Tales of Arise: Beyond the Dawn – Análise

Jackson FrançaAnálises06/07/20269 Visualizações

Nas décadas de 80 e 90, surgiram diversas franquias RPG que se consagraram clássicas com o passar do tempo, como Dragon Quest, Final Fantasy, Chrono Trigger. E nesse meio, em 1995, lançava o primeiro título da franquia Tales of, desenvolvido pela antiga Wolf Team, atual Namco Tales Studio, e publicado pela Namco (atual Bandai Namco), Tales of Phantasia para SNES.

Diversos títulos foram sendo lançados com o passar dos anos para diversas plataformas, incluindo até mesmo ports, remasters e remakes. E um dos seus últimos lançamento, remaster de Tales of Berseria, escrevemos uma análise para avaliar como estava o seu remaster para a atual geração de consoles.

Por quê uma análise agora?

Após quase 5 anos desde o seu lançamento original, Tales of Arise recebeu conteúdos novos e colaborações com outras franquias. E agora, a Bandai Namco lançou uma versão para Nintendo Switch 2, com todo o seu conteúdo lançado anteriormente nas demais plataformas, incluindo a sua expansão Beyond the Dawn.

O intuito desta análise é conferir como ficou o port de Arise para o Switch 2, apesar de eu mesmo já ter jogado o título por dezenas de horas no PlayStation 5.

Beleza, mas como é a história?

Em Tales of Arise, a história se passa em Dahna, um dos Mundos Gêmeos, sendo o outro Rehna (do qual dá para ser visto no céu a partir de Dahna), mas dificilmente é utilizado tal referência, vide que os rehnanos desprezam os dahnianos desde que invadiu Dahna há três séculos, fazendo com que muita cultura do povo fosse esquecida com o passar do tempo. Com esta invasão, os dahnianos foram transformados em escravos, e eles são referenciados como “Nucleados”, um termo preconceituoso e pejorativo, para se referir aos escravos, dos quais possuem núcleos que se parecem com pedras em suas mãos.

Com a invasão, Dahna foi dividida em cinco regiões, comandadas por diferentes rehnanos. Cada região possui uma energia Astral dominante, como Fogo e Gelo, por exemplo.

A história começa com Máscara de Ferro, um dos escravos que trabalham nas minas de Cázália, umas das diversas regiões de Dahna. Em dado momento, Máscara se joga na frente de um ataque de um dos guardas rehnanos para proteger uma criança escrava da qual estava sem força, mas ele não sentiu nenhuma dor ao receber o ataque do guarda. Após o ocorrido, e com insistência da criança, ele vai procurar o médico para verificar seus machucados. Ao mesmo tempo, Shionne, uma rehnana, foi capturada por guardas rehnanos do regente de Cazália, Lorde Balseph, porém em um momento de descuido, ela consegue se livrar dos guardas e fugir, caindo precipício abaixo.

Máscara de Ferro, ouve um grito, e corre em direção a um dos vagões, e conhece Shionne. Máscara ouve gritos de guardas dizendo que viu avistaram-na perto dos trilhos e ambos decidem fugir liberando os vagões. Porém, isso não dura muito tempo, e guardas conseguem alcança-los utilizando outros vagões. Durante a fuga, aparecem membros da resistência de Cazália, que desejam acabar com o regente. Quando pensaram que estavam seguros, Shionne é apriosionada por Zephyr, líder da resistência, por ser uma rehnana, além de que também, alguns soldados de Zephyr tentaram se aproximar dela, mas foram feridos devido a maldição que ela possui, da qual gera espinhos para machucar qualquer um que fique próximo.

Durante a estadia, o esconderijo da resistência é atacado pelos guardas de Cazália. Shionne e Máscara de ferro se encontram durante parte da fuga e decidem juntar forças até que, em dado momento, o Núcleo de Shionne se manifesta e Máscara de Ferro retira uma espada de fogo diretamente de seu busto, da qual acaba com os inimigos ao seu redor com extrema facilidade. Devido tal ataque, eles se juntam a resistência para depor Lorde Balseph.

No dia seguinte, Shionne, Máscara de Ferro e a resistência partem para o Castelo de Cazália, local onde Lorde Balseph reside. Lá, a resistência se separa de ambos para que eles possam se infiltrar e utilizar outro caminho, atraindo assim a atenção dos guardas rehnanos. Ao chegarem nos aposentos de Balseph, Shionne e Máscara travam uma batalha da qual, o Lorde impõe um controle forte de Ars Astrais de fogo, e com um ataque impiedoso, avança em direção ao Máscara, e o mesmo também avança em um ataque contra o Lorde. Ao seus ataques se encontrarem, parte da máscara de Ferro cai, revelando um pouco de seu rosto, e Lorde foge para o andar superior do seu castelo.

Ao subir, Shionne e Máscara enfrentam novamente Balseph, e ao derrotá-lo, surge um enorme monstro feito inteiramente de energia astral de fogo que devora Balseph. Atônitos com o que acabara de ocorrer, Máscara ergue a espada de fogo e consegue absorver toda a energia astral, fazendo com que o monstro desaparecesse e todo o fogo que cobria o castelo fosse apagado, incluindo o fogo presente nos Portões de Fogo, a fronteira de Cazália com o reino vizinho.

A partir deste momento, Shionne e Máscara, ou melhor, Alphen, do qual se acabara de recobrar qual era o seu nome após parte da máscara ter sido removida no embate contra o Lorde, começam uma jornada de destronar todos os Lordes de Dahna e darem liberdade aos dahnianos.

Uma ótima maneira de contar histórias

Após passarem pelos Portões de Fogo de Cazália e irem rumo aos demais reinos, Shionne e Alphen começam a receber outros personagens em seu grupo, aumentando o número de membros até certa parte da jornada, e permanecendo com eles até o final.

O desenvolvimento da história gira muito em torno do conflito entre Rehnanos e Dahnianos, além de claro, de Shionne e Alphen. E falando deles, a forma de como inicia o relacionamento deles durante a jornada, e o desenvolvimento do mesmo, merece muitos elogios. No início, ambos se estranhavam muito, mas com o decorrer da aventura, foram se aproximando, mostrando pequenas preocupações um com o outro, ajudando, defendendo, até mesmo em outros momentos, onde a Shionne fica com vergonha de algumas palavras que Alphen não percebe, mas acaba deixando-a feliz.

E como dito anteriormente, o grupo cresce, não ficando restrito aos dois, mas a interação de ambos com os demais membros são bastante legais, mostrando que souberam escrever bem a história dos demais personagens, dando uma profundidade aos mesmos, mas também aos conflitos que todos passam.

A história de Tales of Arise não é muito diferente de qualquer JRPG, porém cada arco que passamos normalmente é ligado a algum dos personagens do grupo, dando um maior foco nele, um desenvolvimento, ou que é ligado a algum acontecimento que ocorreu anteriormente. O que em outros jogos acaba faltando, aqui é perfeito, pois não se estende muito, mas dando continuidade na medida certa, sem cansar o jogador.

A união de RPG e ação em tempo real

Normalmente em títulos de gênero RPG, quando há uma quantidade de membros a serem definidas para você jogar, como por exemplo, em Clair Obscur: Expedition 33, você tem 6 personagens para jogar, porém sua equipe só pode ser utilizar até 3 personagens. Ou até mesmo o Final Fantasy XV, do qual lançou alguns anos antes, só podíamos controlar o protagonista livremente fora do combate e mais 3 companheiros na equipe (dos quais podiam ser controlados em combate após as últimas atualizações).

Em Tales of Arise, não acontece isso. Quando entramos em uma luta, todos os membros da equipe se reúnem para lutarem juntos contra o inimigo. E durante a luta, temos alguns artifícios para o combate e tal como para usar habilidades dos personagens.

Primeiramente, vamos conversar um pouco sobre a configuração de habilidades dos personagens. Na luta, os demais membros da equipe podem usar todas as habilidades se elas estiverem “ativadas” para serem utilizadas nas configurações quando são controlados pela própria IA (inteligência artificial) do jogo. Sendo assim, se você habilitar todas, eles vão utilizar, não somente as de ataque, mas as de cura também, desde que o personagem tenha.

Além disso, podemos mudar livremente para qualquer personagem durante a luta. Por padrão, começamos a luta sempre controlando o Alphen, mas podemos mudar para a Shionne por exemplo, da qual usa um rifle como arma. Porém, é aqui que está o pulo do gato. Não podemos usar todas as habilidades. O título te limite a utilizar no máximo três habilidades no chão, mais três habilidades aéreas (para quando você estiver realizando um combo aéreo ou ao jogar um inimigo para o alto e for em sua direção). Tais habilidades podem ser configuradas da forma que quiser pelo jogador, só se restringindo claro, ao local onde pode ser equipada, em habilidades terrestres ou aéreas.

E se você pensa que pode usar as habilidades a todo instante, está muito enganado. Para conseguir utilizar, é preciso ficar golpeando os inimigos com ataques básicos. Ao golpear, irá preencher pequenos ícones (cristais) na barra de vida do próprio personagem que está controlando. E dependendo da habilidade, pode usar um ou mais ícones para soltar.

Durante o combate também, podemos fazer com que os nossos membros soltem suas Ars ao preencherem a barra que está em seu ícone no lado esquerdo da tela. Dependendo, o ataque pode ser feito de forma individual ou será realizada em dupla, mas isso não irá alterar o dano final da habilidade. E tal barra, irá aumentar de acordo com que os membros atacam os inimigos, com ataque básico ou utilizando suas Ars.

E claro, não seria RPG se não existisse armaduras, árvores de habilidades e armas. Aqui, em Tales of Arise, cada personagem possui seu próprio equipamento, arma e armadura, porém equipamentos secundários, como acessórios, podem ser equipados com qualquer personagem.

Citando um ponto positivo em relação às armas e armaduras, cada um desses equipamentos possuem ícones diferentes para cada um dos personagens. Por exemplo, Alphen utiliza armadura e espada, então o ícone de equipamentos que são deles terão esse ícone. Já para Shionne, ela utiliza rifle e vestido longo como equipamento, então os ícones serão rifle e vestido longo (sim, tem outro personagem que usa vestido curto, porém não vou dar spoiler não viu).

Além disso, as armas podem ter um elemento atrelado além dos atributos normais, dos quais podem fortificar as Ars Astrais que os personagens usam.

Já em referência a árvore de habilidades, ela não é complicada, mas fornece mais como um suporte para fornecer novos ataques e conceder bônus durante o combate. Um exemplo disto, é dar mais dano de penetração quando o inimigo estiver com menos de 50% da sua vida, resultando em maior dano. Ou um nó que possibilite aumentar a cura recebida, caso o personagem esteja com menos de uma certa porcentagem de vida. E claro, alguns nós vão fornecer novos ataques. E cada hexágono da árvore, que é como a árvore é dividida, ao completar os nós que o envolvem, o hexágono fornecerá um bônus adicional para o personagem. Aqui no título, cada personagem possui sua própria árvore.

Um port magnífico

Visualmente, Tales of Arise é um título que possui uma linda direção artística, tornando-o bem único, principalmente em como os personagens principais, vilões e o seu mundo. Alguns dos cenários de Arise são lindos, alguns deles sendo bem grandes. E diferente de jogos RPG mundo aberto, os mapas são divididos em seções, das quais algumas podem ser curtas e outras bem maiores.

Neste quesito, Arise utiliza essa ideia, para apresentar cenários que conseguem se mesclar de uma forma muito natural, tornando a alteração dos ambientes muito natural, ao invés de utilizar um mundo aberto, do qual não iria funcionar muito bem em como o título apresenta a sua história. E com esta premissa, ainda rodando em um console portátil como o Nintendo Switch 2, o título consegue entregar uma qualidade gráfica bem similar a geração antiga (PlayStation 4 e Xbox One).

Em dados momentos do título, é possível perceber que o o Draw Distance (capacidade de visualizar objetos longes), acaba ocorrendo alguns Pop-Ins (aparição de objetos quando o jogador está próximo) dependendo do mapa do qual o jogador se encontra. Isso ocorria muito mais em cidades, onde eu estava correndo e do nada o personagem parava, aparecendo o NPC do qual estava me bloqueando. Já em locais fora de cidades, isso ocorria mais com elementos secundários e com monstros, dos quais carregavam a uma distância até que, considerável do jogador.

Em momentos dos quais acabávamos indo para o menu do jogo, alterar equipamentos ou abrir o mapa do local, e logo depois retornava para o jogo, a textura do jogo acabava que ficando borrada por um segundo, e depois voltava a carregar normalmente. Talvez este comportamento seja devido a como o jogo foi projetado, ou até mesmo como foi otimizado para o Switch 2.

Uma das coisas que mais percebi, foi a diferença do desempenho do jogo quando estava ocorrendo uma cena e durante a exploração ou batalhas ao jogar.

Durante cenas da história, era muito perceptível que o jogo se comportava de maneira diferente, apesar de eu estar jogando durante todo o momento no modo portátil, era possível perceber que os FPS (quadros por segundo) estavam ali na casa dos 60, ou em momentos em que a cena consistia de muita ação, caia um pouco, mas depois voltava se estabilizar.

Porém, o jogo muda um pouco durante a exploração e batalhas, do qual o jogo já fica limitado aos 30 FPS. Existem locais do quais os mapas são muito mais condensados de elementos e NPCs, diminuindo bem pouco o FPS. E em momentos em que as lutas contra chefes possuem muitos efeitos ou até mesmo habilidades dos personagens sendo utilizadas, Switch 2 consegue segurar muito bem esses momentos, com breves quedas de quadros que são rapidamente recuperadas, e voltam a se manter nos 30.

Veredito

Tales of Arise: Beyond the Dawn nos apresenta uma história envolvente, com um excelente gameplay e uma performance digna de diversos elogios. Com a sua chegada para Nintendo Switch 2, Tales of Arise se torna um título obrigatório para quem curte RPG.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Bandai Namco Entertainment para Nintendo Switch 2. O título está localizado em Português (Brasil), e também está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC (Steam).

Anterior

Próximo Post

Procurar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...