Necrophosis: Full Consciousness – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises27/05/202617 Visualizações

Necrophosis: Full Consciousness é uma aventura de terror psicológico atmosférica e lovecraftiana, desenvolvida pela Dragonis Games e publicada pela PQube Limited. Esta edição definitiva inclui o jogo base e a DLC Subconsciousness, levando os jogadores a uma jornada surreal e macabra por um universo consumido pela decadência. Nesta análise, construída com base em minhas diversas horas de jogo, pretendo salientar minha experiência com a obra de maneira sincera e objetiva.

​A trama de Necrophosis: Full Consciousness inicia-se com o nosso despertar bilhões de anos no futuro, em um cosmos degradado e totalmente em ruínas, onde encarnamos a própria “consciência”. Após sairmos de nossa cápsula de hibernação, deparamo-nos com os restos desse universo praticamente morto, no qual as sombras de uma civilização e as glórias de um passado rico e grandioso são claramente refletidas em estruturas colossais e majestosas.

​Aqui, tudo o que ainda respira quase se rasteja de forma melancólica. Muitos seres, em troca de conhecimento e sabedoria, almejam a morte definitiva para finalmente obter o descanso. Cabe a nós, na tentativa de alcançarmos nossos objetivos, agir para que isso aconteça e, assim, prosseguirmos em nossa jornada.

Para nos contextualizarmos sobre os acontecimentos que levaram essa incrível civilização à decadência, seremos auxiliados por diversos NPCs, além de tabuletas e mecanismos de informações espalhados pelas ruínas. Alguns personagens se apresentarão para nos guiar durante o trajeto — como, por exemplo, o ceifador de almas, que busca por elas para liberar a passagem em direção ao nosso objetivo final. Este propósito, contudo, deixarei em segredo, instigando a curiosidade dos jogadores que, assim como eu, desvendarão uma jornada certamente singular.

​A narrativa de Necrophosis se constrói de forma ampla e instigante através da exploração, da resolução de puzzles ambientais e da leitura de arquivos de texto espalhados pelo mundo do jogo.

A jogabilidade deste título se mostra bastante simples e direta, consistindo de forma intrínseca de, na resolução de quebra-cabeças ambientais, exigindo exploração apurada, interação com NPCs e objetos, além de uma boa dose de raciocínio lógico. Aqui, quase tudo o que reluz pode ser interagido e, prestando atenção às dicas, o jogador conseguirá prosseguir sem grandes dificuldades.

​Para explicar de maneira didática: imagine um ambiente desorganizado onde você localiza as peças e procura os lugares certos (ou os NPCs com demandas) para posicioná-las em seus devidos lugares. Para facilitar, basta observar suas formas geométricas para encontrar a solução do enigma. Uma vez resolvido, acessamos uma nova área, e uma nova camada desse ciclo se repetirá até a conclusão.

​É claro que, a cada nova etapa, mecânicas inéditas de quebra-cabeças e interações são apresentadas. A dificuldade será particular para cada indivíduo, já que o título depende de uma exploração minuciosa e, em muitos momentos, os objetivos não são explícitos, trazendo uma camada extra de desafio.

​Falando um pouco dos gráficos, o jogo no geral é bonito e variado para os padrões e o escopo da produção. Os ambientes são amplos e contam com efeitos práticos vistosos, mas tudo se revela mais atraente quando visto de longe, pois de perto, várias texturas se mostram borradas e serrilhadas. A movimentação dos poucos inimigos que o jogo possui é travada e a física de movimentação dos mesmos é precária, lembrando jogos de gerações passadas — o que, para a proposta independente, é compreensível.

​Já no quesito direção de arte, tudo é colossal e majestoso, com paletas de cores vibrantes, bem saturadas e condizentes com a proposta de horror cósmico apresentada. São estruturas ambíguas e um mundo estranho que, ao mesmo tempo, se faz familiar. Ao explorar e interagir, tudo se torna visualmente palatável e coeso. Por mais grotesco que esse universo seja, a atmosfera transmitida é envolvente, fazendo com que o conjunto da obra se torne fascinante.

A trilha sonora de Necrophosis é, possivelmente, o ponto alto da obra. Minimalista e bem encorpada, ela casa perfeitamente com todos os momentos, além de transmitir a devida sensação atmosférica para cada etapa da jornada. Existe uma certa característica nos ruídos desse tipo de obra que causa estranheza inicial, mas, da mesma forma que a direção de arte atua, o jogador logo se acostuma e tudo se torna familiar — mesmo sendo algo totalmente diferente do mundo real. “Incomparável” é o melhor adjetivo para simplificar a sensação que a música nos transmite.

​No quesito sonoplastia, a parte técnica é satisfatória; não entrega o mesmo brilhantismo da trilha sonora, mas condiz com o conjunto, sem destoar dos demais aspectos. O mesmo vale para as atuações na dublagem: são boas, mas não elevam o patamar da obra.

Durante a minha experiência com Necrophosis: Full Consciousness — que é uma versão aprimorada e com todo o conteúdo disponibilizado dois anos antes exclusivamente para PC —, a minha sensação é de que valeu a pena o tempo investido. A história é estranha e obtusa, e a forma como é apresentada a torna ambígua, assim como boa parte do universo do jogo, que se inspira na obra de H. P. Lovecraft e pode ou não agradar aos fãs. No meu caso, que já tive contato mas pouco conheço a fundo, a minha relação foi muito agradável tanto com o universo quanto com a atmosfera.

​No quesito jogabilidade, achei razoável a qualidade dos quebra-cabeças, pois, uma vez que o jogador entende o padrão, dificilmente terá dificuldades ou será surpreendido. Já os gráficos, direção de arte e desempenho (o jogo foi testado no PlayStation) são satisfatórios, com ressalvas para as texturas vistas de perto, que são borradas e possuem serrilhados visíveis, destoando da beleza proporcionada pela bela direção de arte de cores vivas e variadas. O áudio, de longe, é o melhor aspecto e eleva a obra no quesito trilha sonora; os demais componentes cumprem bem o seu papel, tornando a experiência gratificante, principalmente nos momentos finais.

Veredito

Necrophosis: Full Consciousness é uma recomendação certeira para entusiastas do horror cósmico, de narrativas contemplativas e misteriosas. Embora tropece em limitações técnicas visíveis — como texturas em baixa resolução quando vistas de perto e animações de inimigos datadas — o título compensa suas fraquezas com uma direção de arte monumental, puzzles lógicos honestos e uma trilha sonora memorável que dita o tom da solidão espacial. Não revoluciona o gênero dos puzzle adventures, mas entrega uma jornada curta, imersiva e esteticamente fascinante que respeita o tempo do jogador.

Nota

7

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela PQube Limited para PlayStation 5. O título está localizado em Português (Brasil), e também está disponível para Xbox Series X|S e PC (Steam).

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