Resident Evil Requiem – Análise

Welber SilvaAnálises12/03/202659 Visualizações

Resident Evil Requiem chega como mais um capítulo importante de uma das séries mais influentes do gênero survival horror. Após décadas explorando diferentes estilos dentro do gênero, a saga continua tentando equilibrar tradição e inovação — e o novo título parece entender bem esse desafio.

Celebrando cerca de três décadas da franquia Resident Evil, este mais novo título aposta em uma abordagem que mistura investigação, tensão e ação intensa. E o resultado obtido é uma experiência que busca agradar tanto fãs antigos, quanto novos jogadores.

A trama acompanha duas perspectivas principais. De um lado temos Grace Ashcroft, agente do FBI enviada para investigar um caso misterioso ligado a eventos sombrios do passado. Do outro está Leon S. Kennedy, um dos personagens mais conhecidos e antigos da série, que retorna à história em uma missão paralela. A narrativa alterna entre esses dois protagonistas, criando um ritmo interessante ao longo da campanha. Cada personagem possui seu próprio foco narrativo e estilo de gameplay, o que ajuda a manter a experiência variada.

Esse contraste também evita que a presença de Leon ofusque a nova protagonista, Grace, da qual possui espaço para se desenvolver dentro do título, sem parecer apenas um complemento para personagens clássicos da franquia.

Resident Evil Requiem começa com a investigadora Grace sendo enviada para apurar uma série de desaparecimentos misteriosos em uma região isolada. O caso, aparentemente, não tem ligação clara entre as vítimas, mas todos os eventos parecem convergir para o mesmo local, o que leva a protagonista a iniciar uma investigação no local.

Durante a exploração inicial, o jogo aposta na construção de suspense, com ambientes vazios, pistas espalhadas e sinais de que algo estranho aconteceu recentemente. Aos poucos, Grace encontra indícios de que algumas das pessoas desaparecidas podem ter sido levadas para um prédio da região.

Ao entrar no local para continuar a investigação, a tensão aumenta rapidamente. O lugar parece abandonado, mas pequenos detalhes e ruídos indicam que há algo errado. A situação foge completamente do controle quando Grace é surpreendida e acaba sendo capturada.

Após esse momento, ela desperta em um lugar desconhecido e percebe que se tornou parte do mesmo mistério que estava tentando resolver. A partir daí, o jogo deixa claro que a investigação inicial se transforma em uma luta pela sobrevivência, estabelecendo o clima de tensão e horror que guia o restante da experiência.

Um dos aspectos mais interessantes do jogo é como cada protagonista representa um lado diferente da série. As seções protagonizadas por Grace têm um ritmo mais lento e tenso. A exploração dos cenários, a escassez de recursos e a sensação constante de vulnerabilidade reforçam o clima clássico de survival horror já conhecido da franquia.

Já quando Leon entra em cena, o tom muda. O combate ganha mais destaque e o ritmo se torna mais dinâmico, lembrando a abordagem mais voltada para ação que marcou alguns títulos anteriores da franquia. Essa divisão cria uma dinâmica que mistura o espírito de jogos mais focados em terror com momentos mais intensos de combate.

Outro detalhe interessante, é a possibilidade de alternar entre primeira e terceira pessoa, algo que altera completamente a forma como o jogador percebe o ambiente. Enquanto a câmera em primeira pessoa aumenta a tensão e a sensação de proximidade com o perigo, a visão em terceira pessoa facilita o combate e a leitura do cenário.

Visualmente, o jogo impressiona, e com a RE Engine, a Capcom consegue entregar cenários detalhados, iluminação realista e ambientes densos que ajudam a construir a atmosfera de terror. A iluminação, em especial, tem um papel importante na ambientação. Luz e sombra não servem apenas para estética — elas contribuem diretamente para a sensação de perigo e incerteza durante a exploração. Além disso, os cenários apresentam variedade e consistência de qualidade ao longo da campanha, algo que ajuda a manter o interesse durante toda a jornada.

Apesar de apresentar ideias interessantes e expandir o universo da franquia, a narrativa não está livre de problemas. Alguns personagens secundários surgem com potencial narrativo, mas acabam não recebendo desenvolvimento suficiente ao longo da história. Isso cria a sensação de que certas ideias poderiam ter sido melhor exploradas. Mesmo assim, o enredo consegue manter momentos marcantes e um tom que dialoga diretamente com a mitologia da série.

A performance de Resident Evil Requiem no PlayStation 5 Pro se destaca pela boa otimização. O jogo oferece modos gráficos que priorizam qualidade visual ou maior taxa de quadros.

O título inicia-se no modo qualidade, do qual roda próximo de 4K a 60 FPS com Ray Tracing ativo utilizando a versão 2.0 do PSSR (PlayStation Spectral Super Resolution), garantindo iluminação e reflexos mais realistas, e sendo o primeiro jogar a utilizar tal versão. E ao desligar o Ray Tracing, o jogo é executado em uma resolução menor, priorizando a fluidez, e permitindo taxas que podem chegar a 120 FPS em telas compatíveis.

Mesmo priorizando desempenho, o jogo mantém alto nível de detalhes em cenários, personagens e efeitos de iluminação. No geral, Resident Evil Requiem entrega uma experiência estável e bem otimizada no PS5 Pro, oferecendo boas opções tanto para quem busca fidelidade gráfica quanto para quem prefere jogabilidade mais fluida.

O sistema de dano nos inimigos também chama atenção, com animações detalhadas e impactos visuais que aumentam a intensidade dos confrontos. Tudo isso ajuda a tornar o combate mais visceral e reforça a sensação de perigo constante.

Resident Evil Requiem consegue reunir muitos elementos que definiram o sucesso da franquia ao longo dos anos. A mistura de terror, ação e exploração funciona bem na maior parte do tempo, e a alternância entre personagens mantém o ritmo da campanha interessante. Apesar de algumas falhas na narrativa e oportunidades pouco exploradas, o jogo entrega uma experiência sólida e demonstra que a série ainda tem fôlego para continuar evoluindo. Para fãs de survival horror — e especialmente para quem acompanha a saga há anos — este é mais um capítulo que vale a pena conferir.

Veredito

Resident Evil Requiem consegue reunir muitos elementos que definiram o sucesso da franquia ao longo dos anos. A mistura de terror, ação e exploração funciona bem na maior parte do tempo, e a alternância entre personagens mantém o ritmo da campanha interessante. Apesar de algumas falhas na narrativa e oportunidades pouco exploradas, o jogo entrega uma experiência sólida e demonstra que a série ainda tem fôlego para continuar evoluindo. Para fãs de survival horror — e especialmente para quem acompanha a saga há anos — este é mais um capítulo que vale a pena conferir.

Nota

9

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para PlayStation 5 PRO.

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