
Scott Pilgrim EX é um jogo de ação e aventura no estilo “briga de rua” (Beat ‘Em Up), que combina combate intenso com pitadas de Metroidvania em seu level design. Desenvolvido e publicado pela canadense Tribute Games Inc., sediada em Toronto, a desenvolvedora traz em seu currículo títulos de peso como Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, Mercenary Kings, Flinthook, Panzer Paladin e o recente MARVEL Cosmic Invasion.

O projeto conta com a colaboração direta de Bryan Lee O’Malley, o artista canadense e criador da série original de quadrinhos (publicada entre 2004 e 2010), ao lado do animador australiano Paul Robertson — conhecido por sua arte em pixel art altamente distinta e detalhada, além de ser um colaborador frequente da Tribute Games. A trilha sonora está, novamente, a cargo do grupo de pop-rock-chiptune Anamanaguchi. Veteranos do gênero 8-bit e já familiarizados com o universo de Scott Pilgrim, eles retornam com composições inéditas que prometem ser um sucesso entre os fãs.
A história de Scott Pilgrim EX serve como um pano de fundo dinâmico. Ela se passa em uma Toronto do ano 20XX, que está sendo atacada por demônios, veganos e robôs. Esses invasores espalham desordem e caos pela cidade e, após presenciar o sequestro dos cinco integrantes de sua banda, você parte em uma jornada para resgatá-los. O objetivo é garantir o grande show desta noite e, quem sabe, salvar a própria cidade — já que nem toda ameaça pertence ao tempo presente.

A narrativa ganha novas camadas no decorrer do jogo, apresentando novos inimigos e NPCs. A cada ambiente, além das referências diretas ao universo de Scott Pilgrim, o título presta diversas homenagens a videogames clássicos. É possível identificar elementos do Nintendo 8-bits e de franquias como The Legend of Zelda, Mega Man, Double Dragon e até mesmo Resident Evil. A lista de referências é vasta e, se estiver atento, o jogador encontrará muitas outras joias escondidas.
Scott Pilgrim não está sozinho nesta aventura, além do apoio de Ramona Flowers, contamos com a ajuda de mais seis heróis, como: Roxie (estilo Ninja e ex-colega de quarto de Ramona), Robô-01 (estilo Controlador, que luta para ajudar os necessitados), Matthew (estilo Manipulador e encantador de demônios) e outros dois que deixarei para a curiosidade dos jogadores.

Logo na tela de seleção, é possível iniciar a jornada, treinar, visualizar conquistas, acessar opções ou ver os créditos dos desenvolvedores. O jogo oferece três níveis de dificuldade: Fácil, Normal e Difícil. Joguei por mais de 8 horas na dificuldade Normal e, no modo solo, o desafio é equilibrado, apresentando picos de dificuldade quando há muitos inimigos na tela — o que exige o uso de estratégias típicas do gênero. Já o modo cooperativo, que permite jogar com até três amigos (local ou online), torna a experiência mais acessível, porém consideravelmente mais caótica devido à natureza do estilo e à quantidade de itens e objetos em exibição.
Cada um dos sete personagens disponíveis desde o início possui atributos distintos. Isso determina as especialidades de cada um que, dependendo da combinação de acessórios, insígnias e suportes, podem se tornar mais ou menos eficientes. Todos compartilham o mesmo esquema de comandos, mas com execuções únicas em termos de alcance e variações. Os comandos básicos incluem: soco fraco, soco forte, ataques carregados, saltos e a mecânica de agarrar, permitindo subjugar oponentes ou arremessá-los uns contra os outros.

Existem combinações que exigem o timing correto para serem executadas e outras que demandam pressionar múltiplos botões, estas últimas consomem “mana”, que aqui é chamada de PC e representada por uma barra verde abaixo do HP. Também é possível correr através de diferentes comandos. Além disso, vários itens do cenário ou derrubados por inimigos podem ser usados como armas, sendo possível carregar o ataque para desferir um golpe concentrado de maior dano.
O sistema de personalização permite equipar itens em três categorias: Acessórios, que aumentam atributos básicos como HP, Mana (PC), Força e Agilidade (Vit, FV, For e Agi). Insígnias, que funcionam como modificadores de sorte, drenagem de PC, aumento do alcance do salto, bônus no dinheiro coletado, entre outros. E Ajuda, da qual serve para invocar personagens com funções variadas, como ataques em área, bônus de atributos (buffs), aumento de velocidade ou cura.

Esses auxílios são desbloqueados conforme avançamos na história, descobrimos segredos ou resolvemos quebra-cabeças. Vale notar que acessórios e insígnias aplicam efeitos apenas ao personagem que os estiver utilizando, e podem ser adquiridos em diversas lojas espalhadas pelo mapa.
Na introdução desta análise, foi mencionado que Scott Pilgrim EX possui elementos de Metroidvania em seu level design. Essas características estão presentes no sistema de backtracking, no sistema de níveis, nos itens equipáveis que garantem vantagens, nos atalhos e nos mapas interconectados. É possível, por exemplo, sair da área final do jogo e retornar ao início sem encontrar barreiras invisíveis.

Com certeza o artista Paul Robertson teve um Game Boy Advance.” Tanto a riqueza dos gráficos quanto a direção de arte remetem a jogos da geração 32 bits do queridíssimo console portátil da Nintendo, lançado em 2001. Eu poderia citar vários títulos, mas os primeiros que me vêm à cabeça são os da franquia Mega Man; até as animações dos personagens são semelhantes, o que soma de forma muito positiva, já que transporta jogadores como eu de volta no tempo.
A trilha sonora também faz referência à era do GBA e a gerações anteriores, funcionando muito bem, pois quem está por trás das composições tem experiência de sobra com Scott Pilgrim em todas as mídias onde a obra de O’Malley esteve presente. Por último, os efeitos sonoros são competentes e casam perfeitamente com a proposta: são sons condizentes para os momentos certos, acompanhando a trilha sonora que acelera ou desacelera dependendo da demanda e da intensidade da cena.
Scott Pilgrim EX é mais do que um simples Beat ‘Em Up, ele é um jogo ultradimensional, capaz de levar de volta no tempo os jogadores que tiveram um Game Boy Advance. Ao mesmo tempo, ele funciona muito bem para os fãs atuais ou de gerações anteriores ao GBA, já que é dinâmico, visualmente atraente e prático, repleto de referências a outras franquias clássicas. Devido à natureza do seu estilo, o ciclo de jogo pode ser percebido por alguns como um ponto negativo. Embora apresente variações de cenários e inimigos, eles logo se tornam repetitivos devido à exigência do backtracking, que aqui possui múltiplas facetas. A necessidade de revisitar áreas à procura de segredos utilizando novas ferramentas é interessante, mas essa mecânica também mascara, de certa forma, a curta duração do jogo, que seria bem menor sem esse recurso.
8.5
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Tribute Games Inc. para PlayStation 5.