Folk Hero: Visual Remaster deixou o mundo eslavo ainda mais bonito

Washington "MeuGameB" DiasAnálises08/09/2026118 Visualizações

​Folk Hero foi desenvolvido pelo estúdio independente Chudo-Yudo Games e publicado em parceria com a Targem Games. O título chegou originalmente ao Windows e ao Mac em 19 de outubro de 2023 via Steam, sendo posteriormente disponibilizado na plataforma russa VK Play. No Nintendo Switch, o lançamento ocorreu em 23 de janeiro de 2025, e em 2 de setembro de 2026, acompanhado pela grande atualização gratuita intitulada Visual Remaster, o jogo estreou nos consoles PlayStation 4 e PlayStation 5. Esta nova versão traz um conjunto de melhorias estruturais e reformulações gráficas na pixel art, no sistema de iluminação e no desempenho geral em todas as plataformas.

A narrativa contada por meio do gameplay

​A trama se passa em um pequeno vilarejo que manteve a mesma rotina por gerações: a prática do artesanato, a pesca diária e os causos contados pelos mais velhos, que alimentavam o imaginário dos jovens com lendas de criaturas místicas.

​Essa harmonia foi destruída com o surgimento repentino de uma ilha enigmática no horizonte. Sem qualquer aviso, o vilarejo acabou invadido por hordas de monstros, a fauna local tornou-se agressiva e os velhos mitos ganharam vida em um cenário devastador. Quando a desesperança ameaçava os últimos sobreviventes, uma figura destemida emergiu para desafiar o caos: você.

Este é o ponto de partida de Folk Hero, um jogo de ação no estilo roguelite hack ‘n’ slash com visão isométrica, ambientado no folclore eslavo.

​No comando de um herói sem nome, o jogador utiliza um pequeno porto de pesca como base central (HUB) e centro de treinamento. A cada derrota na ilha misteriosa, o herói renasce na base, o que permite a seleção e o desbloqueio de novas classes com sistemas de progressão característicos do gênero, além do ajuste de três atributos fundamentais para a definição do estilo de jogo (build). Atributos adicionais e evolutivos podem ser desbloqueados e compartilhados entre todas as classes.

Ainda no HUB, o jogador tem acesso a:

  • Árvore de Talentos: estrutura responsável pelas habilidades passivas permanentes, aprimoradas com pontos obtidos durante as incursões. Ao desbloquear novos níveis da árvore, o jogador escolhe uma entre três opções disponíveis, garantindo flexibilidade no desenvolvimento do personagem.
  • Mural de Avisos: central que reúne as missões e tarefas secundárias ativas.
  • Quadro de Artefatos: espaço destinado aos itens equipáveis que concedem habilidades passivas e ativas únicas.

A combinação adequada desses artefatos gera sinergias eficientes, elemento central da mecânica de roguelikes. Essas combinações produzem efeitos únicos que fortalecem o personagem a cada tentativa (run), permitindo a criação de conjuntos voltados para dano massivo, alta resistência defensiva ou modelos híbridos. E a compreensão dessas mecânicas e a progressão do personagem sustentam o ciclo principal de jogabilidade (loop de gameplay).

O loop característico dos roguelikes com identidade eslava

Em obras baseadas no folclore eslavo, a icônica cabana sobre pés de galinha de Baba Yaga costuma ser um ponto alto. Em Folk Hero, uma das missões principais é justamente alcançar a lendária bruxa, premissa que serve como gancho para a estrutura do jogo:​

  • Progressão por Arenas: partindo do porto, o jogador adentra uma ilha misteriosa dividida em seções e etapas. Cada seção funciona como uma arena de combate. Ao derrotar todos os inimigos, o avanço para a área seguinte é liberado, desde que haja um ponto de conexão entre elas.​
  • Mecânica de Sigilo vs. Recompensa: é possível avançar sem eliminar todos os oponentes caso você consiga passar fora do campo de visão deles. No entanto, essa abordagem não é recomendada. Derrotar inimigos concede moedas (e, ocasionalmente, poções de cura) fundamentais para fortalecer o personagem, comprar itens e subir o nível de armas e habilidades.
  • Inflação Progressiva: o jogo apresenta uma mecânica singular: a cada nova área alcançada pela primeira vez, os itens e as melhorias vendidas pelos NPCs tornam-se progressivamente mais caros.

​Possibilidades de evolução e proceduralidade

A cada nova run, os cenários são gerados de forma procedural e exibem ícones que indicam qual tipo de NPC e classe de item estarão disponíveis para compra naquela seção. Os recursos obtidos em combate podem ser investidos em:

  • Consumíveis e Atributos: poções para cura e aumento temporário de atributos durante a rodada.
  • Runas e Equipamentos: runas que concedem efeitos elementais às armas primárias e secundárias, além de um quarto slot para equipamentos com habilidades ativas ajustáveis ao combate.
  • Ferreiro: NPC responsável pela evolução direta dos equipamentos.
  • Fontes e Artefatos Ocultos: fontes espalhadas pelas seções aumentam o HP total do personagem, enquanto artefatos e poções escondidas alteram atributos de forma positiva ou negativa.
  • Missões Secundárias e Âmbar: determinadas etapas do mapa contêm missões únicas que liberam mercadores especiais. Esses comerciantes vendem melhorias exclusivas para a rodada após a derrota do chefe da área. Suas negociações exigem Âmbar — uma moeda especial obtida em arenas de desafio e ao derrotar chefes.

Ao concluir o ciclo e derrotar o chefe, o jogador avança para o próximo mapa, onde novos cenários, inimigos, missões e chefes são apresentados. Em caso de morte, o progresso da rodada é perdido e o personagem retorna ao HUB central, permitindo reiniciar o ciclo com o aprendizado adquirido, além de melhorias e descobertas definitivas. Antes de iniciar, o jogo permite escolher o nível de dificuldade e ativar a mira automática, opções que ficam seladas permanentemente naquele arquivo de save.

Ambientação e atmosfera bem construídas

Folk Hero foi desenvolvido na Unity Engine, motor amplamente utilizado pela cena indie. O resultado é um trabalho coeso e bem executado, trazendo nitidez aos gráficos em pixel art que remetem aos jogos das eras 8 e 16 bits.

​Na direção de arte, o título representa com fidelidade os ambientes e as figuras do folclore eslavo. As paletas de cores são harmoniosas e bem saturadas, onde tons de cinza e pastel contrastam com o verde e o vermelho da mata, trazendo vivacidade aos cenários.

​No quesito desempenho, tanto na versão de PlayStation 5 quanto na de PlayStation 4, o título roda de forma estável e praticamente idêntica entre as plataformas. A performance técnica sólida é acompanhada de forma competente pelo trabalho sonoro.

Imersão garantida pelo som

​Para um jogo com um universo tão rico, a parte auditiva é fundamental para imergir o jogador na jornada. Nesse aspecto, o trabalho é bastante satisfatório: as composições musicais são bem encaixadas e os sons ambientes entregam o feedback de impacto necessário para contextualizar as ações e os cenários.

Um jogo feito com carinho, em um universo rico, mas que precisa de algo a mais para se destacar

​​Folk Hero traz em sua essência a dedicação de seus criadores. A desenvolvedora Chudo-Yudo Games demonstra esse cuidado em cada detalhe da pixel art, apoiada por um universo fascinante. A história é simples e bem-humorada, contando com cutscenes ilustradas que agregam bastante ao título.

​Na jogabilidade, as mecânicas fluem, mas continuam básicas, trazendo um pouco de diferenciação somente através das várias classes (Recruit, Rogue, Defender) que são desbloqueadas conforme vamos avançando na progressão. Essas classes forçam uma certa variação e, se forem combinadas com os devidos atributos e equipáveis passivos, vão fazer toda a diferença na gameplay. Apesar das melhorias trazidas pela atualização gratuita intitulada “Visual Remaster”, o jogo ainda apresenta pequenos deslizes no level design que afetam a exploração — como ficar preso na vegetação densa ao enfrentar inimigos, o que frustra em um jogo que exige precisão e pune a morte com a perda de progresso. Outro detalhe incômodo é o comportamento da mira automática, que gera certa imprevisibilidade quando há muitos inimigos na tela, algo intensificado pelo gerenciamento da barra de estamina.

​Por outro lado, é na atmosfera que o jogo atinge seu ápice: a belíssima pixel art aliada ao trabalho sonoro competente entregam o melhor ponto do título.

​A estrutura de Folk Hero já tem alguns anos, e a nova atualização é mais do que bem-vinda. O gênero roguelike, embora saturado, ganha um frescor com esta obra que, apesar dos pequenos defeitos, acerta muito mais do que erra. Para fãs do estilo, a recomendação é certa, especialmente por ser um jogo leve tecnicamente. Já para quem não é adepto do gênero e tem o PlayStation como plataforma principal, o preço na loja brasileira pode soar um pouco salgado em comparação a outros títulos similares — embora este fator não altere a qualidade final da obra.

Veredito

Folk Hero é um roguelite hack and slash competente e tecnicamente bem executado que se destaca pela excelente ambientação no folclore eslavo, visual em pixel art vibrante e trilha sonora imersiva. Embora apresente mecânicas de combate simples, pequenos deslizes de level design (como travamentos na vegetação) e mira automática imprecisa em momentos caóticos, o jogo consegue entregar um ciclo de jogabilidade divertido, fluído e altamente recomendado para fãs do gênero.

Nota

8

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Targem Games para PlayStation 5. O título está localizado em Português (Brasil). Título também está disponível para PlayStation 4, Nintendo Switch, Mac e PC (Steam).

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