
Ambientada em uma Polônia Socialista e fictícia de 1981, Cronos: The New Dawn é um jogo de sobrevivência e horror, com jogabilidade de Tiro em Terceira Pessoa (TPS), que mistura elementos e gameplay tanto de Resident Evil quanto de Dead Space, e as vezes até um pouquinho de Silent Hill em sua fórmula, tendo como temática retro futurista e viagens no tempo.
Depois do grande sucesso obtido em 2024 com o lançamento de Silent Hill 2 Remake, essa é a mais nova aposta da produtora polonesa Bloober Team, sendo uma propriedade intelectual totalmente nova, para confirmar a evolução e o conhecimento que a desenvolvedora vem acumulando ao longo dos anos, mas será que ela conseguiu?
Em um mundo macabro e repleto de brutalidade, Cronos nos joga na pele do Viajante ND-3576, um agente a serviço d’O Coletivo, o ser superior deste mundo. É dito que o nosso antecessor parou de funcionar e precisamos despertar para encontrar o Viajante antecessor, o ND-3500, para que possamos recuperar sua Âncora, pois ela nos permitirá continuar nosso trabalho.

Depois de um breve teste padrão de reconhecimento de imagens e de um questionário de perguntas e respostas feita pela IA a bordo do nosso sarcófago de viagem, recebemos o benefício da relíquia, uma lâmina mutante com o codinome EPH-611, que funciona como nossa arma de fogo a distância, e de perto, uma lâmina cortante, um presente oferecido pelo Coletivo para iniciarmos nossa missão.
Após atiramos na trava emperrada do Sarcófago e sairmos para fora, iniciamos nosso diário de bordo, triangulando a última localização do Viajante antecessor e para iniciarmos a busca. O mundo está em ruínas, cinza e morto, com ar e atmosfera densa nada convidativa, acompanhado de refletores de luz em meio a névoa para nos orientar o caminho, vemos várias cruzes de madeira cravadas no solo e passamos por um quadro de informações de pessoas desaparecidas, logo adiante, encontramos uma construção caindo aos pedaços com um portão de aço fechado, e ao lado, um segundo quadro com um alerta deixado pelo governo com diversas informações de precauções:
CAMADAS DO DISTRITO DE NOVA ALVORADA
Em Cronos, o povo vive em um sistema de governo socialista, e cartazes desse tipo são vistos com frequência por toda parte durante boa parte da nossa exploração, exemplos: pedidos de denúncias de vizinhos que não cumpram às regras impostas por eles e nos perguntam sobre “o que você fez pelo distrito hoje?”. Tais cartazes estarão bem presentes, e tudo isso em meio uma epidemia mortal, com causas desconhecidas que o governo insiste em dizer que está sobre controle e que em breve eles trarão a solução.

Outras mensagens são pichadas nas paredes pela população, das quais nos dão dicas de como lidar com os infectados e de como o governo está sempre de olhos em nós, estando espalhadas por vários lugares.
Voltando a história, depois de passarmos pelo portão, subir um lance de escadas, quebrar uma barricada montada na porta, entrar por um corredor e descer um andar, nos deparamos com um caminho tomado por uma estrutura orgânica, a Biomassa, sendo que ela está em diversos lugares e servem como uma espécie de casulo para os infectados, os chamados Órfãos.
Após passarmos por tal local, espreitando-se e passando por baixo de uma abertura de uma porta quebrada, um gato assusta-se com nossa presença e corre de rompante para um cômodo ao lado, e a frente, temos outra porta, agora com um painel eletrônico que nos exige uma senha numérica. Partindo para o local onde o gato foi, encontramos a primeira pista deixada pelo nosso antecessor com as informações de seu paradeiro e a senha do painel eletrônico da porta, do qual conseguimos ao escutar um arquivo de áudio deixado por ele. Nesse mesmo local, temos o nosso primeiro ambiente seguro, que serve para salvar o nosso progresso, realizar melhorias, comprar e vender itens, além da possibilidade obtermos munições em alguns recipientes.

Depois de passarmos por sessões de exploração, combates, puzzles e plataformas, chegamos ao local indicado, a região D-31, da qual triangulamos após sairmos do sarcófago, e não muito distante, encontramos o corpo morto do Viajante ND-3500, e a sua Âncora, intacta. Próximo a ele, encontramos também nosso primeiro módulo de relíquia, que nos permite manipular e modular estrutura quebradas, criando passagens até então, inacessíveis, da qual irei descrever mais adiante. Acessando o diário de viagem do Viajante, transferimos seu último alvo e descobrimos que ele estava procurado uma pessoa chamada Edward Wiśniewski, estando localizado na região D-3 através das coordenadas deixadas por ele, próximo ao projeto habitacional, confirmando que o alvo nunca foi encontrado, e devemos continuar de onde ele parou, pois “O Destino” continua. Pegamos a Âncora e partimos em direção de onde está o nosso alvo.
Como já foi dito, Cronos: The New Dawn tem como inspiração, jogos como Resident Evil e Dead Space, e quase tudo aqui é familiar, aqui usamos o analógico esquerdo para mover o personagem, com o direito controlamos a câmera, com o botão L2 miramos e com o R2 atiramos, pressionando o mesmo R2 por um curto período até que o indicador que aparece na tela seja preenchido, efetuamos um disparado carregado independente da arma que estivermos usando. Com L1, soltamos labaredas de fogo e uma pira, uma espécie de granada de fogo, e ambas servem para queimar inimigos, imobilizando e causando dano contínuo dano por um curto período de tempo, além de impedir que cadáveres possibilitem a fusão entre dois inimigos, evitando que eles se tornem mais fortes. É possível liberarmos passagens secretas bloqueadas por um material orgânico usando fogo, e nos chefes, o mesmo expõe os pontos fracos.

Os botões R1 e R2 são usados para ataques corpo a corpo, tanto para derrotar inimigos, quanto para quebrar caixas de suprimentos, e assim que tivermos acesso às ferramentas, habilidades e o já citado, módulo de relíquia, novos comandos serão exigidos. No caso do módulo, ao apertar L2+R1, ele nos possibilita criar e desfazer pontes e elevações, materializar barris explosivos, liberar passagens secretas, das quais geralmente possuem suprimentos, energia, até colecionáveis.
Pressionando o Touchpad, conseguimos acessar o inventário e criar munições, kits de reparos, refis de combustível e muito mais, sendo possível também acessar o Filactério e outros. No caso do último citado, utilizamos ele para armazenar as essências obtidas de pessoas com conhecimentos únicos, com o limite máximo três equipadas por vez e elas nos fornecem habilidades passivas únicas, como por exemplo: a essência do Surma Antoni, que uma vez estando no Filactério, nos é fornecido o efeito passivo que aumenta consideravelmente o dano de ataques corpo a corpo.
Falando do arsenal, temos disponíveis: pistolas, escopetas, metralhadoras, fuzil e outras armas. A Pistola Espada MK-1615, a principal arma de fogo do Viajante, realize disparos convencionais no modo padrão e pode disparar tiros carregados, que além de aumentar o dano, pode perfurar, acertando mais de um inimigo com um único disparo carregado, sendo possível mutila-los. Todas as armas possuem a opção de tiros carregados com efeitos e danos específicos, podendo evoluí-las com vários atributos, como poder de fogo, estabilidade, velocidade de recarga e aumentar o cartucho de projéteis, a partir de ponto seguro com “energia”, a moeda do jogo que nós adquirimos, coletando durante a exploração de cenários ou vendendo itens valiosos. O arsenal se bem usados, vai oferecer grandes vantagens em combates.

A jogabilidade de Cronos divide-se em partes, assim como em suas inspirações, tendo em mente os comandos básicos, aqui a gente pode correr, atirar, desviar de ataques inimigos, passando por sessões de puzzles e plataformas, gerenciando recursos e espaço no inventário. Morrer aqui é extremamente fácil, pois o jogo na dificuldade normal tem uma boa dose de desafio, seja pelo combate que as vezes parece um pouco truncado devido a lenta movimentação de andar e atirar, ou pela escassez de recursos. Nas mais de 20 horas que passei jogando, morri diversas vezes, ficando sem munições, sem kits reparadores e tendo que repensar minhas estratégias, sempre voltando para ponto de ambiente seguro para guardar itens de menor importância, por falta de espaço no inventário e também para evoluir minhas armas, equipamentos e assim superar tais desafios.
Às vezes, eu simplesmente passava correndo em certos pontos, desviando dos inimigos, pois eu não via possibilidades de derrotar todos eles com o que eu tinha no inventário ou para economizar recursos para usá-los em batalhas contra chefes, que demandam mais munições e itens de recuperação, e não são nem um pouco amistosas. Tudo isso que eu citei acima, eu fiz várias e várias vezes, pois mesmo me comportando como um “Zé-lootinho”, coletando tudo que me era possível nos cenários e dos inimigos derrotados, eu morria várias vezes, mas apesar de todas as dificuldades, a sensação de ter passado por “aquela parte ou desafio” se tornava muito satisfatória e esse, para mim, foi o ponto mais alto de jogo. Existe mais aspectos sobre a jogabilidade, mas vou deixar para vocês descobrirem ao jogar, pois aqui também se faz muito presente a sensação de descoberta que é tão prestigiada por nós, jogadores.

Cronos foi desenvolvido no motor gráfico Unreal Engine 5, e no quesito estético, ele é muito bonito e bem detalhado, com várias partículas e efeitos visuais de qualidade, que transmitem muito bem a atmosfera brutal, macabra e de desolação, principalmente em ambientes fechados, onde há mais paletas de cores, em ambientes abertos, tudo é muito “cinza”, caótico e escuro, com feixes de luz aqui e ali.
No jogo, possuímos uma lanterna de peito semelhante a que temos em Silent Hill, ela possui uma certa área de alcance ao iluminar, que dá para o gasto e de certa forma, contribuindo para sensação de impotência e escondendo boa parte dos perigos mais distantes. Durante a jornada, tive um único travamento de personagem no cenário, do qual eu tive que sair e entra novamente no jogo, e em alguns momentos, senti leves quedas de quadros. Também foi notado que alguns objetos demoravam um pouco mais de tempo para carregar as texturas, mas nada disso foi impactante o suficiente para atrapalhar a jogatina, dado o histórico ruim de desempenho do motor gráfico.
A trilhas sonora é muito boa e casa muito bem com a temática do jogo e sua atmosfera, cumprindo com excelência o seu papel, com uma música calma quando não há perigo eminente, e acelerando o tom quando há, aliás, todas a sonoplastia e efeitos sonoros são de ótima qualidade, seja ao término de um confronto ou no barulho ao caminhar do personagem, os berros e grunhidos dos inimigos são assustadores e agonizantes, tudo muito competente e bem sincronizados, mas não podemos dizer o mesmo das cinemáticas, pois apesar de não serem ruins ou má dirigidas, elas não acompanham a qualidade dos demais aspectos do jogo. Lembrando que Cronos: The New Dawn, não é AAA e sim AA com orçamento limitado, feito por uma equipe pequena e sem muitos recursos disponíveis para investir.
A desenvolvedora Bloober Team conseguiu entregar um produto de qualidade com Cronos: The New Dawn, não reinventa a roda, mas cumpre bem a maioria das coisas que ele se propõe a fazer, com gráficos, efeitos de qualidade, jogabilidade consistente e uma história que prende o jogador do início ao fim. Um ponto de melhoria em seus próximos títulos deixar a jogabilidade mais fluída, pois caminhar e atirar é muito lento, parecendo que inimigos também são esponjas, não reagindo aos tiros, e possuindo pouca variação dos mesmos. O jogo já vem com um modo NG+ disponível, do qual oferece uma nova dificuldade, sendo um prato cheio para amantes do estilo Survivor Horror.
8.5
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Bloober Team e Theogames para PlayStation 5.