Lost Soul Aside – Análise

Jackson FrançaAnálises17/09/2025256 Visualizações

Em julho de 2019, fomos surpreendidos com um trailer de um projeto realizado e desenvolvido por uma única pessoa, e que tais cenas nos mostravam combates com bastante rapidez, além de um protagonista extremamente ágil durante os golpes dos quais executava em tela. E este projeto era uma das primeiras versões de Lost Soul Aside, do qual já tinha este nome desde esta época. De lá para cá, recebemos poucas atualizações deste título, além de saber que a equipe estava crescendo, e no fim, acabaram montando o estúdio chinês Ulti Zero Games, sendo este, o primeiro título deles.

Com o passar dos anos, a PlayStation acabou patrocinando o desenvolvimento deste jogo, fornecendo auxílio, além de incluí-los no projeto China Hero Project, uma incubadora de jogos promissores, na visão da empresa. Ainda assim, continuávamos a receber poucas informações e detalhes até anunciarem a real data de lançamento do jogo, do qual começaram a jogar pequenos trailers que mostravam cada vez mais do jogo. E bom, será que esses 9 anos de espera realmente valeram a pena?

Em Lost Soul Aside, acompanhamos Kaser, um membro do grupo rebelde do qual deseja derrubar o governo opressor do Imperador AltoCastro, para que a população da periferia e sua irmã mais nova, Louise e ele vivem. Para isto, seu grupo planeja um ataque para matar o imperador no dia do desfile na cidade, porém algo inesperado acontece com invasores dimensionais denominados Voidrax atacando a cidade, atrapalhando assim o plano. Com isto, um meteoro destes invasores acaba acertando onde Kaser estava e o leva até uma instalação subterrânea, e lá, ele decide libertar Arena, uma misteriosa criatura draconiana que lhe prometeu ajudar, tornando-se aliados.

Diante deste acontecimento, Kaser corre para a superfície, a fim de ajudar seus aliados, porém sua irmã tem a sua alma absorvida pelos Voidrax e cai em um sono profundo. Arena comenta que a única chance de ele conseguir fazer a sua irmã acordar e salvar a humanidade, é lutar contra esses seres dimensionais e derrotar o seu comandante.

Durante o desenrolar da história de Lost Soul Aside, eles nos apresenta temas e premissas bem interessantes para um primeiro jogo do estúdio chinês, contando um pouco sobre Kaser e sua irmã, tal como um pouco da própria história dos Voidrax, porém acaba por aqui toda a premissa proposta deste título. O desenvolvimento de tais temas que são apresentados acaba por serem nada aproveitados dado a longevidade do jogo, do qual a história acaba se arrastando muito mais do que deveria, ficando de uma forma extremamente cansada de acompanhar pela demora do desenvolvimento da mesma.

Como dito anteriormente, Kaser é o protagonista e o personagem do qual jogamos durante toda a campanha, mas acompanhado de Arena. Falando do protagonista, em diversos momentos do jogo, ele acaba interagindo com outros personagens, principalmente com Arena, porém acaba não apresentando muita personalidade, e o jogo tenta inclusive apresentar mais do seu laço com a sua irmã em flashbacks, mas não consegue fornecer ligações das quais o jogador possa se interessar, ficando bem fraco. E do outro lado, Arena não aparenta ser um personagem fraco assim como Kaser, mas demonstra que possui personalidade no desenvolver do jogo, ficando claro que esta criatura draconiana detém bastante conhecimento do passado, tal como também das criaturas Voidrax, além de claro, em alguns momentos, acaba contando algumas piadas que fazem com que o jogador acabe rindo junto.

Alguns personagens dos quais são apresentados durante o jogo, não parecem ter uma personalidade, sendo algumas bem similares entre si, ficando assim, genéricos. Além disto, o rosto de certos personagens secundários se parecem muito entre si, mudando uma coisa ali ou aqui, sendo que alguns modelos parecem não combinar por completo, como o rosto com o próprio cabelo do qual o personagem possui, ficando uma sensação estranha ao olhar para o mesmo.

Em seus trailers, Lost Soul Aside sempre mostrou um combate frenético e bem rápido, do qual Kaser desferia diversos golpes, mudando rapidamente entre um inimigo e outro, sem perder o ritmo. E isso não mudou muito no jogo final, sendo uma das únicas partes que mais brilham durante o mesmo. Durante os combos, é possível alterar rapidamente entre as armas que temos disponíveis para conseguir estender os combos, ou fazer com que os inimigos permaneçam mais tempo no ar durante um combo aéreo. Porém, não vi tanto peso ao realizar os combos, a sensação de realmente “sentir” que estamos atacando um inimigo propriamente, pois estava parecendo que batíamos em uma esponja, inclusive o próprio som que as armas faziam ao atacar os inimigos não ajudavam muito.

Além disto, temos também uma barra de defesa, digamos assim, equivalente a outros jogos que possuem uma barra de vigor ou postura. Esta mesma barra está localizada abaixo da vida dos inimigos, do qual, ao esgotar a mesma, os inimigos recebem um pouco mais de dano, além de ficarem totalmente vulneráveis e poder arremessar o mesmo no ar, dependendo do combo e do tamanho do inimigo.

E você pode usar não só seu arsenal de armas, mas também o seu arsenal de magias, mais precisamente os golpes de Arena, que aprendemos no decorrer da aventura ao interagir com cubos enormes de pedras, do qual cada um pode dar um poder novo ou fornecer uma melhoria referente a uma magia do qual já temos. Algumas das magias, parecem ser bem simples, e fiquei durante toda a jornada mais com algumas que facilitavam o meu gameplay, sem nunca sequer ter alterado para outras, pois não achava-as muito úteis, pois o jogo já não apresenta tanto desafio, até mesmo nos chefes.

Lost Soul Aside nos leva para diversos locais, em busca de Fragmentos da Alma através das Dimensões Alternativas, local onde os Voidrax armazenam as almas. E nesse meio, temos que passar por diversos locais, como ruínas de cidades, montanhas, florestas, e outros tipos de ambiente, e todos são belíssimos, sendo muito bem construídos. Porém, uma das coisas que mais me chateavam era o tamanho dos locais, dos quais se prolongavam mais do que deveriam, parecendo que sequer houve algum progresso neles, fazendo com que ficasse com um tédio absurdo durante a passagem dos mesmos.

E não só a demora do progresso, mas também a quantidade de inimigos. Neste jogo, enfrentamos diversos e diversos grupos de inimigos na aventura, porém o mesmo possui um número excessivo de inimigos elite (mais fortes), que a quase todo instante ele te joga na tela um novo inimigo elite para você derrotar sendo que nem faz muito tempo que passou por outro, diminuindo e muito o peso desse tipos que temos no jogo, e sendo que esses mesmos inimigos acabam virando depois inimigos normais, sendo derrotados com a mesma facilidade que antes já tínhamos realizado.

No jogo, também temos uma árvore de habilidade para cada arma que temos, porém cada nó da árvore parece não ter muito peso em relação ao gameplay, pois elas se resumem muito nas variações de golpes que podemos estar utilizando, podendo alterar por exemplo, o tipo do ataque ao pressionar o Triângulo enquanto está equipado com a Espada (arma inicial), que pode ser alterada de uma onda simples a distância para feixes de luz que estouram após atacar uma quantidade de vezes. A árvore em si, parece bastante pobre, pois não muda muito o que cada árvore de uma arma para outra fornece, ficando sempre na mesma.

Falando da performance do jogo, durante toda a minha campanha durante o mesmo, preferi jogar no modo performance, do qual consistia em fornecer os 60 FPS, apesar da resolução dinâmica. O jogo aparentava ficar bem consistente nessa taxa de quadros, porém em certos momentos, quando havia bastante inimigos na tela, e os mesmos soltavam diversas habilidades, possuindo assim diversos efeitos na tela, o jogo aparentava ter pequenas quedas de frames, que ao sumir tais efeitos, voltava a ter as taxas altas.

Além disso, e de forma bem aleatória, possuindo inimigos na tela ou não, e se locomovendo pelos cenários, o ocorria alguns travamentos repentinos e extremamente rápidos, do qual penso que estava carregando cenários próximos ou até mesmo realizando o salvamento automático, e isso chegou a me irritar bastante durante o jogo, pois chegaram a lançar atualizações enquanto jogava, mas nada resolvia tais travamentos repentinos.

Veredito

Lost Soul Aside é o primeiro título de um estúdio novato que tenta realizar e entregar diversas coisas ao mesmo tempo, mas nem com um combate dinâmico consegue salvar o jogo com uma história genérica, personagens e chefes nada memoráveis. Talvez, se tivessem focado em algo de um escopo menor, teriam tido um jogo mais refinado e mais bem construído.

Nota

7

Cópia do Jogo adquirido pelo redator para PS5 PRO.

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