
O cenário de jogos indies continua provando que ainda há muito espaço para inovar dentro de gêneros clássicos. Desenvolvido pela promissora e autopublicado pela Magic Puncher Games, Sunken Realms chega oficialmente à Steam no dia 18 de setembro de 2026. Após termos um gostinho do seu potencial em uma demo de aproximadamente 45 minutos no passado, finalmente teremos o prazer de colocar as mãos na versão completa de lançamento. Diferente de muitos de seus concorrentes, o título aposta em uma fusão intrigante: a alma de um Dungeon Crawler tradicional, temperada com a velocidade de um Action RPG e o ciclo viciante dos rogue-lites. Jogando no PC utilizando o controle de Xbox, desbravar essa cidade subterrânea se provou tão recompensadora quanto desafiadora, embora algumas pedras no caminho tenham necessitado de mais paciência.

Em busca de um passado enterrado nas ruínas
O gancho narrativo de Sunken Realms não tenta reinventar a roda, mas cumpre muito bem o papel de te empurrar para frente. Controlamos um protagonista buscando respostas sobre o próprio passado, o que serve como motor para exploração de ruínas infestadas de monstros e chefes implacáveis.
O ritmo da narrativa é cadenciado de uma forma interessante: grande parte do peso da história é entregue por meio de diálogos em cutscenes com um carismático mercador em nosso acampamento, momentos que servem como respiro antes de voltarmos às dungeons. Conforme avança-se nas masmorras, a trama se desenrola no próprio loop de gameplay, fazendo com que a exploração nunca pareça vazia ou sem propósito. Surpreendentemente, as expressões faciais durante esses momentos são muito bem construídas, o que ajuda a criar empatia pelos personagens.

Sangue, suor e muitos vasos quebrados
O ciclo de gameplay é formado por um padrão viciante e recompensador: você desbrava masmorras, trucida inimigos, coleta recursos, e volta ao acampamento para transformar esse loot em upgrades e equipamentos. É aqui que até quebrar vasos no cenário durante a exploração ganha um propósito real, já que eles fornecem ouro necessário para financiar praticamente todas as suas atividades na base.
O combate divide-se entre ataques melee (corpo a corpo) e ranged (a distância), com um sistema de trava de mira (lock-on) que torna tudo bastante fluido. A movimentação responde bem, e ao se aventurar sem poções de cura torna a exploração mais cadenciada e cautelosa. No entanto, o balanceamento escorrega em alguns momentos: os arqueiros inimigos dão mais dano que o usual. Enfrentá-los sem recursos de cura torna-se um exercício de paciência. Além disso, a fluidez do combate esbarra na necessidade de polimento nas animações do protagonista, que volta e meia parecem um pouco rígidas e cortam a sensação de agilidade.

O charme indie esbarra na falta de polimento técnico
Visualmente, a direção de arte entrega um excelente mundo sombrio e muito bonito para os padrões de um estúdio independente. Há uma excelente profundidade de campo (draw distance), o que torna as descidas pela cidade subterrânea e a contemplação dos cenários bastante imponentes. A trilha sonora é outro ponto altíssimo, as composições remetem diretamente à era de ouro dos RPGs clássicos, criando uma atmosfera épica. O design de som, por outro lado, é apenas “okay”. Sente-se falta daquele feedback sonoro impactante ao acertar os golpes nos inimigos pois em alguns deles, os golpes parecem não ter peso físico. Nossa análise foi conduzida em uma máquina de ponta (Ryzen 7 9800X3D, RTX 5080 e 32GB de RAM DDR5 a 6200 MHz) e, na maior parte do tempo, a estabilidade de quadros foi impecável. Contudo, o jogo sofre com traversal stutterings sempre que entramos em uma nova
área da masmorra. É o tipo de problema que clama por uma implementação de compilação de shaders no menu inicial do jogo para ser mitigado.
Há também omissões técnicas que não podem passar batidas para os jogadores de PC atuais: o jogo peca por não oferecer opções de upscaling e geração de quadros (como DLSS, FSR ou XeSS). A falta de HDR nativo também nos frustrou, embora tenhamos conseguido remediar isso extraoficialmente utilizando o mod RenoDX HDR Extended UE5. Já os donos de monitores ultrawide terão uma experiência mista: a implementação durante a jogabilidade é excelente e imersiva, mas o suporte inexplicavelmente desaparece durante as cutscenes, inserindo faixas pretas que quebram um pouco o clima.
Em suma, Sunken Realms é um dungeon crawler com um futuro extremamente promissor que, embora ainda exija ajustes finos na curva de dificuldade (especialmente contra inimigos à distância), melhorias em seus aspectos técnicos e animações, já entrega uma base mecânica sólida e muito divertida. É o tipo de título que te prende pelo ciclo de evolução contínua, embalado por uma música nostálgica e visuais charmosos. Se você tem paciência para a punição característica do gênero, prepare-se para gastar boas horas decifrando este abismo.
8
Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Magic Puncher Games para PC (Steam). O título não possui localização em Português.