Ratatan: honrando um épico legado musical

Washington "MeuGameB" DiasAnálises12/10/2026105 Visualizações

Ratatan é um jogo de ação e ritmo com elementos de roguelite e estratégia. O game é um sucessor espiritual do clássico Patapon, do PlayStation Portable (PSP). A desenvolvedora Ratata Arts, responsável pelo projeto, é formada por ex-integrantes da equipe original que criou o Patapon para o finado portátil da Sony, e a publicação fica por conta da Game Source Entertainment. Recentemente, a Bandai Namco lançou em parceria com a Sony, a coletânea Patapon 1+2 Replay, trazendo os dois primeiros títulos da série para a geração atual de consoles, a qual nós, do CS Reviews, tivemos o prazer de cobrir com uma análise.

Recebemos o Ratatan antecipadamente e, nesta análise, pretendo descrever como foi minha experiência após aproximadamente 10 horas de gameplay, te ajudando a decidir se o jogo realmente vale o seu tempo e o seu dinheiro.

Uma história movida por duas figuras misteriosas

O jogo começa com um diálogo entre duas entidades enigmáticas enquanto uma voz nos chama no escuro, pedindo para acordarmos e jogarmos. Naquele momento, não temos certeza de onde estamos ou quem somos.

Em seguida, o corvo Cócórócó avisa que algo está partido e que a tentativa pode não dar certo, mas sugere experimentar um “truque secreto”. A voz misteriosa o elogia, dizendo que ele é um “passarinho esperto”. Cócórócó reage dizendo que, às vezes, repeti-las (as lendas) vale a pena. Sentindo o coração acelerar, finalmente acordamos.

Após a apresentação das duas figuras — o corvo Cócórócó e o barco flutuante Fortalão —, descobrimos que fomos resgatados de um lixão. Como costuma acontecer na maioria dos títulos do gênero roguelike, a narrativa ocupa um papel secundário. Logo após as cenas iniciais, somos introduzidos ao tutorial com as mecânicas fundamentais de gameplay que servirão de base para toda a jornada. É a partir desse ponto que o jogo começa para valer.

Uma gameplay embalada por música e uma pitada de estratégia

Assim que iniciamos o jogo — além de podermos alterar as configurações de gameplay pelo menu —, temos a oportunidade de escolher um personagem, Ratatan, entre oito classes disponíveis, com a liberdade de mudar a escolha a cada nova run. Cada classe conta com vantagens próprias e traz dois tipos de Cobuns, os guerreiros que acompanham o protagonista durante a jornada.

Inicialmente, temos cinco Cobuns à disposição no início de cada partida, divididos em duas classes que utilizam dois tipos de equipamentos, os quais possuem níveis e raridades variados. Os Cobuns são individualmente nomeados, e oferecem vantagens exclusivas que favorecem o jogador de acordo com a build montada ao longo da run.

O Ratatan atua como o líder do exército, gerenciando as tropas, a barra de vida principal e o medidor de mana durante as partidas. Caso sua vida chegue a zero, a run é encerrada e o jogador retorna ao Hub principal.

Combate e mecânicas rítmicas

O sistema de combate baseia-se em mecânicas rítmicas e estratégicas:

  • Gerenciamento de Fever e Sincronia: acertar as sequências sonoras no timing correto preenche a barra de Fever (animação). Quanto maior o nível de preenchimento, maior será o dano causado aos oponentes e maior a fluidez na movimentação e no ritmo dos Cobuns.
  • Ataque Especial de Classe: em estágios mais avançados de progressão, é possível expandir a capacidade da barra de Fever para 120%. Ao executar uma sequência rítmica específica nesse estado, o Ratatan ativa uma habilidade especial cujo efeito e dano massivo variam de acordo com a classe selecionada.
  • Comandos Rítmicos e Variedade de Ações: diferentes combinações musicais acionam ações distintas em combate:
    • Ataques básicos: executam investidas padrão contra os inimigos e geram pontos de mana.
    • Ataques especiais: consomem o medidor de mana acumulado para aplicar habilidades de alto impacto.
    • Habilidades defensivas: permitem erguer barreiras mágicas para proteger os Cobuns contra investidas adversárias.

Durante as runs, os jogadores encontram Santuários da Deusa, onde é possível ofertar moedas (Tokens), mana ou uma porcentagem da vida máxima. Em troca, o jogo concede equipamentos ou cartas mágicas que garantem vantagens táticas em combate. Essas cartas possuem diferentes elementos e níveis de raridade, e surgem sempre no formato de escolha entre três opções.

Além dos santuários, derrotar inimigos comuns, elites e chefes também recompensa o jogador com cartas mágicas, novos equipamentos, acessórios e materiais de crafting para a criação de armas.

O progresso de longo prazo envolve a coleta de três tipos de quitutes e Cobuns espalhados pelas fases. No entanto, o fortalecimento e a evolução do protagonista e dos Cobuns ocorrem exclusivamente no Hub principal.
O loop de gameplay é simples e direto:

  • Exploração e combates: Entrar nas runs e enfrentar hordas de inimigos em diferentes etapas.
  • Áreas seguras: Interagir com santuários, adquirir itens e recuperar vida e mana antes das próximas batalhas.
  • Enfrentamento de chefes: Derrotar os grandes chefes ao final de cada mundo.

Ao morrer em combate, o jogador retorna ao Hub para aplicar os recursos obtidos, evoluir os atributos do protagonista e dos Cobuns e se preparar para uma nova tentativa. Essa estrutura roguelite garante que cada run apresente uma experiência única e progressiva.

O Hub de Ratatan e suas possibilidades

O Hub central de Ratatan atua como a base principal para gerenciar toda a progressão do jogador e preparar as expedições. Ao retornar das partidas, o local oferece recursos para fabricar e aprimorar equipamentos, além de permitir o recrutamento, a organização e a evolução das tropas de Cobuns.

O ambiente também possibilita a troca de classes de Ratatan, a revisão de estatísticas e o acesso a tutoriais na seção de ajuda. Após os créditos finais, o Hub mantém sua utilidade ao liberar modificadores de partida e novas mecânicas de evolução, fundamentais para o endgame e a conclusão definitiva da jornada.

O mesmo carisma de Patapon, porém mais bonito e refinado

Ratatan é desenvolvido na Unity Engine — uma ferramenta amplamente adotada pela comunidade indie —, trazendo de volta o charme e o carisma consagrados em Patapon, porém devidamente renovados.

A direção de arte destaca-se por ser vibrante e repleta de personalidade, combinando uma paleta de cores bem saturada a efeitos visuais marcantes. Quanto ao aspecto técnico, o desempenho mostra-se sólido, apresentando poucos bugs — ressalta-se que o teste foi realizado em uma versão de acesso antecipado, a qual pode não refletir integralmente o estado final do lançamento.

A interface de usuário (HUD) é limpa e intuitiva, facilitando a orientação, a precisão e o entendimento das dinâmicas de jogo. Além disso, os comandos são acessíveis e práticos, proporcionando uma experiência de jogo fluida e agradável do início ao fim.

A melhor parte de Patapon também é a melhor parte de Ratatan

É difícil abordar a principal virtude de Ratatan sem antes mencionar o trabalho prévio de seus desenvolvedores. A parte auditiva do jogo é brilhante, apresentando composições que acompanham e complementam a obra do início ao fim; seus temas são tão marcantes que permanecem na mente do jogador por dias. No que tange à sonoplastia, tudo está perfeitamente sincronizado, fornecendo o feedback sonoro ideal de maneira impecável. Por fim, a dublagem — composta por vocalizações, cantos e grunhidos — alinha-se perfeitamente à proposta do jogo, conferindo-lhe o ritmo e a atmosfera adequados.

Considerações finais

Ratatan consegue resgatar a nostalgia prometida por seus desenvolvedores enquanto se mantém extremamente atual. O título adota a fórmula dos roguelites — um estilo em alta no mercado —, mas evita o excesso de conteúdos repetitivos que costuma inflar outros jogos do gênero, salvo raras exceções.

A narrativa é simples, mas cumpre bem o seu papel de pano de fundo para a verdadeira atração: a gameplay. Nesse aspecto, o jogo não decepciona. Embora não supere o impacto cultural do seu antecessor espiritual, Ratatan se destaca por sua jogabilidade acessível, comandos precisos, interface intuitiva e um carisma marcante — presente tanto no visual quanto no excelente trabalho sonoro, que acompanha com maestria cada etapa da experiência.

Por outro lado, alguns pontos merecem atenção. Assim que o jogador domina suas mecânicas principais, a duração do jogo pode parecer curta. O fator custo-benefício também pesa: no PlayStation (plataforma analisada), da qual o título é vendido por R$ 200,00, apresentando um valor similar na eShop da Nintendo. Além disso, ajustes de otimização ainda são necessários para corrigir pequenos bugs, problema que deve ser resolvido nos patches de lançamento.

Em suma, Ratatan proporciona diversão do início ao fim e, considerando a sua qualidade geral, é uma experiência que certamente vale a pena.

Veredito

Ratatan honra com louvor o legado de Patapon ao entregar um roguelite rítmico vibrante, extremamente carismático e viciante. Apesar de pecaminoso na duração curta após o domínio das mecânicas e no preço de lançamento salgado para o mercado brasileiro, o título compensa com um combate tático preciso, direção audiovisual impecável e um loop de gameplay incrivelmente divertido, tornando-se uma recomendação indispensável para fãs do gênero e saudosistas do PSP.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Game Source Entertainment para PlayStation 5. O título possui localização em português e também está disponível PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Windows, Linux, Steam).

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