Onimusha: Way of the Sword: um retorno triunfal

David "Fiuzer" CarvalhoAnálises15/09/2026148 Visualizações

Onimusha: Way of the Sword é o mais novo capítulo da clássica franquia da Capcom e marca o retorno da série após quase 20 anos. Desenvolvido e publicado pela própria Capcom, o jogo coloca o lendário espadachim Miyamoto Musashi no centro de uma nova história envolvendo demônios Genma, espíritos Oni e uma Kyoto tomada pelo caos.

Apesar de ser uma espécie de recomeço para a franquia, Way of the Sword mantém elementos que fazem Onimusha ser Onimusha, mas moderniza completamente sua estrutura de combate e apresentação. O resultado é um jogo de ação que consegue misturar referências do Japão feudal, fantasia sobrenatural e um combate extremamente focado em precisão.

Bom, essa foi minha primeira vez jogando um jogo da franquia Onimusha, e sinto que já comecei com os pés na porta, pois aqui tudo que vi (ou quase tudo) é muito bem feito.

O combate que beira a perfeição

O primeiro ponto que gostaria de destacar sobre esse jogo é, sem dúvidas, o seu combate. E sinceramente? Beira a perfeição. O jogo sabe intercalar muito bem esquiva com parry, e isso já tem meu puro respeito, porque em jogos do gênero ou é MUITO parry ou é muita ESQUIVA. Coisa que aqui você não vai sentir.

O jogo deixa bem claro quando é o momento de esquivar ou quando é a hora de dar parry, e isso faz uma diferença absurda durante os combates. Você não fica simplesmente apertando o mesmo botão esperando o inimigo atacar. É necessário entender o comportamento de cada adversário e saber qual resposta usar em cada situação.

Isso, em conjunto com as armas de Oni que você vai adquirindo ao decorrer da história, deixa o combate uma delícia de jogar. E obviamente existe aquele desafio pessoal de tentar acertar um “ISSEN” em todo e qualquer inimigo que aparece pela frente.

Quanto mais você entende o sistema, mais satisfatório ele fica. O jogo consegue criar aquele ciclo gostoso em que você começa simplesmente tentando entender os adversários e termina dominando completamente cada inimigo que aparece na sua frente.

Musashi é facilmente um dos grandes destaques

Um cuidado que achei excepcional aqui foram as expressões do Musashi, que conseguem casar perfeitamente com a persona super carismática que ele tem. As piadinhas e os momentos sérios são muito bem separados ao longo da trama e, em nenhum momento, você sente que alguma reação ou até mesmo alguma piadoca está sendo forçada.

Isso é algo que eu gostei bastante porque o jogo consegue alternar entre momentos mais pesados e outros completamente descontraídos sem parecer que está tentando desesperadamente fazer você rir. Musashi tem personalidade, e isso ajuda bastante a carregar a narrativa.

Os outros personagens também conseguem contribuir para isso. Até os inimigos têm sua pitada de “carisma”. Um destaque claro e nítido vai para Ganryu e Dokyo, que praticamente “carregam” boa parte da personalidade dos inimigos no game.

Chefes facilmente memoráveis

Agora, uma coisa que não posso deixar de destacar é o quão bem feitos são os bosses principais. Eu achei todos muito únicos e superinteressantes, desde o design dos chefes até o moveset deles.
E é justamente aqui que o combate consegue mostrar todo o seu potencial. Os melhores confrontos exigem que você realmente entenda as mecânicas, fazendo com que cada luta pareça um verdadeiro duelo. É aquele tipo de boss que termina e você pensa: “caral**, que luta foda”. É facilmente uma das partes mais memoráveis do jogo.

Variedade e repetição dos inimigos

Infelizmente, o ponto acima não se aplica ao resto dos inimigos. Em Onimusha os chefes secundários são extremamente repetitivos. Por mais que as batalhas com eles possam até ser divertidas, depois de um 3º ou 4º encontro a diversão começa a virar desconforto e te faz pensar: “pô, de novo esse cara, velho?”.

E antes fosse só com os chefes secundários, mas infelizmente isso também acontece com os inimigos básicos do game. Os mesmos inimigos que você encontra nos primeiros 30 minutos de jogo continuam aparecendo aos montes até o final, tendo pouca variação para um jogo com suas 25 a 30 horas.

Isso pode até passar despercebido se você focar apenas na campanha principal e meio que se desligar do “mini mundo aberto” do título, mas se torna muito evidente quando você decide explorar todo o ambiente. E isso é uma pena principalmente porque o combate é tão bom que você naturalmente gostaria de ter uma variedade maior de inimigos para colocar suas habilidades à prova.

Kyoto e a exploração

Uma das coisas que mais me chamou atenção foi a estrutura de exploração. O jogo não é exatamente um mundo aberto tradicional. Existe uma área mais aberta de Kyoto que funciona como uma espécie de hub, enquanto as principais missões levam você para áreas mais lineares e elaboradas. E sinceramente, eu acho que essa escolha funciona.

As áreas lineares são justamente onde o jogo consegue brilhar mais, com cenários bem construídos, encontros cuidadosamente posicionados e momentos que parecem saídos diretamente de um filme de samurai. Já Kyoto funciona mais como aquele espaço para você respirar entre uma missão e outra, explorar, encontrar alguns segredos, pegar atividades secundárias e voltar para a história principal. O problema é que esse espaço também acaba sendo onde parte da repetição fica mais evidente.

Missões secundárias: boas ideias, porém com execução irregular

No que diz respeito às missões secundárias, eu me sinto bem dividido. As missões da Murasaki eu acho superinteressantes, principalmente porque conseguem fugir um pouco daquele formato tradicional de “vá até determinado lugar e mate alguma coisa”. Já as missões espalhadas pelo mundo são claramente uma “encheção de linguiça”. Todas seguem praticamente o mesmo formato:
“Vá e verifique tal região.”

Daí você vai até lá, mata uns bichos, volta e fala que a região está limpa. E isso se repete umas 5 vezes ou mais ao decorrer de Onimusha: Way of the Sword. Sinto que faltou um carinho a mais nessas missões em específico. Elas poderiam ter aproveitado melhor o mundo e criado situações diferentes para incentivar a exploração, por que do jeito que foram feitas, acabam parecendo mais uma tarefa colocada ali apenas para aumentar a quantidade de conteúdo do jogo. E é uma pena, porque quando o jogo realmente se esforça nas missões secundárias, o resultado é bem melhor.

Uma ambientação digna de filme samurai

Se tem uma coisa que Onimusha acerta em cheio é na apresentação. O jogo consegue transmitir muito bem aquela sensação de estar assistindo a um filme de samurai, mas com toda a fantasia sobrenatural que sempre fez parte da franquia.

Kyoto está visualmente linda, os personagens são extremamente bem animados e os confrontos contra os chefes são apresentados de uma maneira extremamente cinematográfica. A Capcom também usa o RE Engine para entregar expressões faciais e animações que ajudam bastante na personalidade dos personagens.

E isso combina perfeitamente com Musashi. Você consegue perceber que existe uma preocupação muito grande em fazer cada confronto parecer importante, principalmente quando o jogo coloca o protagonista frente a frente com algum dos seus inimigos mais importantes.

Uma evolução que não esquece suas raízes

Uma das coisas que mais gostei em Way of the Sword é que ele não parece estar tentando simplesmente copiar outros jogos de ação modernos. Sim, existem elementos que lembram bastante jogos como Sekiro, principalmente quando falamos de precisão nos parrys, mas Onimusha consegue construir seu próprio ritmo em cima dessas ideias.

A própria Capcom deixa claro que o jogo foi pensado como um character action, e não como um Soulslike tradicional. Não existe aquela estrutura de perder recursos ao morrer ou aquela exploração baseada em punição típica do gênero. E acho que isso foi uma decisão muito acertada. O jogo quer que você domine a espada, não que fique com medo de morrer.

Considerações finais

No geral, Onimusha: Way of the Sword é uma ótima porta de entrada pra franquia. O combate é facilmente um dos maiores destaques, com uma mistura muito boa entre esquiva, parry e ISSEN. Os chefes principais são excelentes, Musashi é um protagonista extremamente carismático e a apresentação do jogo consegue entregar momentos realmente memoráveis.

Infelizmente, a repetição de inimigos, alguns bosses secundários reciclados e determinadas missões secundárias acabam segurando um pouco a experiência. Ainda assim, são problemas que não conseguem apagar o quanto o combate, os personagens e a atmosfera do jogo são divertidos. Pra uma primeira experiência com Onimusha, ele é definitivamente uma escolha para começar com o pé direito.

Veredito

Onimusha: Way of the Sword é um retorno competente para uma franquia que passou quase duas décadas longe de um novo jogo principal. A Capcom conseguiu modernizar o combate sem abandonar a identidade da série, criando um sistema extremamente satisfatório e que recompensa cada vez mais o domínio das suas mecânicas. Não é perfeito, mesmo com a repetição de inimigos e por algumas atividades secundárias que claramente poderiam ter recebido mais atenção. O jogo foca no que realmente importa como combate, chefes, personagens e apresentação.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para PC (Steam). O título possui dublagem em Português, e está disponível também para PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

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