Mandragora: Whispers of the Witch Tree – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises29/08/2025354 Visualizações

Tudo começa no salão do trono do Rei Clérigo, a maior entidade do título, e diante de uma grande plateia, você, o herói e Inquisidor, aguarda para vê o que tem dentro do enorme e misterioso sarcófago que está em sua frente, do qual o Rei exibe com orgulho. Uma vez aberto, é revelado o conteúdo do sarcófago: uma Bruxa de grande estatura, totalmente presa, acorrentada pelas extremidades do grande salão e ela está prestes a ser subjugada. Em meio a gritos de dor e um olhar de pavor, a Bruxa debate ao ser atingida por magias de luz lançadas pelo Clérigo, enquanto um coro de clamores pedem punição, você, diante de todo sofrimento da Bruxa, sai em um rompante, resolvendo interferir, lançando um golpe único e letal de lança sobre o peito da bruxa, encerrando assim, toda a dor e sofrimento que ela vinha sentido, contrariando o Rei Clérigo e deixando o povo abalado com sua ação repentina. As últimas palavras da bruxa ressoam em sua cabeça e logo em seguida, uma aura azul prateada envolve o corpo do seu personagem, o povo sem saber ao certo, mas assustados, acham que você foi corrompido, o Rei percebe os murmúrios do povo, os interrompe, dizendo-lhes que na verdade você tinha sido abençoado por Deus, e que fora necessário a intervenção do Inquisidor naquele momento.

Chamado-lhe para uma conversa em particular, e longe dos olhares do povo o Rei Clérigo em um tom ameaçador, afirma-lhe que se não fosse pelo povo, estaríamos pendurado por uma corda em volta do pescoço do lado fora do castelo, mas que ele prefere nos usar como ferramenta ao invés de nos quebrar, e naquele momento exige para irmos até uma certa localidade e capturar a irmã da Bruxa, já que a Bruxa que matamos levou consigo os segredos que ele queria descobrir.

Existem diversos NPCs espalhados pelo mapa, dos quais nos ajudam a compreender um pouco mais sobre o mundo e a historia de Mandragora: Whispers of the Witch Tree, dos quais podem até se juntar a nós em lugar específico do mapa, a Hub do jogo. E através de diálogos e fazendo certos favores, podemos saber mais de suas histórias pessoais e serão fornecidas algumas das várias missões secundárias (sidequests) que o jogo tem a oferecer. Esses mesmos NPCs serão os responsáveis por diversas as melhorias (upgrades), criação de equipamentos, armas, acessórios, comidas e poções de curas ou fortalecimento, além da possibilidade da criação de runas, que nos dará a opção de criar novos atributos e efeitos físicos ou mágicos para nossos equipamentos.

Podemos dizer que o estilo de Mandragora é um “Soulsvania”, onde a exploração se dá como de um Metroidvania, que consiste nesse caso em: uma exploração 2.5D, com caminhos distintos e interligados, que podem ou não estarem bloqueados, as vezes necessitando de uma chave específica, acionamento de uma alavanca/dispositivo ou até mesmo de uma habilidade especial como salto duplo a ser conquistada ao longo da jogatina. No combate, temos algo mais semelhante a um Soulslike, com uma Pedra da Bruxa que funciona muito semelhante às fogueiras de Dark Souls, onde uma vez ativada, serve para salvar o jogo, subir de nível, e fazer viagens rápidas entre outras localidades que serão desbloqueadas conforme você avança no jogo, além de recuperar HP, mana e fazer com que inimigos derrotados naquela área renasçam.

Os controles são simples e estão mapeados na tela do jogador, onde o botões quadrado, triângul️o e círculo servem para atacar, desde que eles estejam equipados com as habilidades de combates, sendo que elas podem ser personalizadas, e o X pula. Todos os botões de ataque necessitam de um tempo de espera (cooldown) para serem usados novamente, e o ataque especial é acionado com L2 + Quadrado, do qual utiliza o medidor de adrenalina que é preenchido durante o combate, o L1 serve para usar consumíveis e eles podem ser equipados no menu do título e selecionados com D-pad (direita, esquerda, cima e baixo), tal como alterar também os equipamentos. O R2 é usado rolar e se esquivar, R1 utilizado para deferir uma habilidade específica a ser conquistada no decorrer do jogo. Para abrir o mapa, conferir status do seu personagem, inventário, árvores de talentos, habilidades ativas, missões concluídas e em andamento, você utiliza o Touchpad. Com o analógico esquerdo você move o personagem, e com o analógico direto você olha para cima e para baixo.

E falando de classes, existem 6, são elas: Vanguarda, que nada mais é que o clássico guerreiro, vem equipado com uma Arma de uma mão (espadas retas, curvas e maça, martelos e até uma caneca de cerveja) e um escudo (Leves e Pesados) dando a possibilidade de usar inicialmente a habilidade de combate, Defletir, que é feita com o escudo e ela causa atordoamento (stun) nos inimigos ao custo de Adrenalina. Você pode equipar armas de duas mãos (espadas grandes e martelos de Guerra), dos quais são chamados de pura força, dependendo de como você distribui seus pontos na árvore de talentos, pontos esses que você conquista subindo de nível ao derrotar inimigos e coletando suas essências no mesmo modelo Souls. Essa foi a classe escolhida por mim durante minha jornada e ela tem como principais atributos: saúde, força e vigor, mas o jogador é livre a partir de certo nível, mesclar sua classe com outras, com atributos físicos e mágicos, e com as habilidades de combates de outras classes.

A classe Celestial é uma mistura de mago de luz com guerreiro, onde você equipa uma arma de uma mão e um orbe de luz, que é capaz de lança magias de luz e melhorar temporariamente (buff) sua arma com o mesmo elemento. Vigilante Selvagem, de forma similar da Celestial, ele equipa uma Arma de uma mão e um orbe elemental da natureza, podendo invocar animais selvagens como corvos, aprisionar inimigos por um curto período e até mesmo curar o seu personagem, livrado-se de status negativos. A Sombra da Noite é um Assassino, e usa como equipamentos, duas adagas e difere ataques rápidos e consecutivos a um custo baixo de Vigor, causando status negativos como sangramento, envenenamento e outros. Uma classe baseada em pura destreza.

Os Arcanistas do Caos são mestres em magias Caos, e utilizam uma arma de uma mão e um Orbe Roxo do Caos, tendo como foco, usar magias que causam enfraquecimentos nos inimigos, aumentando o dano de queimaduras, críticos, dentre outros efeitos. E por último, o Agente das Chamas, que também usa uma arma de uma mão e um Orbe com elementos de fogo, além de magias de fogo, pode reduzir a exigência de mana para lança feitiços, ressuscitar após morrer, criar fraquezas no inimigo, ignorando até 15% da resistência dos mesmo.

Durante o jogo, temos acesso a três tipos de moedas, como ouro, que serve para você comprar a maiorias dos equipamentos e fazer melhorias nas lojas dos NPCs que estão presentes na Árvore da Bruxa (o HUB), com ouro você libera ainda mais melhorias e reduz os custos de preparação e preços. Essência Azul serve para evoluir seu personagem e automaticamente ganhar postos de talentos que você gasta na Árvore de talentos, sendo coletada ao derrotar inimigos. A última e mais escassa é a Essência Dourada, que serve para evoluir as habilidades de combate, sendo só conquistada ao derrotar inimigos em mundo espectral, chamado de Entropia, e abrindo baús nesse mesmo mundo ou trocando de forma limitada com alguns NPCs utilizando Essência azul.

Ainda falando de jogabilidade e não menos importante, temos o bestiário, que fornece informações de todos os inimigos, suas localidades e itens que derrubam uma vez derrotados. Na carroça, que fica localizada na Árvore da Bruxa, temos as informações dos coletáveis e dos colecionáveis que podem ser adquiridos através da exploração do mapa, consumíveis e equipamentos diversos podem cair dos inimigos após o combate, e também através de quests e sidequests, tudo isso pode ser consultado na Bestiário e na Carroça, como as coleções de armas, armaduras e acessórios, além de poder acompanhar todas as estatísticas nos mínimos detalhes, uma ferramenta muito útil. O mapa do jogo também é outra ferramenta excelente e bem detalhada, fornecendo informações completas uma vez explorado, como a localização de minérios que servem para criação de outros itens, pontos de viagem e até mesmo a localização de subchefes e chefes, assim como as áreas da Entropia que podem acessadas por fendas, e uma vez localizadas ficam disponíveis no mapa assim como outras informações.

Classificado com um RPG de Ação, Madragora: Whispers of the Witch Tree, foi desenvolvido pela Primal Game Studio e publicado pela Knights Peak Interactive, o jogo foi desenvolvido no motor gráfico Unreal Engine 4 e tem sua trilha sonora criada e assinada por Christos Antoniou com performace da FILMharmonic Orquestra de Praga.

Em Mandragora, é possível criar e customizar seu personagem, escolhendo: sexo, cor da pele, cabelo, formato do corpo, tatuagens e tom de vozes. Tudo no jogo é muito caprichado, a direção de arte, cinemáticas e o design de personagens são excelentes, contextualizando muito bem a proposta do título e a época que ele se baseia, a idade média. A jogabilidade refinada e trilha sonora cumpre muito bem seu papel, temos também uma boa variedade de cenários, porém na parte de inimigos, o jogo acaba que por repetir diversos modelos no decorrer do jogo, e algumas lutas com subchefes e chefes repetem a aparência de inimigos derrotados previamente. Quanto a exploração, a mesma é competente, muitos colecionáveis e pontos de salvamento no jogo, além de ter jogado e platinado o título, não foram notadas quedas de performance ou sequer bugs. Uma vez finalizado, o jogo possui extras como: Novo Jogo+, Livro de Artes e Trilha Sonora. No NG+1 assim como a maioria dos Souls, a dificuldade aumenta e pequenos modificadores são adicionados, o que pode contribuir para o Fator Replay.

Em Mandragora: Whispers of the Witch, fica claro suas inspirações, pois desde a tela de início do título e, ao que parece, eles levaram as inspirações a sério, a ponto de usarem um belo Easter Egg de outro jogo muito querido por mim e pela comunidade, sendo já considerado clássico, o Salt and Sanctuary, que ao que tudo indica, deu o pontapé inicial para o que hoje conhecemos como, “Soulsvania.”

Veredito

Mandragora: Whispers of the Witch não é perfeito, mas acerta na maioria das coisas faz. O jogo tem como principais inspirações Metroidvanias e o Souls-likes, e com ambos os estilos, consegue mostrar personalidade, como uma exploração competente e um combate refinado. O excesso de inimigos repetidos e semelhantes é um dos pontos mais fracos do jogo, e a historia também não é grande coisa, não que ela seja ruim, mas ela também não vai além. E outro fator que poderia ser melhor explorado, é o mundo Entropia, que pouco adiciona na experiência e aparentemente tem grande importância para história.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia fornecida pela Primal Game Studio para PlayStation 5.

Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...