Granblue Fantasy: Relink: história boa, combate excelente

Jackson FrançaAnálises24/08/202673 Visualizações

A franquia Granblue Fantasy surgiu primeiramente com um jogo lançado em 2014, no Japão inicialmente para Android, iOS e navegadores web pela Cygames, uma empresa já conhecida por desenvolver diversos títulos para dispositivos móveis, como Rage of Bahamut, The Idolmaster Cinderella Girls, Dragon Quest Monsters: Super Light, entre vários outros.

Com o crescimento da franquia Granblue Fantasy, Cygames fez uma parceria com a PlatinumGames (MadWorld, Bayonetta, Vanquish, Metal Gear Rising: Revengeance) e anunciou o próximo jogo da franquia em 2016, com o nome provisório de Project Re:Link, para consoles. Em 2019, Cygames rompeu a parceria e começa a realizar o desenvolvimento do título internamente, em seus próprios estúdios.

Após diversos adiamentos e anos conturbados de desenvolvimento, Cygames finalmente lançou um dos seus projetos mais aguardados pelo público da franquia. Project Re:Link tornou-se Granblue Fantasy: Relink, sendo lançado oficialmente em 2024.

Os aeroviajantes de Zegagrande

Em Granblue Fantasy: Relink, estamos viajando por Zegagrande utilizando Grandcypher, o nosso dirigível, ao lado de nossa tripulação. No título, somos o Capitão, sendo que podemos escolher o sexo do protagonista, sendo Gran, o garoto, e Djeeta, a garota.

O início da nossa aventura se dá enquanto viajamos por Zegagrande em nosso dirigível, e somos atacados por uma horda de Wyverns. Durante tal ataque, conseguimos diminuir a quantidade de monstros e vamos correndo para Lyria, uma garota de cabelos azuis longos com a capacidade de invocar feras primordiais, e invocamos Bahamut, do qual lança uma ataque poderoso em direção ao que sobrou da horda que estavam nos céus. Porém, Bahamut não desaparece, e um círculo mágico aparece em suas costas, deixando-o descontrolado, fazendo-o se libertar das suas amarras que o prendem devido o seu grande poder.

Bahamut começa a atacar Grandcypher, e nós, começamos a lutar contra o mesmo, até que, após muita luta, avançamos com uma investida com o nosso dirigível, fazendo Bahamut ficar atordado, e enfim, desaparecendo. Porém, após o desgaste, Lyria desmaia e fica próxima de cair de Grandcypher, e corremos para socorre-la, seguramos a sua mão, inclusive com Vyrn, um pequeno dragão vermelho de nossa tripulação, tentando nos ajudar a evitar a queda, mas sem sucesso algum.

Nós acabamos acordando em uma floresta próxima da cidade de Folca, e ao caminho da mesma, encontramos o restante da nossa tripulação, da qual veio em nosso resgate. Chegando na cidade, escutamos rumores de que existem outros seres primordiais que estão próximos, que também estão descontrolados, similar ao que ocorreu anteriormente com Bahamut. Com isto em mente, partimos em direção a um deles, para investigar o que pode estar ocorrendo com tantos primevos estarem atacando de forma descontrolada.

O mundo de Granblue Fantasy: Relink

Granblue Fantasy: Relink se passa no Espaço Celeste de Zegagrande, um arquipélago de ilhas que flutuam no céu, e devido a isso, os próprios viajantes recebem o título de Aeroviajantes, por utilizarem dirigíveis para se locomover entre tais ilhas. Tal arquipélago é referenciado dentro da franquia como o “Mundo dos céus”.

A história do título gira em torno das feras primordiais, das quais são conhecidas como primevos. Tais feras possuem um absurdo poder de destruição, sendo capazes de destruir ilhas inteiras em um piscar de olhos. Normalmente, primevos não atacam a menos que sejam incomodadas, ficando usualmente isoladas em seus habitats.

O desenvolvimento da história de Relink se dá ao visitar as ilhas e ir atrás de tais feras primordiais que estão descontroladas. Claro, isso de forma muito bem resumida, apesar de ter toda uma história por trás do por quê estão assim, mas não chega a ser muito bem elaborada, pois acaba que é uma repetição de acontecimentos, que não chega a ser muito interessante, ficando assim, repetitiva.

Combinações e muitas possibilidades para jogar

Um dos pontos mais fortes que podemos dizer de Ganblue Fantasy, é o seu combate, do qual é muito fluído, fornecendo uma boa quantidade de personagens a disposição do jogador, possibilitando assim, uma quantidade enorme de combinações de grupos que podemos formar durante o jogo. O título oferece 19 personagens jogáveis, sendo que alguns destes foram adicionados através de atualizações das quais o jogo recebeu após seu lançamento. Cada personagem tem seu próprio estilo de jogo e conjunto de habilidades, se diferenciando, como alguns que usam ataques a distância ou corpo a corpo, ataques mais rápidos ou mais lentos.

Antes de se aprofundas mais ainda, é necessário dizer que, o jogo nos permite ter um grupo de até 4 personagens, sendo que nós controlamos o primeiro do grupo, e a inteligência artificial do jogo irá controlar os outros três membros participantes da equipe. Há momentos do qual que o jogo obriga o jogador a utilizar uma combinação certa, devido a progressão da história, mas fora desta obrigação, a escolhe é livre.

Combate simples, mas muito eficaz

Quando joguei a demo de Relink, confesso que achei o jogo um pouco confuso e muito poluído, talvez seja por possuir uma equipe extremamente forte, sendo assim, a CPU soltava muitas habilidades nos inimigos, e tinha aquela quantidade enorme de elementos na tela. Porém, a minha experiência foi bem diferente quando realmente joguei o título.

O controles de combate do título é bem simples quando comparado a outros jogos de ação, sendo assim, é extremamente fácil de você decorar, usar habilidades e itens durante lutas.

Como dito anteriormente, o jogo possibilita que nós tenhamos até 4 personagens em uma mesma equipe, e nós podemos designar as suas habilidades que utilizarão no menu, limitando-se a quatro habilidades que podem usar. As habilidades podem ser utilizadas e designadas para os botões R1 + botões de ação (xis, quadrado, triângulo e círculo). Essa possibilidade de uso rápido torna o combate muito dinâmico, além de não fazer com que o próprio jogador acabe usando alguma habilidade de maneira indevida

Durante o combate, existem diversas coisas que podem ocorrer ou acontecer, como Artes Celestiais, Break, Overdrive, Time Link e Ataques Conectados.

As ações Time Link (TL) e Ataque Conectado (AC) andam juntos de uma forma, que fornecem uma grande vantagem ao jogador para causar dano a inimigos. O AC ocorre quando uma barra azul do inimigo (que é preenchida ao sofrer dano) é totalmente preenchida, fazendo com que apertamos o botão círculo (exclusivo do Ataque Conectado) e os quatro membros do grupo realizam um ataque concentrando em um único no inimigo. Já no caso do Time Link, ele depende do AC para conseguir ser ativado. Além de preencher uma porcentagem (0 até 100%), ele necessita que os quatro membros da equipe ataquem o mesmo inimigo, e assim, desacelera o tempo para todos os inimigos, abrindo uma janela para ataca-los sem sofrer dano. Quanto mais atacar, mais vai preencher a barra de Time Link (após ativar), porém vai decair mais rápido.

A Arte Celestial é basicamente uma habilidade suprema de cada personagem, da qual deve-se preencher uma barra abaixo da vida do personagem (pode aumentar a rapidez do preenchimento) ao atacar inimigos. Tal habilidade causa um dano extremamente alto. Caso os quatro personagens lancem suas habilidades, uma atrás da outra, é possível ativar o Full Burst, do qual os membros da equipe realizam um ataque conjunto causando um dano maior ainda.

Overdrive e Break são dois estados exclusivos para inimigos do tipo chefes, dos quais Overdrive é alcançado ao estarmos causando dano ao monstro, preenchendo a sua barra amarela. Tal estado fornece ao inimigo maios dano, além de fazer o mesmo utilizar habilidades diferentes. Break ocorre quando a barra de Overdrive acaba, e o chefe fica por um tempo, parado, sem se mexer, como se fosse um estado de exaustão.

Builds e mais builds

Com a possibilidade de termos uma quantidade enorme de personagens no título, podemos também equipá-los e deixá-los como nós bem entendermos. Quer mais ataque? Mais vida? Encher mais rápido a barra de Ataque Celestial? O jogo te possibilita tudo isso.

Granblue Fantasy: Relink nos permite montar builds de diversas formas, permitindo alterar as armas, equipar sigilos, distribuir pontos na árvore de maestria de cada personagem, entre outras coisas.

Sigilos são uma espécie de Runas que podem ser equipados nos personagens para garantir vantagens, como maior ataque, maior vida, aumentar o preenchimento da barra de Ataque Celestial, dentre vários outros. Existem os básicos, que lhe fornecem somente uma vantagem (cada vantagem possui nível, iniciando-se no 1, podendo chegar a 30 ou ir muito além), e outros mais raros podem lhe fornecer além da vantagem específica, uma secundária. É possível equipar mais de um Sigilo do mesmo tipo, por exemplo, é possível equipar dois Tirania V. O nível de cada Sigilo se soma, pois não é possível alcançar o máximo do nível permitido com um só, melhorando mais ainda as estatísticas dos personagens.

Além dos Sigilos, Relink permite também que melhorar as nossas armas. É possível melhorar nível das armas dos personagens, ganhando melhores estatísticas, como vida e ataque. E claro, podemos encantar as mesmas, dando-lhes estatísticas similares aos Sigilos ao imbuirmos com as Pedras de Encantamentos, diversificando mais ainda as builds.

A árvore de maestria, é basicamente uma árvore que lhe permite adquirir novas habilidades além de lhe conceder melhora de estatísticas, como vida, ataque, aumento de duração de debuffs, melhorar o dano de habilidades, etc.

Uma repetição sem fim

A história principal de Granblue Fantasy: Relink tem uma duração aproximada de 17 horas, dependendo do ritmo do próprio jogador, porém ainda ocorre de ter alguns Capítulos Extras (Pós-Game), dos quais continuam mais ainda a aventura e a história dos próprios personagens e da tripulação da Grandcypher. Tais capítulos extras conseguem estender a jogatina para algo próximo de 40 horas facilmente.

Essas horas adicionais não são exatamente de pura diversão, pois acaba sendo uma repetição extremamente cansativa de missões das quais já concluímos anteriormente durante a campanha do título, apresentando chefes em outras localidades, com os mesmos visuais ou pouquíssimas alterações, porém com maior força ou padrões de ataque um pouco diferentes. Sendo assim, cada conjunto de missão que temos que fazer, acaba sendo demorado e cansativo para pouquíssimo progresso que nos dão em troca.

Ou seja, após concluir a campanha principal, vamos para o Balcão de Missões localizado em um dos HUBs (cidade de Folca) disponíveis no jogo, e lá vamos iniciar uma missão que pode variar de dificuldade, começando no fácil até os níveis mais altos (como Extremo e Insano, por exemplo). O objetivo destas missões normalmente são para matar horas de monstros ou para matar alguns chefes que voltaram. Vamos ficar fazendo dezenas de missões, para que, após uma certa quantidade, iremos assistir uma cena curtíssima que mal mostram andamento da história.

E tais missões normalmente sobem um pouco o Poder necessário para conseguir fazer sem dificuldades. Se a diferença de poder for bem grande, ou você irá demorar muito tempo para derrotar ou sofrerá muito dano, impossibilitando de concluir. Sendo que, caso tal diferença de poder entre o personagem e o recomendado para missão seja grande, a dificuldade aumenta de forma artificial. Pois caso você melhore o personagem bem pouco, já se aproximando do nível de Poder necessário, a dificuldade cai drasticamente, mas se você não tem como melhorar, vai ser forçado a repetir missões anteriores para obter itens para melhorar seus equipamentos. Ou seja, o famoso “grind”.

Veredito

Granblue Fantasy: Relink nos apresenta um título com um combate muito dinâmico e divertido, sendo este o seu ponto forte, com uma gama muito ampla de gameplay com os diversos personagens disponíveis. Porém, com a falta de um senso de progressão para finalizar a história, se tornando arrastada, e ver os seus acontecimentos finais, acaba por se tornar uma tarefa muito cansativa, o que pode afastar alguns jogadores.

Nota

8

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Cygames para PlayStation 5. O título possui localização para Português, e está disponível também para PlayStation 4, Nintendo Switch 2 e PC (Steam).

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