
Grind Survivors é um roguelike de ação shoot ’em up desenvolvido pela Pushka Studios e distribuído pela Assemble Entertainment. O jogo mergulha o jogador em uma caça a demônios em uma terra pós-apocalíptica consumida pela corrupção. Nele, cada tentativa é uma luta pela sobrevivência e cada derrota representa uma oportunidade de se tornar mais forte.
A progressão, que permite superar desafios em níveis de dificuldade crescente, é implacável. Cabe ao jogador elevar o nível de seus equipamentos, evoluir talentos através da árvore de habilidades e compreender o que cada sistema de evolução tem a oferecer.
A história de Grind Survivors é contada através da jogabilidade e de cada tentativa — seja ela um fracasso ou uma vitória conquistada. Toda a compreensão que descrevi na introdução desta análise foi extraída da página oficial do jogo, já que o título não conta com diálogos, arquivos de texto ou áudio para nos contextualizar.

No jogo, encarnamos o papel de um dos quatro caçadores disponíveis (três deles dependem de progressão para serem desbloqueados). Cada um possui características, armamentos e habilidades próprias, liberados ao cumprirmos metas ou completarmos desafios. Progressão, neste gênero, é a palavra-chave e o que nos motiva: a cada tentativa e erro, chegamos mais perto da vitória.
A jogabilidade parece simples à primeira vista — e, de fato, sua execução é direta —, mas o jogo revela diversas camadas de profundidade conforme avançamos. A progressão é extensa e se desdobra à medida que superamos níveis de dificuldade na arena e completamos objetivos fixados na tela. Ao cumpri-los, desbloqueamos vantagens permanentes para partidas futuras, além de novos equipamentos. Estes últimos são assegurados a partir do momento em que conseguimos coletá-los, geralmente, os melhores itens caem de inimigos mais desafiadores, como subchefes e chefes.

Uma vez no combate, o desafio inicial consiste em sobreviver por 10 minutos (tempo que aumenta conforme o nível da arena). As hordas de inimigos intensificam-se a cada minuto, aumentando em volume e perigo. Em momentos específicos, surgem subchefes que prendem o jogador em arenas reduzidas, cercadas por fogo intransponível. Nesses trechos, o desafio é duplo: derrotar o subchefe enquanto se lida com as hordas que invadem o espaço limitado. Ao final do tempo, ocorre a batalha definitiva contra o chefe do nível.
Durante a partida, o jogador sobe de nível ao coletar cristais de experiência, cujos valores variam conforme a cor. A cada novo nível, uma tela de seleção oferece quatro opções de vantagens. É aqui que o jogo brilha:

Os gráficos de Grind Survivors são estilizados, mesclando modelagens em 3D para os personagens, inimigos e arena, enquanto os menus apresentam artes em 2D com excelente detalhamento e navegação intuitiva. A direção de arte das arenas remete a Doom, apresentando um mundo pós-apocalíptico com demônios surgindo de todas as direções. No modo “Kill-Kill”, embora os cenários possuam poucos detalhes marcantes, eles conseguem retratar com fidelidade a atmosfera e a temática propostas.
A trilha sonora é condizente: uma mistura de música techno com batidas de rock ‘n’ roll pesado. Ela casa bem com a atmosfera, embora não seja memorável. A sonoplastia cumpre seu papel, replicando com qualidade os ruídos dos combates e efeitos do jogo.
Nas mais de 20 horas que passei jogando Grind Survivors, fiquei com a sensação de mal ter arranhado a superfície. Ao mesmo tempo que aparenta ser simples, ele se mostra robusto e repleto de camadas em sua progressão. É modesto em termos gráficos e sonoros, mas possui uma execução sólida e muito conteúdo. Para quem curte o gênero, é uma opção de diversão intensa que pode render muitas horas de jogatina.
8
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Assemble Entertainment para PlayStation 5.