Poppy Playtime: Capítulo 5 – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises08/06/202675 Visualizações

Desenvolvida e publicada pelo estúdio Mob Entertainment, Poppy Playtime é uma franquia de sucesso que mistura ação, terror e quebra-cabeças.

​O primeiro capítulo foi lançado ao público no Steam em 2021 e aclamado mundialmente, consolidando a marca e o personagem Huggy Wuggy como ícones da indústria de videogames. O jogo rapidamente se tornou um fenômeno nas comunidades do YouTube e da Twitch, sendo transmitido por alguns dos maiores streamers do mundo, além de inspirar uma vasta produção de fanarts, teorias sobre a história, cosplays e animações.

​”Coisas Quebradas” chega como o quinto título da série numerada. Neste novo capítulo, assumimos novamente o papel do protagonista, que ficou conhecido como o “Açougueiro da Playtime”. A missão permanece clara: escapar, sobreviver e cooperar, utilizando um par de luvas mecânicas (GrabPacks) para resolver uma série de enigmas complexos e avançar na trama.
​Esta é a minha primeira empreitada na série, mas, após conferir algumas amostras de gameplay e me aprofundar no rico universo da franquia, decidi mergulhar de cabeça. Nesta análise, compartilho com vocês a experiência conquistada ao longo de mais de 15 horas de jogatina (com direito a troféu de platina).

​Poppy Playtime: Capítulo 5 começa com um comercial típico dos anos 90 em formato VHS, introduzindo uma nova e perturbadora linha de bonecos de pelúcia da Playtime Co. Em meio à propaganda repleta de crianças felizes, surgem pequenos e sinistros trechos de horror — uma sutil e fragmentada amostra do verdadeiro universo que aguarda o jogador.

​Após o término do comercial, o jogo inicia seu prólogo-tutorial colocando o ex-funcionário da fábrica em uma perseguição implacável. O icônico Huggy Wuggy destroça uma porta atrás de nós e, transformando o que parecia uma área segura em um pesadelo, dá início a uma fuga frenética. Conduzidos pelo som ecoante de passos pesados nos dutos de metal e por uma trilha sonora opressiva, nossa única solução para sobreviver é sair em disparada. O jogador deve deslizar por debaixo de aberturas improvisadas e utilizar o gancho para alcançar plataformas superiores, garantindo acesso a novas áreas de um cenário industrial parcialmente destruído.

Nesse momento, outras mecânicas cruciais são introduzidas, mostrando a versatilidade das GrabPacks. O jogador aprende a utilizar as mãos azul e vermelha para hackear e abrir trancas digitais, liberar passagens obstruídas e resolver os primeiros desafios de plataforma que servirão de base para o restante da jornada.

​Ao fim dessa perseguição desesperada, nossas GrabPacks são violentamente arrancadas pelo próprio monstro — em um momento de pura vulnerabilidade que remete a God of War II, quando Zeus drena os poderes de Kratos. Sem ferramentas e completamente indefeso, o jogador é forçado a entrar em um novo ciclo de gameplay focado em furtividade, culminando na sua chegada ao Centro de Reciclagem e Reaproveitamento, uma área escura, claustrofóbica e parcialmente abandonada.

​O jogo se passa quase em sua totalidade em um grande complexo industrial dividido por setores. A cada nova área, somos apresentados a novos desafios de plataforma e resoluções de quebra-cabeças, assim como a novos personagens (aliados ou não) e inimigos.

​Além dos diálogos diretos com as figuras que vão sendo introduzidas conforme avançamos na história, também conseguimos mensurar todo o horror do passado ao encontrar notas escritas, fitas cassete e fitas VHS com conteúdos perturbadores, tudo imerso em uma atmosfera muito bem construída e contextualizada.

​Para dar mais variedade e profundidade à jogabilidade, novas luvas para as GrabPacks são acrescentadas ao nosso arsenal, além de uma útil lanterna em formato de estrela, capaz de iluminar áreas escuras e revelar segredos ocultos pelo cenário. Por fim, a vasta quantidade de colecionáveis espalhados pelo mapa garante um desafio extra excelente para quem busca atingir os 100% no jogo.

​Poppy Playtime: Capítulo 5 foi desenvolvido na Unreal Engine 5 (motor gráfico utilizado desde o terceiro capítulo), e o trabalho aqui é bastante coeso e competente, levando em conta o escopo do projeto e os custos de produção. O jogo conta com cenários e personagens bem detalhados, texturas de alta qualidade e efeitos práticos satisfatórios. O desempenho é sólido: durante todo o tempo que passei jogando, não presenciei nenhum tipo de bug ou travamento. A direção de arte é excelente e dinâmica, trazendo ótimas variações e paletas de cores saturadas que transmitem perfeitamente a atmosfera desejada. Tudo funciona de forma muito harmônica, tornando este um dos pontos mais altos do título.

​A direção de áudio de Poppy Playtime atingiu um patamar de excelência impressionante. Desde os simples ruídos mecânicos gerados pelas nossas GrabPacks até o som aterrorizante de um perseguidor em disparada, tudo funciona em perfeita sintonia, elevando drasticamente a atmosfera de tensão.

​A trilha sonora da abertura é marcante, assim como as composições minimalistas que ditam o ritmo de cada nova etapa. Inclusive, a experiência se torna ainda mais imersiva quando jogada com fones de ouvido, graças ao excelente aproveitamento do áudio tridimensional (binaural), que permite ao jogador identificar a direção exata de cada perigo.

​A sonoplastia é cirúrgica: ela telegrafa cada movimento e ruído ambiental, sejam eles provocados pelas ações do próprio jogador, pelo cenário ou pelos inimigos. Para fechar com chave de ouro, a dublagem — tanto a original quanto a localização em português do Brasil — dá um show à parte. O trabalho de voz é extremamente bem executado, destacando-se nas mensagens gravadas em fitas cassete e na atuação de um personagem em particular (que deixarei em segredo para não estragar a surpresa de quem for jogar). ​Sem dúvidas, o sound design é o ápice do jogo.

Considerações finais

​A série Poppy Playtime sempre esteve na minha lista de desejos da PlayStation Store. Para ser sincero, nem sei por que demorei tanto para comprá-la, já que sou um grande fã do gênero e o interesse sempre existiu. O preço dos jogos da franquia tem aumentado a cada novo capítulo, mas acredito que isso se deva ao crescimento do escopo, aos valores de produção mais altos e, claro, à desvalorização do real frente ao dólar. Ainda assim, posso afirmar que, pelo menos até o Capítulo 5, vale cada centavo.

​Outra franquia que conheci recentemente, gostei muito e que possui valores de produção semelhantes é a série Bendy. Ela já conta com três títulos lançados no mercado e em breve receberá um novo capítulo. É outra obra que também vale muito a pena conferir.

Veredito

Poppy Playtime: Capítulo 5 consolida a maturidade da franquia ao entregar uma atmosfera industrial sufocante, quebra-cabeças engenhosos e um design de som impecável que dita o ritmo do terror. Mesmo com o aumento gradual no preço dos episódios, o salto no escopo técnico e a execução brilhante na Unreal Engine 5 justificam o investimento, tornando-o obrigatório para fãs de horror games.

Nota

9

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Mob Entertainment para PlayStation 5. O título está dublado em Português (Brasil), e também está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S, PC (Steam e Epic Games Store), Nintendo Switch e Switch 2.

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