
Em Chronicles of the Wolf, jogamos na pele de Mateo Lombardo, um membro recém treinado e iniciado na organização Rosacruz. Relatos indicam que uma série de assassinatos ocorreram por uma grande Besta em um pequeno vilarejo, no sul da França. Após Mateo passar por breve treinamento (o tutorial do jogo), você e um esquadrão são enviados às pressas para o local dos acontecimentos, afim de investigar o ocorrido. Chegando, todos são surpreendidos por uma emboscada. Mateo é salvo e levado para uma estalagem por uma mulher misteriosa, trajando roupas verdes, ficando momentaneamente inconsciente. E ao acordar, é constatado que ele é único sobrevivente do esquadrão, cabendo agora que ele continue a investigação e a lidar com o males que assombram aquele pequeno vilarejo.
Depois de acordar e andar pela estalagem, O Albergue de Chastel, conversando com alguns pessoas locais, ouvido relatos sobre a poderosa e temível Besta misteriosa , o jogo começa de verdade e é lhe apresentado a primeira área do jogo, Gévaudan Norte. Já familliarizado com o local, dois caminhos distintos com vários entrocamentos e várias barreiras são visualizados, sendo que apenas um dará ao jogador a possibilidade de prosseguir naquele momento, cujo o outro só depois de adquirir certas habilidades. Chronicles of the Wolf é um Metroidvania, indie (jogo de ação e plataforma 2D), claramente inspirado por Castlevania, tanto em seus aspectos técnicos (gráficos, arte, OST e Level Design) quanto em sua jogabilidade, e isso fica evidenciado logo nos primeiros minutos de jogatina. Dito isto, nessa análise estarei expondo minha visão a respeito dessa obra que tanto me chamou atenção logo que foi anunciado.

Como já dito, CotW é um Metroidvania e como todo bom Metroidvania, ele possui algumas particularidades: um vasto arsenal de armas de curto a longo alcance, armaduras e acessórios, além de arremessáveis, itens de curas, poções mana e força, antídoto e habilidades. Falando da jogabilidade, ela é de fácil compreensão, possuindo comandos bem simples e responsivos, onde no Playstation o esquema de jogo são: botão quadrado para atacar, o X para pular, o triângulo + para cima para invocar/utilizar magias, o bola para invocar Companheiros e buffs com efeitos variados, o R1 para abrir o inventário e o Touchpad para conferir o mapa (existem outros comandos que serão desbloqueados ao avançar no jogo), os comandos básicos onde o personagem ataca para frente, para baixo, nas diagonais e para deferir ataques concentrados estão disponíveis desde o começo, assim como escalar cordas ou descer por elas.
Tudo isso somado a um bom Level Design, elevando ainda mais a experiência por horas e horas de muita jogatina, e para os mais dedicados que buscam os 100%, o jogo oferece uma boa quantidade de coletáveis dando ao jogador a possibilidade de maximizar o nível, atributos como HP (vida), Mana e outros, além das variações de finais (5 no total), possuindo ainda o modo Boss Rush ao finalizar o jogo.
O jogo também conta com um sistema relíquias, que funcionam como Companheiros já vistos em Castlevania, que uma vez acionado, é liberado um buff ou habilidade específica para o seu personagem, habilidades das quais vão facilitar um pouquinho as coisas, fortalecendo o seu personagem, até te curando ou curando status negativos, em alguns casos servem também para avançar por certas áreas do mapa e na resolução de puzzles.

O ótimo e bem vindo bestiário, também está aqui com suas respectivas informações e “item-drop” dos inimigos, e com relações a navegação e exploração do jogo, temos um belo e detalhado mapa com a marcação de locais para salvar, deslocamentos rápidos através do portais distribuídos pelo mapa, que uma vez encontrados, eles ficam marcados. Os já habituados com este estilo de jogo, vão deleitar-se com o mesmo, já que o bom e velho, “ir e vir” (backtraking) se faz muito presente, com a necessidades de específicas habilidades, chaves, itens e claro, derrotar chefões para avançar no jogo.
A dificuldade se faz presente do começo ao fim e não decepciona nem os mais experientes jogadores (eu mesmo, morri várias vezes antes de completar o jogo), com mais de 10 horas que passei explorando, senti que mesmo o meu personagem subindo de níverl, e estando com melhores esquipamentos e armas disponíveis, a dificuldade continuava lá, fazendo com que eu morresse com felicidade para novos inimigos de cenários, chefes, armadilhas em ambientes e muito disso se deve ao bom posicionamento dos inimigos dos coletaveis e a destruição de habilidades e compenions espalhadas pelos os mapas do jogo.
Na parte gráfica, Chronicles of the Wolf não faz feio e arremete bem a época (Século XVIII) com uma arte gótica, de tom sombrio com uma boa diversidade de cenários, ambientes e locais, passando por florestas, construções de época, tumbas, moinhos, quedas d’água, galerias, planíces, pântanos, castelos e mjuito mais. O jogo também possui ciclo de “dia e noite”, que pode está chovendo ou não, dando ainda mais charme. Ainda falando de gráficos, o mesmo conta com uma pixel arte bem detalhada, desenhada quadro a quadro, tendo uma boa variação de biomas, inimigos e paisagens, que parecem terem sidos desenhados a mão. Outro aspecto que chama muita atenção são as músicas, com batucadas, instrumentos de corda variados e tudo mais que jogo dessa natureza tem a oferecer, sendo músicas bem variadas honrando ainda mais suas inspirações.

Chronicles of the Wolf tem como principal inspiração os Castlevania clássicos das gerações 8 e 16 Bits, além do Castlevania Symphony of the Night, lançado para o Playstation original. Tanto na forma de contar sua história, como nas parte artística, de jogabilidade, trilha sonora e Level Design. Este jogo assemelha-se, podendo gerar inicialmente dúvidas, com relação a sua originalidade, principalmente a quem não está por dentro das novidades, trazendo duvidas aos mais leigos, principalmente por sua estética, ambientação e estrutura de combates.
Uma curiosidade, é que, um dos dubladores deste jogo, também dublou o personagem Alucard de Castlevania Symphony of the Night, tornado o jogo ainda mais agradável para fãs da série adormecida da Konami, e todas as semelhanças citadas acima, me parecem que foram feitas de forma proposital, de uma forma muito sucinta e bem executada, já que o jogo não é uma mera cópia, e faz muito bem o que ele se propõe a fazer (homenagem, com várias camadas e características próprias).
Chronicles of the Wolf é um verdadeiro deleite para fãs de jogos Metroidvania e da velha guarda das gerações 8, 16 e 32 bits. O jogo nos fornece uma experiência sólida e competente, repleta de ótimos momentos, sendo alguns inesquecíveis. O jogo não é imune a defeitos, mas são passíveis a críticas, pois alguns pontos carecem de atenção por parte da sua desenvolvedora.
8
Cópia do Jogo gentilmente cedida pela desenvolvedora Migami Games para PlayStation 5.