
The Eternal Life of Goldman começa com uma belíssima animação: um babuíno corre em disparada para escapar de uma caverna em chamas e prestes a desmoronar. Pelo caminho, ele salta por plataformas quebradiças, escapa por um triz de armadilhas letais e atravessa uma passagem tomada pelo fogo. Num último ato de desespero, o animal se lança no vazio e consegue se agarrar às patas de uma grande ave cinematográfica. Mesmo com parte do corpo ainda em chamas, ele é carregado até uma área segura. É então que um corte abrupto e impactante muda a cena, revelando o verdadeiro herói da nossa jornada: Goldman.

Goldman é um senhor de idade que traz consigo sua inseparável bengala multiuso e modular. Com ela, podemos derrotar inimigos ao melhor estilo DuckTales dos 8-bits: ao saltarmos, usamos a ferramenta como trampolim para cair sobre os adversários e causar dano. Após fazermos o devido upgrade no cabo, a bengala ganha uma função de gancho, permitindo arrastar objetos e se pendurar em argolas fixadas em balões para alcançar plataformas superiores.
A bengala de Goldman é a grande estrela da jogabilidade. Ela é dividida em três partes distintas: cabo, haste e ponta. É aqui que o level design do jogo brilha. O jogador tem total liberdade (desde que possua os upgrades necessários) para moldar as partes da ferramenta como desejar. Essa troca é feita de forma instantânea através do D-Pad (direcional), adaptando-se perfeitamente às exigências e variações que as fases impõem.

O visual impressiona. O jogo funciona como um de plataforma sidescroller 2D inteiramente desenhado à mão, utilizando técnicas tradicionais de animação quadro a quadro (semelhante ao que vemos em Cuphead e Hollow Knight). A gameplay é extremamente fluida, acompanhada por uma belíssima direção de arte e gráficos super detalhados que enchem os olhos de quem está desfrutando da obra.
Pelo pouco que pude perceber na demo, a história parece ser narrada por dois meios distintos, dando a entender que uma mãe conta essa aventura para seu filho de mente criativa. De forma oficial, a trama nos leva a um arquipélago misterioso com a missão de encontrar e derrotar uma criatura mística conhecida como “A Divindade”. Prefiro conferir a fundo como essa narrativa vai se amarrar quando a obra for lançada de forma integral, oportunidade em que trarei uma análise completa aqui para o site.

A demo, que oferece cerca de 90 minutos de conteúdo, foi a oportunidade perfeita para testar esse jogo que eu já vinha namorando há tempos por meio de trailers e anúncios. Nela, pude experimentar vários biomas, cada um com uma temática diferente e desafios diversos. À medida que novos upgrades para a bengala surgem, novas possibilidades aparecem, dando contorno e complexidade ao level design.
Os inimigos também se renovam, incluindo lutas contra chefes que, ao contrário dos adversários comuns, dependem da resolução de pequenos quebra-cabeças para que possamos causar dano. Nesses novos biomas —, é possível encontrar passagens secretas, itens consumíveis, colecionáveis e recursos de evolução para o personagem. Conforme progredimos, novos personagens são apresentados e pedaços de ambas as histórias vão sendo revelados, tornando a experiência cada vez mais rica e misteriosa. Experimentei a versão de testes no PlayStation 5 e o resultado é muito promissor, me deixando genuinamente animado para jogar a versão final.

Desenvolvido pela Weappy Studio (mesma criadora da aclamada série This Is the Police) e publicado pela THQ Nordic, The Eternal Life of Goldman ainda não possui uma data de lançamento específica, mas está confirmado para chegar ainda em 2026 para PC (via Steam e Epic Games Store), PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch. Se você curte jogos de plataforma desafiadores e que recompensam a criatividade do jogador, vale a pena ficar de olho.