Marvel Tōkon: Fighting Souls: lutas rápidas e um combate convidativo

Jackson FrançaAnálises14/09/202690 Visualizações

Marvel Tōkon: Fighting Souls é o mais novo título da parceria de sucesso entre Sony e Marvel, após três títulos que fizeram muito sucesso (Marvel Spiderman, Marvel Spiderman Miles Morales e Marvel Spiderman 2), ambas mergulham no gênero de lutas em parceria com o estúdio Arc System Works, uma desenvolvedora já conhecida por diversos jogos neste gênero, como Guilty Gear, Dragon Ball FighterZ, Granblue Fantasy Versus dentre outros títulos.

Marvel Tōkon foi um jogo anunciado de maneira totalmente inesperada, dado que o último jogo de luta da Marvel foi em parceria com a Capcom, surgindo Marvel vs Capcom: Infinite, do qual não foi bem recebido pelos fãs ou pela crítica. Será que agora, essa parceria da qual já vem rendendo bons frutos, conseguirá repetir o mesmo sucesso?

História simples e direta

No início de Marvel Tōkon: Fighting Souls, somos apresentados a Promoter (Promotora), a responsável por escolher planetas para saciar a sede por grandes lutas de Champion. Logo no início, vemos o mesmo acabar com um planeta, e logo após isso, Champion declarando que o planeta não é digno. Após isto, a Promoter faz com que o planeta desapareça com um só balançar de cajado. Ao fim de tal ato, a mesma diz tem um planeta que deve saciar essa sede por lutas de Champion.

Após esta introdução, somos levados a outras cenas, das quais se passam como se fossem histórias em quadrinhos, acompanhando o líder da equipe que escolhemos anteriormente. Para simplificar, temos as seguintes equipes e membros:

  • Os Vingadores Avante: Capitão América (Líder), Homem de Ferro, Pantera Negra (Shuri) e Hulk
  • Os Mutantes Indomáveis: Tempestade (Líder), Magia, Wolverine e Perigo
  • Os Guardiões Incríveis: Homem-Aranha (Lider), Miss Marvel, Senhor das Estrelas e Peni Parker
  • Vanguarda Samurai: Motoqueiro Fantasma (Líder), Blade, Deadpool, Loki
  • Senhores do Destino: Doutor Destino (Líder), Magneto, Duende Verde e Carnificina

O jogo é dividido em capítulos, onde cada luta é um capítulo. Cada equipe possui um início igual, se é assim que podemos dizer, dos quais os líderes recebem os convites e enfrentam os membros da equipe a cada capítulo, onde no fim, eles são recrutados. E após recrutar todos, vamos para uma espécie de mata-mata para definir qual equipe representará a Terra e enfrentará Champion.

Além disto, cada equipe possui sua própria história em quadrinhos (HQ), sendo ilustrada por um artista diferente, não repetindo assim, o estilo artístico. Um dos nomes que reconheci logo de cara foi o de Hiro Mashima (autor de Rave Master e Fairy Tail), e acredito que seja um dos únicos mangákas (autor de mangá) que esteja dentre os artistas escolhidos para ilustrar tais histórias.

Apesar da história adotar um ciclo de lutar entre membros e depois ir no mata-mata para definir a equipe, o decorrer e a interação da qual cada equipe tem com uma, tal como com os próprios membros, chega a ser inclusive, bem cômico, deixando bem o gosto leve e divertido ao título (principalmente nas cenas com Deadpool).

Tag Team Battle diferente do padrão

Quando se pensa em um jogo de luta em equipes, o jogador já pensa que cada membro poderá ter sua própria vida, e poder mudar a vontade. Bom, em partes, isto é verídico em Fighting Souls, mas com algumas mudanças.

Em títulos mais recentes, como 2XKO, é um título de luta 2v2, mas pode ser também de 2v1, caso um dos jogadores opte por jogar com somente um lutador, mas o jogador que optar por usar somente um único personagem, terá uma vida e defesa maior quando comparado ao outro. Aqui, cada lutador tem sua própria vida e a troca entre tais personagens podem ocorrer durante combos ou fora deles.

Um outro exemplo de jogos em equipe é Ultimate Marvel vs Capcom 3, do qual é 3v3, permitindo escolher até três personagens para conseguir lutar, e similar ao 2XKO, cada personagem aqui possui também sua própria vida, mas caso você não escolha os outros membros da equipe, o jogador fica em desvantagem.

E bom, é aqui que está uma das maiores diferenças de Marvel Tōkon: sua equipe compartilha de uma única barra de vida. É isso mesmo. Apesar de você ter três membros na equipe, todos compartilham da mesma vida. Por um lado, isso pode ser bom, gerando assim, na minha opinião, lutas mais rápidas, e sem demora. E por outro, podem gerar um pouco de raiva, pois se você estiver levando uma surra de um jogador, e não conseguir alterar o personagem, vai rapidamente ver sua vida ser esvaziada.

Muito rápido e dinâmico

Quando se pensa em jogos de luta, de primeira, já penso que terei que aprender e decorar diversos combos, para conseguir me dar bem no título, mas estava bastante enganado nesse aspecto. Em Marvel Tōkon, podemos atacar com três botões (quadrado, triângulo e círculo), além de poder se movimentar usando dash e defender (direção oposta que está olhando), como muitos jogos de luta.

Os controles simplificados são bem convidativos para pessoas novatas ou até mesmo sem tanta experiência em jogos de luta (como eu). Ou seja, caso você queira fazer um combo, é só ficar apertando tais botões de ataque, e é possível alternar facilmente entre tais botões, para alterar o próprio combo, sem precisar de algum botão adicional. Além disto, caso aperte diversas vezes, e você esteja com a barra especial de ataque preenchida, cada botão equivale a um tipo de ataque especial (solo ou em equipe). É possível também ativar tais ataques de maneira separada e direta.

A troca de personagem pode ser realizada após utilizar a assistência de tal. Por exempo, caso eu esteja com o Motoqueiro Fantasma, e pressionar Frente + Quadrado, irá acionar o ataque de Blade, e após o final de tal ataque, ao pressionar L2, estarei controlando o personagem. O tempo para troca é bem curto, porém fica uma barra logo acima do personagem com o botão a ser pressionando, facilitando a visão.

Em relação as lutas, o título é extremamente rápido, e se você utilizar todos os recursos que o mesmo oferece, de assistências e golpes especiais, a luta consegue ser mais rápida ainda. Alguns combos que o jogador possa realizar, vai já fazer um estrago extremamente alto no inimigo, podendo deixar o inimigo com cerca 50% da vida em um único combo junto ao ataque especial. Além do fator de ter uma vida única, isso torna as lutas muito mais rápidas quando comparada a outros jogos do gênero, facilitando o ingresso de novatos ao título.

E o online, funciona?

Como todo jogo de luta que é lançado atualmente, se espera que o mesmo já tenha um modo online presente no título, e aqui não o contrário. No jogo, temos dois modos online: Lobby e Batalhas (Casual ou Ranqueada).

O modo Batalhas em si, ele tenta procurar partidas contra jogadores assim que você finaliza a configuração, e te coloca diretamente em uma partida de treino enquanto procura por jogadores para jogar contra. Nas minha tentativas, não consegui encontrar nenhum jogador em cerca de 20 minutos dos quais fiquei no treino, fora que o ping em si, não era muito bom, ficava variando entre 1 a 2 sinais (péssimos). O jogo te permite escolher de qual Servidor você deseja jogar, como América do Sul, Costa Oeste do EUA, dentre outros, mas o ping de todos, ao menos para mim, era horríveis.

E o Lobby é uma espécie de HUB, similar ao que temos em Street Fighter 6, onde temos o nosso personagem (avatar), e podemos alterar para diversos outros personagens que o jogo possui, personalizando com acessórios ou capas. Aqui no Lobby, temos fliperamas para dois jogadores, do qual quando os dois interagem, uma batalha casual se inicia. Só consegui encontrar uma luta no HUB, visto que, haviam pouquíssimos jogadores no momento em que eu estava tentando. Apesar de ter escolhido o servidor da América do Sul, a conexão entre ele e eu estava excelente (4 barras, se não estou enganado), fluindo muito bem.

Os personagens que você pode utilizar durante as batalhas podem ser alterados ao seu bel prazer (na configuração antes das batalhas), não precisando ficar restritos às equipes pré-definidas. É possível por exemplo, colocar o Capitão América, Wolverine, Homem-Aranha e Magia em uma mesma equipe da qual você pode usar.

A dificuldade de encontrar algumas pessoas talvez seja um dos pontos que possa fazer com que alguns jogadores mais ávidos e sedentos por jogos de luta possam se afastar um pouco do título.

Pequenos incômodos

Em seus títulos mais recentes, a Sony e Marvel tem optado por manter o nome dos personagens no original (inglês), ou seja, personagens que nós conhecemos através das dublagens em português como Homem-Aranha, Tempestade, Capitão América, são chamados pelo seu nome original: Spiderman, Storm, Captain America. E isso tem sido visto já desde o lançamento do primeiro Marvel’s Spiderman para PlayStation 4.

Na minha visão, até mesmo de fã, acredito que essa permanência com nomes originais acaba quebrando um pouco a própria imersão da qual o jogador está. Um título do qual foi totalmente adaptado, utilizado-se dos nomes traduzidos, e talvez seja a única exceção, foi Marvel Guardians of the Galaxy (2021), e acabou utilizando o elenco do próprio filme na dublagem, assim como os nomes em português, tornando-se um excelente jogo, apesar de ter sido lançado em uma conturbada época de jogos da Marvel.

Veredito

Marvel Tokon: Fighting Souls é o mais novo jogo feito em parceria entre Sony e Marvel, do qual nos apresenta um título extremamente caprichado visualmente, com gráficos cartunescos, relembrando as HQs, tornando-o visualmente belo, trazendo um bom elenco inicial jogável. As lutas conseguem ser bem rápidas, devido o dinamismo dos combos e a rapidez do golpe dos personagens, sendo fácil para novatos. Apesar de que, o modo online precisa de um pequeno trabalho adicional da desenvolvedora devido a necessidade de um pareamento melhor.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Sony Interactive Entertainment para PlayStation 5. O título possui dublagem em Português, e está disponível também PC (Steam).

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