criar uma variedade imensa de combos, replicando ataques dos adversários para contra-atacar ou superar armadilhas ambientais. Deparei-me com mais de 90 tipos de inimigos, desde criaturas comuns até chefes desafiadores (as “Presas”), cujos movimentos exigem aprendizado e precisão.

Visualmente, o trabalho é conciso, com ótimas modelagens 3D. A direção de arte é única e quase autoral, utilizando cores saturadas e paletas vibrantes que dão vida aos cenários. Embora o estilo “abstrato” possa ser peculiar para alguns, ele se encaixa perfeitamente na temática incomum de Grime. Em certos momentos, a variedade impressiona; em outros, algumas áreas podem parecer visualmente familiares, mas o conjunto da obra é muito satisfatório.

O jogo apresenta uma língua própria com uma sonoridade muito agradável. A sonoplastia é precisa, oferecendo um feedback auditivo coerente para cada impacto e movimento. A trilha sonora acompanha bem a atmosfera: é minimalista durante a exploração, acentuando a solidão do mundo, e torna-se encorpada e intensa durante os embates contra os chefes, transmitindo exatamente a urgência que o momento pede.

Veredito

Grime II é uma evolução natural e refinada do subgênero “Soulsvania”. Ao unir a exploração recompensadora de um mapa vasto com a mecânica criativa de moldes e absorção de inimigos, o título entrega uma identidade própria e mecânicas responsivas. Com uma direção de arte abstrata e trilha sonora imersiva, o jogo é uma escolha obrigatória para fãs de desafios técnicos e narrativas fragmentadas que buscam uma experiência atmosférica e moderna.

Nota

9

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Kwalee Ltd para PlayStation 5.

Anterior

Próximo Post

Procurar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...