
Assassin’s Creed é uma das franquias mais famosas no mundos dos jogos desenvolvida pela Ubisoft, da qual possui diversos títulos já lançados no decorrer dos últimos anos. A série teve o seu primeiro título, do qual leva o mesmo nome, lançado em 2007 para Xbox 360 e PlayStation 3, e posteriormente no ano seguinte foi lançado para PC.
Inicialmente, a franquia surgiu como uma espécie de spin-off de outra franquia querida também de sua desenvolvedora, Prince of Persia, mas a ideia foi se moldando e acabou se tornando na série de jogos que temos hoje em dia.
Dentre os diversos títulos lançados, Assassin’s Creed IV: Black Flag é tido como um dos títulos mais queridos e elogiados da franquia antes da sua era RPG (Origins, Odyssey, Valhalla e Shadows). Muitos fãs clamavam a Ubisoft por algum remaster deste título, vide que títulos anteriores, como a trilogia Ezio (Assassin’s Creed II, Brotherhood e Revelations) e títulos situado na América do Norte (Assassin’s Creed III, Liberation e Rogue) receberam Remaster para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Black Flag estava preso e limitado aos consoles da 7ª e 8ª geração, apesar de ter sido lançado para PC, o mesmo possuía um desempenho limitado até mesmo nos dias de hoje.
E bom, começaram a surgir alguns vazamentos sobre um possível remake de Black Flag no início deste ano. E tais vazamento se concretizaram. A Ubisoft anunciou de forma oficial Assassin’s Creed Black Flag Resynced, remake do famoso título que leva o mesmo nome, utilizando tecnologias mais recentes de sua engine Anvil, refeito inteiramente do zero.

Uma história ressincronizada
Assassin’s Creed Black Flag Resynced não mudou praticamente nada dos acontecimentos que tínhamos durante a história do título, porém modificou alguns elementos acerca da história principal do jogo.
No título, acompanhamos a história do pirata Edward Kenway, durante o auge da era de ouro da pirataria, no início do século XVIII (1715 a 1722). O jogo já nos joga em um combate naval, entre o bando pirata da qual Edward pertence com o navio da marinha inglesa, onde é possível ver um assassino, Duncan Walpole. Nesta luta, conseguimos destruir o navio inimigo, e toda a sua tripulação junto, ou era isso que pensávamos.
Duncan aparece pulando em cima de nosso capitão, matando-o de forma furtiva com a Lâmina Oculta. Duncan e Edward estavam preparados para entrarem em uma luta, mas o navio dos piratas explode, jogando todos para o mar de forma brusca. Momentos depois, Edward recobra a consciência e sobe até a superfície. Ao chegar lá, ele começa a nadar direto para a praia próxima no meio dos destroços do navio que um dia ele navegara.
Ao chegar na praia, Edward vê o assassino Duncan machucado na praia. Neste momento, ele saca a sua pistola e tenta matar Edward, porém a mesma falha no momento que vai disparar por estar encharcada. Duncan foge selva a dentro, enquanto Edward começa a persegui-lo.

Em dado momento, Duncan se esconde e tenta atacar Edward de forma furtiva assim como fez com o capitão, mas não consegue saltar de forma eficaz por estar machucado e acaba quebrando a sua própria lâmina oculta ao atacar diretamente o chão. Edward aproveita esta deixa, e o mata, roubando a sua roupa e se apossando de sua identidade.
Após tal acontecimento, Edward parte sentido litoral, ao escutar barulhos de canhões próximos e salva Stede Bonnet, um comerciante, das mãos da marinha inglesa. Ambos sobem ao navio que está atracado perto de onde estão e partem a Havana.
Em Havana, se separam. Edward parte em direção a mansão do governador, ou melhor, dos templários, se apresentando como Duncan Walpole. Neste momento, Edward fica ciente de que eles não são somente agentes do governo, mas sim de uma organização que trabalha de forma secreta e que age por trás de tudo, movendo os soldados para atingir seus próprios objetivos.
Com interesse de saber mais, Edward vai atrás do Sábio, um preso do qual eles conversaram durante a reunião, para saber mais sobre o que realmente os templários planejam fazer, porém isto era uma armadilha. Edward é capturado e é levado para um navio em alto mar, junto com outros presos. Lá, ele conhece Adéwalé, futuro quartel-mestre, e ambos fogem do navio-prisão, libertando outros presos no caminho. No fim de tal fuga, ambos roubam um brigue do qual Edward batiza posteriormente de Gralha.
E a partir deste momento, Edward se vê inserido em uma trama que percorre séculos, e resolve ir atrás de mais respostas. Além de claro, a sua busca incessante por Ouro.

Cadê as mudanças?
A franquia Assassin’s Creed é conhecida não só por ter uma história situada no passado, em uma época específica, como a Renascença, Cruzadas, por exemplo, mas também por ter um trama no presente, onde em jogos anteriores, conhecemos Desmond Miles, protagonista do presente entre Assassin’s Creed até Assassin’s Creed III, ou a Layla Hassan, outra protagonista dos dias atuais de Assassin’s Creed Origins até Assassin’s Creed Valhalla.
Em alguns títulos, éramos somente um funcionário genérico da Abstergo, como no Black Flag original. E neste novo título, não temos nada dos dias atuais durante a história principal, mas o que ficamos sabendo são através de atividades secundárias que concluímos ao investigar certas anomalias enquanto navegamos com o navio. E tais anomalias nos recompensam com fragmentos (relatórios) do que tem ocorrido nos dias atuais, assim como já ocorria em Assassin’s Creed Shadows (clique para acessar a nossa análise).
Além das mudanças citadas acima referentes aos tempos atuais, novas missões estão disponíveis nesta versão. Alguns exemplos são as linhas de missões de Barba Negra, Stede Bonnet (o destino do mesmo não é muito explorado durante o título) e de novos oficiais para o Gralha, cada um para um posto específico. E claro, novas missões secundárias a parte destas foram criadas.
Muitos dos diálogos que tínhamos durante o jogo, foram regravados, inclusive, muitas cenas foram regravadas utilizando a tecnologia de captura de movimentos (famoso MOCAP), tornando as cenas muito mais naturais e detalhadas, mostrando realmente a expressão que os personagens naquela cena queriam passar, através de suas expressões faciais e olhares.
E Black Flag Resynced me fez lembrar de como realmente os personagens da franquia Assassin’s Creed eram muito bem escritos e montados, dos quais tinham aquele background desenvolvido durante o jogo, ou que você queria saber mais de um personagem, a sensação de odiar um inimigo pelo feito dele. Claro, não pode-se esquecer de falar das cenas bem dirigidas, quando as mesmas possuem movimentação do personagem sobre a tela, não só ficando parado enquanto conversa com braços cruzados ou apoiados na cintura. Tais sensações, não são muito vistas nos títulos mais recentes.
Apesar de que nesta versão, foi inserido novos personagens que nos acompanham, a qualidade de escrita deles, dos diálogos, de seus comportamentos, está melhor do que visto nos últimos títulos da série. Ressalto tal comparação devido estarmos recebendo personagens genéricos e pouco memoráveis, com diálogos até fracos, sem tanta movimentação durante as cenas, ou melhor, a emoção que o personagem quer passar não é repassada em tela, a dublagem não casa com o que é mostrado.

Combate revitalizado
É claro, quando se pense em Remake, uma das primeiras coisas que são questionadas é se houve mudanças comparado ao título original. E sim, houve. E algumas muitos fãs podem torcer o nariz e outros podem aceitar de bom grado.
A Lâmina Oculta, uma das armas presentes em diversos títulos antes da era RPG, não tem mais o seu uso livre de como era na versão antiga do título, do qual podíamos selecioná-la como arma. Na versão Resynced, a Lâmina Oculta ficou como uso para assassinar os inimigos de forma furtiva, executando-os em um golpe único, mantendo o comportamento de como era nos títulos clássicos da franquia.
Uma modificação que veio, em relação ao acesso de um dos nossos equipamentos, o acesso adiantado a Lança-Corda, da qual podemos utilizar para puxar inimigos para próximos de nós, ou até mesmo puxá-los para o abismo de construções ou precipícios que estão entre nós. Além deste acesso antecipado, temos também a presença dos amuletos, dos quais começaram a serem inseridos em Assassin’s Creed Mirage. Aqui em Black Flag Resynced, podemos ter até dois amuletos, que podem nos conceder vantagens do tipo, ganhar mais Reales (dinheiro), conseguir respirar por mais tempo debaixo d’água, dentre outras inúmeras vantagens.
Além dessas modificações relacionadas a nossas armas, tivemos alterações também referente ao combate corpo-a-corpo, do qual foi bastante alterado. Diferente do título original, do qual conseguíamos contra-atacar e matar os inimigos por quanto tempo quiséssemos, um atrás do outro, nesta mais nova versão não é bem assim que as coisas são.

Em Assassin’s Creed Black Flag Resynced o jogador tem que prestar atenção no combate, nos inimigos ao redor, pois se amontoar uma quantidade suficiente e o mesmo não perceber, pode acarretar do mesmo levar vários golpes de forma fácil e acabar sendo morto. O novo combate do título foi desenvolvido pensando na capacidade do usuário defletir (parry), para não levar dano ao receber o ataque, e ao mesmo tempo, acabar com a barra de “armadura”, situada acima da vida do inimigo, similar ao que ocorre em Assassin’s Creed Shadows, e então, finalizar o inimigo em um único combate. Porém, diferente dos jogos antigos dos quais podia finalizar vários inimigos em seguida, aqui não temos essa possibilidade, só podendo ser aumentada através de itens, mas nem tal aumento chega ao número exacerbado que tínhamos antigamente.
E assim como nos jogos mais atuais da série, temos a presença daqueles brilhos azuis e vermelhos durante os ataques dos inimigos. Cada um dos brilhos nos informam de uma ação que devemos realizar. Sendo o brilho azul, a capacidade de defletir o golpe, e vermelho, de perigo, só podemos nos esquivar, se não levaremos um golpe que irá retirar bastante de nossas vidas.
Além de tais modificações no combate, foram realizadas também alterações cruciais em missões de escuta e perseguição furtiva de inimigos. Normalmente, quando se era detectado durante alguma parte da missão, a mesma falhava de forma imediata, não dando ao jogador outra opção, sendo necessário o mesmo repensar em como seguir. Os desenvolvedores modificaram as missões deste tipo, ainda permanecendo tais partes, porém caso sejamos detectados, a missão continua a se desenrolar da mesma forma que antes, porém acaba-se de nós entrarmos em combate com os inimigos ou tendo que persegui-los até o local de destino caso ficássemos quietos, facilitando e muito a nossa vida.

Navegação e combate naval
Felizmente, o combate naval e navegação continua da mesma forma que já existia em Assassin’s Creed IV: Black Flag, não sendo muito modificado, tal como também, da última vez que o tivemos em sua forma íntegra, em Rogue, e em ambos os títulos, o combate já era excelente. Desta vez, com a inserção de novos oficiais para o Gralha através das missões mencionadas anteriormente, cada um deles trouxe novas mecânicas de para o combate naval. Um exemplo de tais mecânicas, é que um determinado Oficial, ao recruta-lo, temos a possibilidade de atacar o navio inimigo realizando um investida frontal em alta velocidade, ocasionando um grande dano no navio inimigo. Tal ataque naval foi visto pela primeira vez em Assassin’s Creed Rogue.
No título original, quando tínhamos que atracar em alguma cidade, normalmente passávamos por telas de carregamento, das quais duravam um certo tempo, e o mesmo ocorria quando queríamos sair de tais cidades. E agora, com o poder dos SSDs dos novos consoles da nova geração, não temos mais essa tela de carregamento para quando formos atracar o navio no porto de qualquer cidade grande. Tal mudança, possibilita o gameplay bem próximo de tomada única (One-Take, como visto em God of War (2018) e Ragnarök), sem quebrar o ritmo da história. Apesar de que, ainda existe carregamentos em situações bem específicas, mas o jogador vai se lembrar muito pouco de tais momentos, sendo tais telas de carregamentos, bem rápidas.
Leave her, Johnny, leave her
Tomorrow you will get your pay
And it’s time for us to leave her
Claro, não podemos esquecer de citar que, as músicas que eram cantadas enquanto navegávamos volta e muito forte aqui em Assassin’s Creed Black Flag Resynced, contando inclusive com novos arranjos musicais e novas versões de músicas. E falando de navegação, o mapa geral do título aparenta ter recebido uma bela expansão (tanto em mar quanto em terra), pois não é mais tão rápido irmos de um ponto ao outro, agora demoramos um pouquinho mais comparado ao Assassin’s Creed IV original, e não é ruim, pois é possível ver que tiveram carinho e dedicação ao voltarem nesse jogo que é tão querido pelos fãs.

Deleite para os olhos
Assassin’s Creed Black Flag Resynced passou por uma grande melhoria visual, quando comparado ao título original, até mesmo quando comparado a títulos recentemente lançados da série.
Neste título, os personagens foram recriados para transmitir mais sentimentos em seus rostos nos diálogos, para casar a sua fala com o que ele quer mostrar através de sua face, coisa que estava ausente nos títulos atuais da série, chegando a serem até mesmo, genéricos.
O mundo está muito mais rico e detalhado, graças a novas tecnologias aplicadas ao título. As cidades apresentam aquele desgaste do tempo, além de estarem com texturas extremamente bem feitas, com cores que se destacam e se diferenciam, diferente daquele padrão amarelado que tínhamos presente no título original.

Modernização na Interface do Usuário
Como já é de se esperar, a série Assassin’s Creed vem padronizando os seus menus nos últimos títulos, tornando-o como se fosse uma espécie de RPG, com inventário, armadura, armas, e acessórios a serem escolhidos. No original, tínhamos um menu bem simplistas por assim dizer, onde podíamos gerenciar o navio e frota, trocar de equipamento e outras opções.
Com a modernização que a série vem aplicando, chegamos a ter uma quantidade enorme de espaços para quando abrisse o inventário, como capacete, botas, luvas, armadura, possibilidade de equipar dois arcos, montaria, e por aí vai. Em Black Flag Resynced, tais alterações acredito estarem indo ao caminho certo, pois vem sendo lapidado título após título, e aqui, sendo de forma minimalista, listando somente o necessário, a vestimenta, arma corpo a corpo e a distância, acessórios, mascote do navio (substituindo o espaço da montaria). Sem opções exageradas.

Desempenho maravilhoso
Durante toda a minha jornada, eu estive jogando e gravando a minha campanha para o meu canal do YouTube (se não conhece, clique aqui), porém em certos momentos, quando estava realizando somente atividades secundárias, não realizava as gravações, então existia dois cenários de comportamento, quando gravava e quando não gravava.
Como dito acima, durante as gravações, pude perceber que o título se comportava com um desempenho extremamente satisfatório, sendo que a resolução do jogo era em 4K (3840×2160), com presets no médio, Ray-Tracing ativado, DLSS Desempenho e com geração de quadros ativado em 2x. E o título conseguia manter os 60 quadros por grande parte, do tempo, visto que, eu mesmo limitava o título a chegar no máximo a tal taxa (meu monitor é somente de 60Hz).
Em algumas partes, mais precisamente quando existiam muitos inimigos em tela, combates navais com muitos navios, ocorria de cair os quadros não devido meu PC não aguentar, mas sim por estar gravando em conjunto, do qual puxava bastante processamento. Porém, ele sempre se mantinha ali, variando bastante na casa dos 40 a 55 quadros em tais circunstâncias.
Já em momentos dos quais eu não gravava, o jogo sequer apresentava quedas de quadros perceptíveis. Inclusive, mesmo alterando o DLSS de Desempenho para Qualidade, sem mexer em mais nada. Ou seja, o título está muito bem otimizado para o meu PC (GPU RTX 4070 12GB, CPU Ryzen 5 5600X e Memória 32GB 2666MHz).
Assassin’s Creed Black Flag Resynced acerta em enaltecer e recriar um de seus títulos mais queridos com um combate dinâmico e moderno, uma grande melhoria visual e com um ar nostálgico extremamente forte. A remoção da narrativa do presente acaba sendo uma mudança muito bem-vinda ao título. E claro, a adição de novos conteúdos dão uma revitalizada maior ainda além das melhorias apresentadas.
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Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Ubisoft para PC. O título está dublado em Português (Brasil), e também está disponível para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.