Aggelos 2: a história do anjo que caiu do céu e conheceu a força das trevas

Washington "MeuGameB" DiasAnálises27/08/2026112 Visualizações

Aggelos é um RPG de ação e aventura lançado em 2018, desenvolvido pelo estúdio francês Storybird Studio e publicado pela PQube. O título homenageou os clássicos da era 16-bits — com forte inspiração nas franquias Wonder Boy / Monster World e Zelda II: The Adventure of Link —, combinando a estética visual e sonora do SEGA Genesis/Mega Drive a mecânicas modernas de combate e navegação no estilo Metroidvania.

Narrativa

A trama do jogo original resgatou a estrutura clássica dos RPGs de fantasia dos anos 90, priorizando a nostalgia e a simplicidade. O reino de Lúmen era ameaçado por criaturas de outra dimensão lideradas por Valgress. O jogador assumia o papel de um jovem herói encarregado de cumprir uma antiga profecia: resgatar a Princesa Lyra e recuperar quatro relíquias elementais (Terra, Água, Ar e Fogo) para restaurar o equilíbrio global.

Desenvolvimento e Recepção

A produção buscou criar uma experiência visual e sensorial autêntica da era 16-bits, mas sem as limitações técnicas da época, como comandos rígidos ou escassez de pontos de salvamento. A trilha sonora foi composta para emular o chip de áudio Yamaha YM2612 do Mega Drive, garantindo uma atmosfera chiptune fiel. Lançado para PC em maio de 2018 e posteriormente para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One em 2019, o título foi aclamado pela crítica pela fluidez do combate e pelo level design intuitivo.

A evolução do estúdio e a história do anjo caído

​Oito anos após o lançamento do original, Aggelos 2 dá continuidade ao legado da franquia. A antiga Storybird Studio, agora rebatizada como Wonderboy Bobi Games, assume o desenvolvimento em parceria com a PQube. Essa transição de nome reflete não apenas o amadurecimento técnico do time, mas a consolidação de sua identidade na produção de experiências retrô.

​A história de Aggelos 2 resgata acontecimentos remotos, quando o anjo de alta patente Aggelos foi enviado pelo deus menor Balro ao reino da divindade suprema, Lúmen. Sua missão era resgatar a princesa Lys e derrotar a entidade maligna conhecida como Dilúvio. Séculos mais tarde, um conflito entre as divindades resultou no exílio de Lúmen. Mil anos após a derrota do Dilúvio, as sombras reaparecem e o exército das trevas inicia um ataque avassalador. Convocado novamente, Aggelos é enviado em busca da ajuda de Lúmen.

​Logo na abertura desta nova jornada, o anjo sofre um ataque surpresa, despenca dos céus e perde seus equipamentos — ponto em que o jogador assume o controle.

​Ao recobrar a consciência, o objetivo inicial é recuperar o arsenal perdido. Após uma breve exploração, localizamos um bracelete capaz de disparar projéteis (em uma clara homenagem à mecânica clássica de Mega Man). Mais adiante, encontramos Astra, um anjo defensor de Lúmen que nos alerta sobre a gravidade de nossa presença ali, revelando que o ataque aéreo ocorreu por engano durante uma ação defensiva. Astra devolve nossa espada, indica a localização de uma estátua celestial capaz de regenerar nossas asas e sugere uma visita a Badu, no antigo castelo, para o aprendizado de novas habilidades.

​Seguindo as instruções, a progressão flui organicamente através de exploração, resolução de quebra-cabeças ambientais e confrontos. Ao alcançar um pequeno vilarejo, encontramos o primeiro ponto para realizar melhorias no personagem em troca de orbes (a moeda do jogo obtida ao derrotar inimigos).

​Após cruzar uma passagem subterrânea e derrotar um guardião, adentramos o recinto de Badu. O anfitrião elogia nossa vitória e nos questiona sobre o poder emanado por Astra. Sem aviso, Badu desfere um ataque surpresa, engrenando um evento reviravolta que expande tanto a narrativa quanto as mecânicas de jogo.

O loop de gameplay e a transformação sombria

​Aggelos 2 preserva a essência de seu antecessor, consolidando-se como um Metroidvania tradicional com foco na exploração de um mundo interconectado.

​Decorrente do confronto com Badu, o protagonista adquire uma forma sombria. Essa transformação permite acessar fendas temporais e alternar entre o mundo comum e o mundo das trevas instantaneamente ao toque de um botão. Além do impacto visual, a mecânica concede poderes exclusivos e introduz uma dinâmica de alternância tática essencial para a resolução de puzzles e batalhas.

​Em ambas as formas, o arsenal base inclui:

  • Bracelete de projéteis: Voltado para combates à distância.
  • Ataques corpo a corpo com a espada: Permitem aparar e absorver projéteis inimigos.
  • Planio celestial: Permite flutuar temporariamente para vencer grandes vãos.
  • Gancho multifacetado: Combinável com pergaminhos para ativar habilidades únicas de navegação.

Todas as habilidades suportam melhorias que ampliam a agilidade do personagem e alteram sua estética. A progressão do protagonista envolve o gerenciamento de atributos chave: barras de vida e magia, capacidade da bolsa de orbes, tanques de cura extra e upgrades diretos de ataque e defesa. Adicionalmente, o mapa esconde coletáveis únicos (ovos) que, quando entregues ao local correto, concedem recompensas permanentes e incentivo extra à exploração.

Aspectos técnicos, gráficos e direção de arte

​No âmbito técnico, Aggelos 2 apresenta um salto evolutivo notável. Os gráficos mantêm a essência dos clássicos de 16-bits, empregando uma pixel art extremamente caprichada, com iluminação moderna e animações mais fluidas que garantem excelente leitura de tela durante os combates. A interface (HUD) é limpa e funcional.

​Analisando a versão de PlayStation 5, o jogo opera na maior parte do tempo em 60 FPS cravados e resolução 4K limpa. No entanto, o título ainda apresenta engasgos pontuais, pequenas quedas de desempenho e bugs ocasionais em cenários com grande acúmulo de inimigos e efeitos visuais simultâneos — pontos que demandam correção via patches de atualização.

​A interação com o controle DualSense entrega uma resposta tátil justa nos impactos de espada e disparos do bracelete, embora ainda num nível discreto de implementação.

Trilha sonora e Feedback auditivo

A trilha sonora é um dos pontos altíssimos da obra. Emulando com maestria o estilo chiptune da era Mega Drive, as composições entregam melodias envolventes, marcantes e altamente nostálgicas. Os efeitos sonoros complementam o pacote com excelente feedback auditivo a cada golpe desferido ou habilidade ativada.

Considerações finais

​Aggelos 2 é um título com endereço certo. Cada detalhe da obra foi concebido para impactar diretamente os entusiastas da era 16-bits e dos portáteis das décadas de 90 e 2000, como o Game Boy Advance. Trata-se de uma verdadeira carta de amor aos fãs da SEGA e da Nintendo, evocando memórias imediatas de clássicos como Demon’s Crest e Wonder Boy.

​A narrativa cumpre bem o seu papel, a jogabilidade é precisa e a trilha sonora fixa na cabeça instantaneamente. Apesar de tropeçar em pequenos problemas de desempenho no PS5 e adotar uma postura excessivamente conservadora em relação às suas inspirações — o que diminui um pouco o senso de identidade própria na metade final da campanha —, o saldo é amplamente positivo.

​Para os órfãos do gênero retrô, Aggelos 2 é uma adição indispensável à biblioteca.

Pontos Fortes:

  • Gameplay Preciso e Fluido: A adição da alternância para a forma sombria e a expansão de habilidades enriquecem o level design e a resolução de puzzles.
  • Apresentação Visual e Sonora: Pixel art refinada acompanhada de uma trilha chiptune envolvente que emula perfeitamente a identidade do SEGA Genesis/Mega Drive.
  • Nostalgia Bem Executada: Evoca com maestria o charme de clássicos como Wonder Boy e Demon’s Crest.

​Pontos Fracos:

  • Desempenho Inconstante: Apresenta pequenos engasgos, quedas pontuais de taxa de quadros e bugs ocasionais em momentos de ação intensa.
  • Falta de Identidade Própria: A postura excessivamente conservadora em relação às suas inspirações reduz a originalidade na reta final do jogo.

Veredito

Aggelos 2 é uma sequência sólida e nostálgica que honra os Metroidvanias retrô, recomendada para fãs de jogos de ação e aventura em 16-bits.

Nota

8

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela PQube para PlayStation 5. O título possui localização para Português e também está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).

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