
Pancadaria com muito estilo
Mexican Ninja é um beat ’em up 2.5D com elementos de roguelite, desenvolvido pelo estúdio colombiano Madbricks e publicado pela Amber Studio, sendo lançado em 20 de agosto de 2026. Recebemos a chave do jogo após o lançamento e, depois de aproximadamente 15 horas de jogatina, trago minhas impressões sinceras sobre a experiência e se o investimento de tempo realmente valeu a pena.
Nem tacos ou sushi desta vez
Mexican Ninja se passa na distópica Nuevo Tokyo, uma megalópole formada após a invasão e dominação do México pelo Japão. A fusão forçada das duas culturas resultou em um caos social absoluto, onde o absurdo se tornou a norma e a ordem pública colapsou por completo. A partir dessa ruína, o submundo do crime organizado uniu o narcotráfico mexicano à Yakuza, dando origem à temida coalizão Narkuza.
O jogador assume o papel do lendário Chosen Juan (o Mexican Ninja), apontado pelas profecias da resistência local como o libertador do povo oprimido. Com essa premissa mística, o jogo entrega ação frenética, violência explícita e uma narrativa satírica repleta de humor politicamente incorreto. É nesse cenário nada convencional que a gameplay tem início.

Beat ’em up clássico com nuances de roguelite
A jogabilidade de Mexican Ninja segue a fórmula clássica do gênero: entramos nas fases, derrotamos os inimigos nas arenas que se formam conforme progredimos, coletando itens de cura, dinheiro e experiência. Ao final de cada etapa, embarcamos em um metrô e seguimos em frente, repetindo o ciclo até o confronto com o chefe da área para mudar de mapa.
O grande diferencial está na inclusão das mecânicas de roguelite, que ditam o ritmo da progressão, criam barreiras de dificuldade e adicionam boas camadas estratégicas ao jogo.
Nossa jornada começa com uma derrota inevitável contra um subchefe, que serve para introduzir os comandos fundamentais. Em seguida, renascemos no Esconderijo Ninja, o hub principal do jogo. Neste espaço central, evoluímos o personagem e interagimos com diversos NPCs que vão surgindo ao longo da história e da conclusão de missões secundárias.

Recursos e mecânicas no Hub
Na área segura que antecede o início das missões, temos acesso ao Santuário de Yokais. Nele, podemos equipar até duas habilidades especiais ativas (que dependem de cooldown para causar grande dano e efeitos diversos), aceitar missões secundárias com novos NPCs e selecionar vantagens passivas para a jornada.
Sempre que usamos o metrô para avançar, podemos escolher entre dois caminhos com recompensas distintas. Cada opção oferece um benefício garantido ao final do trajeto, permitindo montar builds personalizadas respeitando a geração procedural do estilo.

Peculiar, Diverso e Único
Desenvolvido na Unity Engine, o jogo entrega uma performance técnica muito competente, com excelente desempenho aliado a uma jogabilidade extremamente fluida e responsiva. Durante toda a minha experiência no Playstation 5, a taxa de quadros se manteve estável e não presenciei nenhum bug aparente.
Na direção de arte, a modelagem dos personagens é satisfatória e as animações são fluidas, embora o estilo visual traga certa peculiaridade no design e na saturação das cores. Há uma quantidade generosa de objetos em tela — alguns destrutíveis, algo que você descobre na base da tentativa e erro. A iluminação é simples e honesta, mas o verdadeiro destaque fica para a variedade de cenários: a transição entre os mapas gera um ótimo impacto visual e garante diversificação constante.
Áudio, sonoplastia e dublagem
A trilha sonora mimetiza bem a proposta e a ambientação do jogo, cumprindo seu papel de forma satisfatória, embora não chegue a ser memorável.
Já na sonoplastia, o título se destaca ao traduzir com precisão os sons das ações do jogador e dos oponentes, ajudando a telegrafar os ataques inimigos sem dificuldades. A dublagem é composta apenas vozes esporádicas nas cutscenes e por grunhidos e reações sem falas estruturadas, uma escolha modesta que encaixa perfeitamente no escopo da produção.

Considerações finais
Ver um jogo que chama a atenção logo nos primeiros trailers se concretizar em uma obra respeitável e completa é extremamente gratificante. Acompanhar a força da indústria independente — independentemente de sua nacionalidade — é incrível, sobretudo quando o resultado entrega a qualidade vista em Mexican Ninja.
Como costuma acontecer no gênero roguelite, a narrativa não é o forte da experiência, o que não chega a incomodar. O grande triunfo do estilo está no level design e na jogabilidade, aspectos em que o jogo brilha com um combate excelente durante quase toda a jornada.
Alguns deslizes merecem menção: a variedade de inimigos é pequena (muitos são apenas retrabalhos visuais de tipos já apresentados) e o chefe final utiliza o clichê da autorregeneração, o que torna a batalha um pouco truncada e imprecisa. O estilo artístico carregado nas cores também é uma escolha particular que vai do gosto de cada jogador.
No fim das contas, Mexican Ninja é um título que vale muito a pena pelo conjunto da obra, especialmente no PC (Steam) e no Xbox, onde os preços praticados no Brasil estão bastante competitivos. Já no PlayStation, como de praxe, o valor cobrado é mais elevado, cabendo ao jogador avaliar se vale a compra no lançamento ou se é melhor aguardar uma promoção.

Mexican Ninja é um beat ’em up 2.5D com roguelite divertido e competente, destacando-se pela jogabilidade fluida, combate excelente e boa variedade de cenários. Apesar da baixa variedade de inimigos e de um chefe final frustrante, o saldo é amplamente positivo — valendo muito a pena no PC e Xbox pelo preço cobrado no Brasil, enquanto no PlayStation o ideal é aguardar uma promoção.
8.5
Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela Amber Studio para PlayStation 5. O título possui localização em português e também está disponível Xbox Series X|S e PC (Steam).