Kill the Shadow: onde cada escolha tem seu peso

Jackson FrançaAnálises04/09/2026131 Visualizações

Já pensou ficar sonhando quase sempre, ou melhor, revivendo um momento da sua vida, da qual é um pesadelo para você? Pois é, é assim que começa Kill the Shadow.

O título é desenvolvido pelo estúdio chinês Shadowlight Sanctuary, sendo este, o primeiro título do estúdio, e publicado pela Phoenix Games. Kill the Shadow é um jogo indie 2.5D e um RPG de investigação, onde é necessário conversar com diversos NPCs, analisar itens do cenário e inspecionar documentos para conseguir prosseguir nos mais diversos casos que o jogo apresenta.

Kill the Shadow é situado em um mundo onde a guerra eclodiu, e muitas pessoas vivem constantemente com medo de que eles possam ser os próximos a serem mortos caso desobedeçam a ordem do Império que está espalhada pelo mundo.

Um sonho, um pesadelo

Kill the Shadow começa nos apresentando o policial Lucas (ou Ah’Guang, no original), voltando de férias e se apresentando na delegacia da qual ele trabalha, da qual ele tem uma breve conversa com a sua tia e pergunta sobre o seu tio, do qual está no cômodo ao lado. Lucas vai em direção ao seu tio que está assistindo, e o mesmo pede para que ele acenda a luz. Ao acender, o tio desaparece, mas Lucas começa a ler as cartas que está na mesa próximo do interruptor.

Após ler algumas das cartas, Lucas vai em direção a porta do escritório de seu tio, e pega a chave que está na mesa, mas não sem antes ler outros documentos que estão na mesa sobre antigos casos que seu tio já trabalhou. Terminando de ler, Lucas vai em direção a porta, mas corta diretamente para outro momento, do qual a delegacia está destruída, e pegando fogo, além de diversos destroços. Sem entender nada, ele parte em direção a porta, mas não consegue abrir por estar trancada. Lucas lembra da chave que pegou na mesa de seu tio, e vai novamente a mesma, conseguindo pegá-la novamente, e enfim, abrindo a porta e fugindo da delegacia.

Ao abrir, Lucas enfim acorda com o barulho de uma pessoa gritando em um megafone, e percebe que tudo não passou de um sonho, ou melhor, pesadelo do qual ele viveu há dez anos atrás, dos quais ele já não é mais um policial, mas agora, um trabalhador de uma fábrica. O acontecimento na delegacia ocorreu após o ataque, vide que o mundo do qual eles estavam vivendo na época, estava em guerra. E na época atual, eles vivem em uma era da qual o Império controla as pessoas por meio de medo por estarem no topo da cadeia, possuindo um arsenal e um grande exército em seu poder.

Lucas então, se levanta e vai em direção a pessoa que estava gritando, da qual é Theo, seu capitão e chefe na fábrica da qual trabalha, e o mesmo está usando um megafone para dizer que alguém assassinou o seu cão de estimação, Teddy, e solicita aos gritos que alguém o ajude a identificar quem foi a pessoa que o matou.

Lucas conversa com o Capitão Theo e decide ajudar na investigação, já que o mesmo é um ex-policial. Para iniciar a investigação, ele começa a conversar com diversos operários da fábrica, como seu amigo Axel Clint e a secretária do Capitão, a Srta. Selene. Durante tais conversas, Lucas começa a escutar vozes sem saber da onde vem, respondendo-as como se estivesse falando com alguém, mas todos ao seu redor, estranham as falas sem nexo.

Ao investigar o corpo de Teddy, voltamos a escutar as vozes, mas desta vez, aparece uma entidade nas nossas costas, da qual se autodenomina Sombra (Shadow em inglês), dizendo que nos conhece muito bem, da qual sempre esteve com a gente desde o incidente na delegacia há anos atrás. Lucas não acredita em uma palavra sequer dita pela Sombra, e a mesma cita os problemas que ele vem passando, como o de alcoolismo e a necessidade de descobrir o mistério de uma carta sem remetente, da qual o manda procurar pelos “The Gentle Rogues”. Com isto, ele fica extremamente surpreso, pois não havia conversado com quase ninguém sobre isto. Após tal ato da Sombra, Lucas decide trabalhar então, junto com ela.

Cada escolha, um resultado diferente

Conversando com um dos lojistas da fábrica, Lucas descobre que Teddy foi visto saindo de um armazém desativado, e passou pela loja, esbarrando em tudo, e cambaleando de tão tonto que estava. Com esta informação, Lucas pressupõe que algo que possa solucionar o caso esteja dentro daquele armazém.

Investigando mais a fundo, Lucas descobre que a porta do armazém está aberta, e consegue adentrar ao mesmo. Lá, ele descobre que diversos suprimentos estão sendo escondidos dos demais operários, e ao investigar os papéis que estão em cima da mesa, verifique que são entregas feitas por um grupo misterioso, para o Capitão Theo, do qual ele deveria compartilhar com todos os operários da fábrica, mas não faz. Ainda no local, Lucas encontra uma embalagem aberta de chocolate, e com a seguinte mensagem: “Chocolate é tóxico para cachorros”. Teddy não foi assassinado, ele foi intoxicado por suprimentos que Theo escondia de todos.

Ao conversar com o Capitão Theo, lhe é dado algumas opções, como revelar tudo que o mesmo escondeu ou conversar em particular. E bom, na minha jogada, como gosto também de ver o circo pegando fogo, optei por revelar tudo na frente dos operários. A Sombra volta a aparecer, alertando que, cada escolha que optarmos, irá mudar o destino dos personagens, tal como também de outros ao nosso redor. Ainda assim, alguns operários questionaram o por quê de estarmos fazendo isso, pois o Capitão estava escondendo, e para disfarçar, ele disse que usaria tudo para motivar os operários a trabalharem, mas ainda assim, começamos a expor o mesmo mais e mais.

Terminando de expor, Theo fica extremamente irritado com a nossa atitude, fazendo com que o nosso relacionamento seja permanentemente prejudicado. E não só isso, mas o nosso relacionamento com outros NPCs que podemos interagir também sofrem mudanças em seus comportamentos, dos quais se negam a falar de maneira amigável e começam a falar de maneira ignorante e grossa. A Sombra reaparece, e diz para nós que, caso optássemos por outras opções durante a conversa com Theo, poderia ser que ele ficasse do nosso lado, e os operários iriam ser ignorantes, ou ambos poderiam estar do nosso lado. Ou seja, cada escolha que iremos realizar, irá impactar no desenrolar dos casos.

Lucas decide então, partir da fábrica, localizada em Dark Tide City, e ir ao Portão do Sul, do qual existem vários agentes protegendo, não deixando passar ninguém sem autorização. Porém, por ele ter ajudado Theo, ele ganhou a autorização. Com isto, Lucas decide procurar quem são os “The Gentle Rogues”, ao mesmo tempo que ele resolve os casos que estiverem aparecendo na sua jornada por mais pistas.

Uma investigação natural e muito bem montada

Kill the Shadow não possui um gameplay exatamente comum, como é visto em muitos jogos, apesar de ser um jogo do gênero RPG, mas ele é extremamente rico nos diálogos dos personagens, sendo bastante perceptível a personalidade de cada um dos personagens que foram montados e apresentados a nós durante a campanha.

O título possui um valor de replay muito grande (para completar, gira em torno de 15 horas, podendo ser menos caso faça só os casos principais), pois dependendo das escolhas que o jogador fizer, um ou mais personagens podem ser mortos caso falemos algo indevido ou até mesmo, se ficarmos em silêncio. E isso ocorreu comigo, sendo que pensei que não iria ocorrer nada, mas em menos de dois minutos após escolher tal opção de diálogo, o personagem apareceu morto.

O gameplay de Kill the Shadow é uma das melhores coisas do título, junto com a narrativa presente. Para você prosseguir com a história, não deve somente conversar com os NPCs que estão no local, mas sim inspecionar o cenário, como por exemplo, pastas, gavetas, latas de lixo, para adquirir pistas e ligá-las aos acontecimentos do caso do qual você esteja investigando no Quadro Investigativo. Pode ser que, alguns elementos que estejam ligados ao caso principal, possa estar ligado também ao secundário, mas que só são “conectados” após determinado progresso durante a campanha primária. Dependendo do modo que as pistas sejam conectadas umas com as outras, novas opções de diálogos podem ser liberadas com NPCs do local, permitindo assim, que as investigações avancem mais ainda.

E tais pistas, podem não indicar de maneira direta uma resolução do caso, mas podem indicar que X acontecimento fez com que Y pessoa reagisse de uma maneira da qual desencadeou Z evento, e ir assim, ligando tudo, para formar um quebra-cabeça muito maior, do qual o jogo se propõe. É claro, caso você não queira ficar ligando ou caso só queira jogar pelo enredo do título, o jogo permite que ao apertar um botão, o mesmo lhe dá Dicas do que é ligado em tal elemento no Quadro Investigativo, dando um destaque em cada um deles, mas normalmente a conexão entre as pistas é bastante intuitiva caso o jogador tenha lido os documentos que foi obtendo durante a jornada.

A Sombra, um dos protagonistas ao lado de Lucas, não é só um personagem auxiliar do qual fica mexendo com a cabeça dele, mas também é muito importante para resolvermos os diversos casos que teremos no jogo. A Sombra nos permite retroceder o tempo para investigarmos cenas do crime, dando até mesmo ênfase em objetos derrubados por personagens importantes, adquirindo assim, novas pistas.

Durante as conversas dos NPCs, temos também algumas opções de diálogo, das quais utilizam certas habilidades de Lucas, são elas: Strength (Força), Spirit (Espírito) e Charm (Charme). E ao optar por tais opções, normalmente custa 1 ponto de tais habilidades. Por exemplo, durante a investigação podemos utilizar Charm para obter maiores informações ao forçar o personagem questionar certos atos ao conversar com outros personagens enquanto obtém pistas.

A quantidade de tais habilidades podem ser aumentadas de acordo com que vamos consumindo certos itens no decorrer da jornada, assim como que, há consumíveis que também recuperam tais pontos.

Pixel Art unida ao 3D

O estúdio Shadowlight Sanctuary apostou no uso de Pixel Art junto com elementos do cenário em 3D. A nossa locomoção no cenário ocorre de maneira vertical, horizontal e diagonal, além de claro, interagir com itens do cenário. Nesta locomoção, é possível observar que existem diversos objetos do cenário que estão realmente modelos em 3D, técnicas similar que já foi vista em REPLACED, também optando que tais modelos tenham texturas feitas inteiramente em Pixel Art, tornando assim, um visual extremamente lindo e bem montado.

Tal visual 2.5D torna uma experiência bastante agradável, apesar de que, o Pixel Art seja mais de era mais atual, devido a quantidade de detalhes que os personagens e cenários possuem, isso não o deixa para trás, mas dá a Kill the Shadoow, uma personalidade mais única.

Os modelos in-game dos personagens, até mesmo de NPCs que mal vimos nas histórias ou que ficam no fundo, nos dão a sensação de que foram muito bem montados, tal como os cenários dos quais acabamos visitando durante a jogada. Uma coisa que chegou a me incomoda um pouco, foram as artes que representam os personagens durante os diálogos. Algumas destas artes, aparentavam estar com baixa qualidade ou só fizeram por fazer, não sendo fidedigno com o próprio personagem e/ou modelo que fora apresentado.

Veredito

Por ser um título extremamente focado em diálogos e escolhas, Kill the Shadow consegue apresentar diversos personagens muito bem montados, e muitos deles se destacam por ter personalidades únicas, além de claro, o peso das nossas escolhas. O jogo possui uma direção artística bem bonita, unindo o Pixel Art com modelação 3D, mas o mesmo não pode ser falado de algumas artes que representam os personagens. Apesar do jogo poder se estender um pouco além do que deveria, se fosse um pouco mais curto, a experiência poderia ser melhor.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Phoenix Games para PC (Steam). O título não possui localização para Português (Brasil).

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