Shinobi: Art of Vengeance – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises08/09/2025351 Visualizações

A franquia Shinobi fez sua estreia em 1987 através de fliperamas. Sendo produzido e publicado pela SEGA, o jogo seguia uma fórmula comum de sucesso no final dos anos 80, assemelhando-se a um beat ’em up em seu lançamento. O jogo tinha como protagonista Joe Musashi, que é o mesmo protagonista dos três primeiros jogos da série.

Shinobi: Art of Vengeance inicia-se quando Joe Musashi, do lado de fora da casa, conversa com sua esposa, Naoko, da qual está grávida, sobre como o dia está fresco e agradável, e após carinhos e despedidas, ele vai em direção ao dojô do clã Oboro, onde por sugestão de esposa, possui alunos a ensinar. De repente, sua aprendiz, Tomoe, aparece alegando que os alunos não estão conseguindo executar um certo golpe, e ela diz que são eles e não ela, mas se você pudesse mostrar, ela iria ensinar para o resto da turma para justificar a fama do Clã. Dizendo que vai nos esperar no final do campo.

Depois de uma sequência de saltos em plataformas e uma demonstração de combos básicos (que nada mais é que o primeiro tutorial do jogo), nós nos deparamos com inimigos fortemente armados atacando o vilarejo. Um ninja inimigo confrota Tomoe, dizendo-lhe que, Lorde Ruse vai acabar com todo Clã Oboro, e o mesmo diz que quando nós estivermos “fora do mapa”, nada, nem ninguém, vai impedir eles, a ENE Corp (uma organização terrorista controlada por Lorde Ruse) de dominar o mundo. Nesse momento, começa a primeira batalha do jogo, e depois de eliminarmos todos os inimigos próximos, a aprendiz, Tomoe, diz que temos que correr para o Dojô o quanto antes, antes que seja tarde demais para salvar os demais ninja e alunos do Clã. Chegando ao Dojô nos deparamos com Ruse e seus comparsas, ele exalta nossa presença, e diz que finalmente mostramos o rosto, nos cumprimentando pelo nome, mas peguntando o que achamos do que ele fez com o lugar. E diz logo em seguida que, nosso vilarejo está “fora de questão” e não há mais nada em seu caminho, exceto, Joe Musashi, do qual ainda vive. Logo em seguida, ele ordena que um dos seus comparsas nos ataque, e inicia-se a primeira luta contra chefes do jogo.

A história de Art of Vengeance é uma jornada de vingança, da qual Joe Musashi trava em ver seu vilarejo atacado, em chamas com vários de seus companheiros e alunos mortos. Durante essa jornada, mais aliados morrerão, traições vão acontecer e personagens até então desconhecidos, irão se juntar a nós em busca de vingança.

Shinobi: Art of Vengeance é um jogo de ação e plataforma 2D, com combate beat ’em up e elementos metroidvania. Os comandos são básicos, simples e intuitivos. Com o analógico direito movimentamos o personagem para todas as direções, com botão Quadrado atacamos fraco, com Triângulo atacamos pesado, com o X pulamos, e com o Botão bola, arremessamos projéteis (kunais), além do R1 que serve para rolar/esquivar, e o touchpad para acessar o menu e mapa. Existem comandos especiais, como a Execução Shinobi, que consiste em atacar o inimigo até que sua barra de HP esteja baixa, aparecendo um ícone indicativo em vermelho, possibilitando o golpe, e o comando é efetuado ao apertamos os botões L1 + R1, do qual matará o inimigo instantaneamente, nos recompensando com ouro e vida, bem ao estilo Doom (2016).

Neste jogo, há também a possibilidade de fazermos combos, dos quais são a soma de ataque fracos e fortes, podendo ou não contar com habilidades Ningi (quadrado 5x ou quadrado 2x + Triângulo 1x + ação Ningi). E para realizar tais combos com habilidades Ningi, devemos adquiri-las com o Comerciante (um suíno fantasma) que vende as chamadas “habilidade de combo”, com ouro que conquistamos ao derrotar inimigos, permitindo assim, realizar tais combos, mas algumas delas necessitam serem liberadas antes, como a troca por Relíquias Oboro que obtemos na exploração dos mapas. Essas habilidades vão de comandos básicos, como rolar com R1 ou usar o mesmo botão dentro das Habilidades de combos, possibilitando um maior alcance e um ataque giratório, sendo que só dependem da curiosidade do jogador, pois as outras habilidade vem através da exploração do mapa, derrotar chefes, como as Garras Ninjas, que servem para escalar e pendurar-se em locais demarcados, e assim como essa, outras habilidades serão desbloqueadas ao avançarmos no jogo.

As habilidades Ninpo são, em sua maioria, habilidades espirituais como Ninpo de Fogo, que ateia fogo aos inimigos com um sopro flamejante, causando forte dano, ou Ninpo d’água, que faz com o personagem gire a Katana para bloquear o próximo ataque inimigo (parry) e contra-atacar imediatamente, ótimo para carregar medidores de Execução e causar muito dano a blindagem de inimigos que usam. Essas e as demais habilidades Ninpo podem ser liberadas e compradas na loja do comerciante do jogo.

Por último, temos os Ninjutsus, e essas também são habilidades a serem desbloqueadas com o avanço do jogadores através da exploração e derrota dos chefes. Os Ninjutsus são habilidades que causam dano massivos em todos os inimigos da telas. Tais habilidades são equipadas no menu e utilizam a barra de fúria que é carregada ao tomar dano ou recolhendo essência de inimigos derrotados. O Karyu por exemplo, invoca dragões de fogo, causando dano massivo em todos inimigos da tela, o Shisui invoca uma deusa e ela recupera bastante a vida do personagem, e existem outros tipos que desbloqueamos ao avançar na história.

Saindo das Habilidades e indo para o menu de equipamentos, temos a Katana Oborozuki, da qual pode ser fortalecida através de fragmentos de Katana Sombria que pegamos ao fim dos desafios propostos por um NPC, que é encontrado ao progredirmos no jogo. Os amuletos, dos quais são equipados em dois slots: os passivos e os de combos, e um exemplo de amuleto passivo é o do Vampiro, do qual foi utilizado em boa parte da minha jogatina, que uma vez equipado, gera um pequeno roubo de vida em ataques bem-sucedidos, onde os inimigos deixam orbes de vida cair ao morrerem. Os amuletos de Combo melhoram ataques diretos, como por exemplo o amuleto Pow (reforço de força), que consiste em aumentar o dano a partir de uma determinada quantidade de acertos.

Joe Musashi pode aumentar sua barra de vida, a quantidade de células Ninpo, número de Kunais ou encontrar novos trajes através da exploração e ao avançar no jogo. Agora, falando da exploração, Shinobi é um pouco distinto quando comparado a outros jogos do gênero, como dito no começo desta análise, ele é um jogo de exploração 2D, beat ’em up, com elementos metroidvania, que quando comparado, por exemplo, com Ninja Gaiden Ragebound, ele é menos linear na exploração, ainda se trata de ir do ponto A ao ponto B para progredir, porém como é feito “são outro 500”, já que o mesmo possui o ir e vir, o chamado backtracking para avançar. Ao contrário de seu concorrente, Art of Vengeance depende de certas habilidades Ningi para exploração por completa dos mapas, e muitos dos seus upgrades estão escondido atrás da barreiras que a falta delas impõe, não que não haja isso em Ninja Gaiden porém aqui são muito mais presentes, fazendo com que cada mapa seja um mini-mapa do estilo Metroidvania.

Além de habilidades, temos uma boa quantidade de coletáveis e upgrades em caminhos que demandam certas habilidades para a serem exploradas, com uma boa dosagem de dificuldade e desafios. O jogo permite que façamos viagens entre locais já visitados através do mapa-múndi, e tem o menu de acessibilidade, do qual pode ser acessado a qualquer hora, e com isso, podemos reduzir o dano recebido dos inimigos, o dano do cenário, dentre outras opções, tornando assim a jogatina muito mais amistosa a novos jogadores no estilo. 

Shinobi: Art of Vengeance possui gráficos desenhados à mão pelos mesmos artistas parisienses Lizardcube, que também fizeram o aclamado Street of Rage 4, além de serem responsáveis por outro projetos semelhantes, como Wonder Boy: Dragon Trap. A trilha sonora tem suas composições assinadas por Tee Lopes e Yuzo Kochiro, e tanto a direção de arte quanto as músicas, cumprem muito bem o seu papel no jogo. Há muita suavidade nas movimentações dos personagens e muitos momentos arremetem à desenhos animados de tão ricas que são as animações, as músicas refletem bem os cenários caóticos, trazendo uma ótima atmosfera, se comportando de forma eficaz nos momentos mais intensos, acelerando o ritmo das mesmas. Kochiro é um veterano muito respeitado no mercado, responsável por várias franquias como Street of Rage, Shinobi entre outras trilhas sonoras de franquias da SEGA.

Veredito

Shinobi: Art of Vengeance é o que muitos fãs queriam da série, mas imaginavam ser impossível dado o histórico de jogos recentes. A parceira entre SEGA e Lizardcube gerou mais uma pérola, e essa respeita muito o legado da franquia que nasceu nos fliperamas e ficou popular no Mega Drive nas décadas de 90, com belos gráficos, uma jogabilidade extremamente refinada e uma trilha sonora que cumpre muito bem o seu papel, não deixando nada a desejar. Um ponto que poderia ser melhor é a história, que apesar de simples, não se eleva, tornando-se previsível. E mais variedades de inimigos seriam bem vindas, mas nenhum desses pontos fracos estragam a ótima experiência o jogo nos proporciona.

Nota

9

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela SEGA para PlayStation 5.

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