
Sendo uma criança que cresceu no final dos anos 90 e início dos anos 2000, muitos dos desenhos que passavam na televisão eram tudo de origem japonesa, como Pokémon, Dragon Ball Z, Yu-Gi-Oh e Digimon. E principalmente este último, foi o que eu mais gostava de assistir, do qual tentava sempre faltar na escola para assistir algum episódio, dando desculpa para meus pais, e conseguia às vezes.
Os monstrinhos de bolsos digitais surgiram como tamagotchis no Japão (anos 90), onde tínhamos que cuidar e dar alimentos para que pudessem sobreviver e crescer, mas que evoluiu para uma franquia que vem se expandindo, adaptando o seu próprio universo nas mídias das quais está, e acaba de ganhar mais um jogo na sua longa lista de títulos já publicados: Digimon Story Time Stranger.
A franquia de jogos de Digimon é tipicamente dividida com subfranquais, como World, onde os jogadores devem cuidar e treinar os Digimons como era com tamagotchis, e Story, do qual vai mais para o lado do RPG tradicional.

Neste mais novo título, somos um agente de ADAMAS (Departamento de Investigação Especial de Fenômenos Anômalos), do qual investiga anomalias referentes a Digimon. Com isto em mente, somos enviados a Tóquio para investigar uma anomalia, e acabamos recebendo um chamado de socorro de uma garota misteriosa, da qual acaba se apresentando posteriormente como Inori Misono, que está perdida dentro de uma área proibida próximo ao centro da cidade, onde contém diversos Digimons. Com este chamado, partimos de encontro a ela, porém acabamos por encontrar diversos digimons perigosos para conseguir sair de lá, e em um desses encontros, aparece uma criatura extremamente gigante e misteriosa, do qual começa a canalizar um ataque, porém é acertado por um punho que sai de um portal, fazendo com que todos fossemos sugados por ele. E este evento continuou a ocorrer no presente, mas que ficou conhecido como “Inferno de Shinjuku”.
Ao acordarmos, descobrimos que fomos levados para a Tóquio de 8 anos atrás, porém para a área onde no futuro, estaria como proibida. O operador, outro agente do ADAMAS, nos situa que devemos aproveitar esta chance e fazer de tudo para evitarmos que o Inferno aconteça no futuro. Porém, as coisas acabam por ficar mais complicadas do que parecem, e ao investigar o que causou essa viagem ao passado, somos levados ao Digimundo junto de Inori. E com isto, a nossa jornada acaba de evoluir para uma aventura muito maior.

Na história de Time Stranger, como já dito anteriormente, o título utiliza a viagem temporal como seu plano de fundo para o desenvolvimento da nossa jornada, do qual somos enviados ao passado para evitar acontecimentos do futuro. A forma da qual o jogo utiliza isto em seu plano de fundo é muito bem aplicada, pois apesar de ser um tema que pode muito mal aproveitado, neste título, os desenvolvedores conseguiram fazer que fosse algo suave e que tenha um significado após cada viagem, cada alteração.
Durante a história, nos são apresentados diversos detalhes do mundo humano e digital, pois os Digimons em si, demonstram que os mesmos possuem suas próprias motivações, a causa pelo que lutam, não sendo somente personagens que foram colocados ali para participarem na história, mas que foram muito bem inseridos para se casarem no roteiro e terem um significado, deixando a história muito rica e amarrada. Além disso, é demonstrado o quanto o foco do jogo é nos próprios Digimons e o seu laço um com os outros, mostrando bem a felicidade, a perda, o luto, a personalidade deles, entregando uma experiência muito mais madura, assim como foi uma franquia que cresceu junto com seus fãs.
E apesar de tais pontos citados, algumas das viagens do tempo que ocorrem durante a nossa aventura acabam por serem previsíveis ao ponto de conseguirmos discernir muito bem em que ponto irá ocorrer, pois o jogo acaba por facilitar esse momento, apesar de saberem trabalhar bem com o tema.

Digimon Story Time Stranger nos entrega ao combate tradicional RPG por turnos, dos quais podemos lutar com mais de 450 monstrinhos digitais disponíveis neste título, mas com certas adaptações para deixá-lo mais dinâmico.
Vamos falar primeiramente sobre como obtemos Digimons e melhorá-los. No início do jogo, temos que escolher um entre três digimons que nos são ofertados para iniciar a nossa aventura como um agente de ADAMAS, para que possamos batalhar e seguir em frente.
Quando estamos em locais onde há Digimons, podemos executar o Digiataque, do qual faz com que o Digimon mais forte/apropriado contra aquele Digimon alvo execute um ataque, podendo nocauteá-lo ou iniciar a batalha com vantagem contra o alvo. Caso haja um nocaute, a recompensa será a mesma de caso tivesse tido uma batalha: dados para converter naquele Digimon específico. Quanto maior a conversão, maios poderoso será o Digimon ao convertê-lo. Só é possível converter o mesmo quando alcançar a taxa mínima de 100%, sendo a máxima 200%. Esse montante de conversão serve para determinar a força dele no momento em que será convertido.

Além disso, assim como é de praxe em muitos jogos de RPG de turno, temos sempre uma equipe que podemos gerenciar, da qual em alguns jogos são com personagens que podemos alterar livremente ou que são personagens fixos. Em Time Stranger, podemos colocar até três Digimons principais para ficar lutando, podendo colocando também mais três como Reserva, caso um dos principais morra, substituindo-os.
Sobre o combate de Digimon Story, além de poder realizar ataques básicos, com habilidades, consumir itens ou defender, algumas coisas são diferentes neste título. Caso você opte por utilizar um consumível para se curar, por exemplo, o seu turno com aquele Digimon não estará finalizado, mas você ainda terá a capacidade de ainda atacar neste mesmo turno. E temos também as Habilidades de Campo, da qual ao preencher o medidor de acordo com a ações que executamos com os nossos Digimons, podemos utilizar uma habilidade do agente que poderá infligir dano nos inimigos ou melhorar os atributos dos nossos Digimons temporariamente. Temos a também capacidade de realizar a troca livremente entre Digimons principais e os que estão em reserva, sem consumir turno algum.
Aliás, um ponto que merece elogio é de que, ao utilizar habilidades exclusivas de cada um dos digimons, todas elas possuem sua própria animação, sendo possível notar todo esse cuidado e dedicação que tiveram para se diferenciar de outros jogos, onde a animação utilizada é sempre a mesma.

Entrando no tópico de acessibilidade dentro do combate, é possível acelerar a rapidez das batalhas para x2, x3 e x5, do qual acelera o ritmo da batalha, fazendo com que a animação das habilidades sejam mais rápidas, porém no x5 não é mostrada as animações, só uma “pré-animação” onde já mostra o alvo recebendo dano. Também é possível fazer com a batalha possa ocorrer de maneira automática, e tal recurso pode ser ativado/desativado a qualquer momento, bastando estar dentro de uma luta.
E o que seria de um jogo de Digimon, se não fosse a capacidade de digivoluir os mesmos? Neste título, as evoluções estão ligadas ao “Ranque de Agente”, do qual vai do 1 ao 10. Quanto maior o nível da evolução, maior será o ranque solicitado, além de claro, dos atributos necessários que os Digimons devem ter para conseguir ir para o próximo estágio. Para aumentar o ranque, é necessário utilizar os “Pontos de Anomalia” em “Habilidades de Agente”, e tais pontos são adquiridos ao concluir missões principais e secundárias.
Em relação as Habilidades de Agente, elas são distribuídas em tipos do Elo do Digimon (bravura, filantropia, amigabilidade, sabedoria) e Elo da Lealdade (referente ao agente). As de Digimon podem melhorar diversas características dos Digimons daquele tipo de elo, além de diminuir os requisitos de atributo para digivoluírem. Já no caso da Lealdade, servem para aumentar a porcentagem ganha de experiência para Digimons de acordo com o nível (ex.: criança, campeão) e nível de ranque do agente ou desbloquear/fortificar habilidades de campo.
É possível também consumir um Digimon do qual você não deseja e transformá-lo em experiência para outro, para assim, aumentar o seu nível e fortificá-lo.

No quesito de exploração, temos áreas bem grandes relacionadas a exploração, principalmente no mundo digital, onde grande parte do jogo se passa. E nessas áreas, normalmente há diversos Digimons dos quais podem ser atacados com o Digiataque, como mencionado anteriormente, sendo que algumas delas precisa-se de outros Digimons que estão no cenário para conseguirmos nos locomover de forma apropriada, ou até mesmo destruindo barreiras, como rochas e estruturas. Dependendo dos locais, podemos encontrar diversos NPCs que fornecem missões secundárias e lojas (consumíveis, habilidades, roupas).
Existe também o Teatro Limiar, que é uma espécie de Velvet Room da série Persona, onde podemos depositar/retirar nossos Digimons na Digifazenda para treiná-los, aumentando os atributos através de treinamentos, e que tais treinamentos podem alterar a personalidade do Digimon. A entrada para o Teatro está espalhada em todo canto do jogo, onde parece um raio de luz, e ao interagir, surge uma porta maior que nos leva até lá.
O jogo também nos entrega uma série de desafios com as Masmorras Externas, que estão espalhadas pelo mundo real e digital, que consistem de desafios, como sobreviver por determinado tempo, matar uma quantidade de Digimon, dentre outros. Além disto, há também as condições especiais que te recompensam com outra premiação diferente da padrão ao concluir o desafio.
Digimon Story: Time Stranger nos entrega um jogo RPG que qualquer fã da série dos monstrinhos digitais poderiam desejar, com uma história muito bem elaborada, apesar de se estender um pouco mais do que deveria, mas com uma quantidade enorme de Digimons disponíveis e com mecânicas totalmente viciantes.
9.5
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Bandai Namco para PlayStation 5.