Possessor(s) – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises06/01/2026196 Visualizações

Depois de presenciarmos o nosso melhor amigo sendo morto violentamente por uma entidade desconhecida e de termos nossas pernas arrancadas, Luca, a nossa protagonista, aparece totalmente ensanguentada e quase morrendo. Ela rasteja em direção a outro ser caído, com diversos ferimentos, e ao aproximar-se dele, ele nos faz a oferta de fazermos um pacto, do qual nos oferece ajuda em troca de uma barganha, da qual ele restaura as nossas pernas e garante a nossa sobrevivência, e em troca dessa ajuda, nós o ajudaremos a retornar para sua casa, que encontra-se em uma dimensão paralela a nossa, que está atrelada a um portal no laboratório subterrâneo da cidade.

Possessor(s) é um metroidvania de ação e plataforma 2D, com um combate hack’n slash muito visceral, exploração extensa e elaborada com uma boa dose de backtraking, além de contar com elementos RPG e uma pitada de Soulslike, onde é necessário evoluir armas e adquirir novas habilidades para assim podermos avançar através do extenso mapa deste título, superando plataformas e obstáculos, lutando contra vários inimigos, pelos diversos cenários, derrotando vários chefões, descobrindo áreas secretas e coletando itens chaves para progredirmos.

O jogo conta com uma arte muito peculiar e uma atmosfera única que se assemelha com jogos da série Shin Migami Tensei e Persona. Prossessor(s) foi desenvolvido pela Heart Machine, conhecida principalmente pelo excelente RPG de ação, Hyper Light Drifter e publicado pela Devolver Digital, que tem em seu DNA, a publicações de jogos dessa natureza, a jornada deste jogo, fala de amor, ódio, relacionamentos mal resolvidos e desigualdade social, além de flertar com tecnologia, demônios, mundo material e espiritual. Através desta análise, desejo passar a vocês a minha humilde opinião sobre a experiência que tive ao alcançar o 100% dessa obra.

Depois do início extremamente violento, trágico e de termos aceitado o pacto do misterioso demônio Rhem, Luca acorda tempos depois, totalmente curada e com novo par de pernas, tentando assimilar o que estava acontecendo em sua volta, descobrindo que ficou muito tempo desacordada e que várias coisas aconteceram na cidade durante o tempo de sua recuperação. Descobrimos também que o pacto vai além das promessas inicias, e que agora compartilharmos nossa mente e lembranças, e tais lembranças servem para explicar um pouco mais da história e particularidades de cada personagem, como eles chegaram até aquele momento, o passado de ambos, criando assim, momentos de irritações, porque eles sentem que sua privacidade está sendo invadida por conta do compartilhamento, mas também gera alguns momentos engraçados, além de muitas revelações.

Luca e Rhem vão se aceitando aos poucos, e compreendendo o que agrada e desagrada cada um, com passar do tempo, a relação entre eles vai se fortalecendo, criando uma certa desconfiança de ambas as partes, porém se complementam e formam uma grande equipe. A história de Possessor(s) possui várias camadas, algumas rasas, outras mais profundas, e ambos os personagens são literalmente emocionais, ficando bastante evidenciado desde o começo, com diálogos ríspidos, e muitas vezes agressivos, mas de forma geral, bem construídos, agradando alguns e outros não. Luca quer encontrar sua mãe e seu avô com quem mora, e Rhem quer voltar para seu mundo e sua casa, em meio a todo aquele caos. Cada um tem suas próprias motivações, mas ambos precisam um do outro e eles vão cooperar entre si com a promessa de cada um seguir o seu caminho no final da jornada.

A jogabilidade de Possessor(s) segue a consagrada formula já vista em outros jogos do gênero, onde começamos no ponto A e precisamos chegar até o ponto B, superando obstáculos de plataforma, gerenciando inventário, fortalecendo nossas armas e equipamentos, conversando com NPCs, fazendo missões principais e secundárias, enfrentando diversas batalhas e em algumas vezes, ficamos presos em algum ponto específico por não saber exatamente que recurso, caminho ou qual habilidades nos falta para superamos aquele obstáculo. Tudo que a gente já viu em outros Metroidvanias estará presente aqui, com algumas particularidades, e o que mais me agradou sem dúvidas foi o chicote, que serve tanto para se descolar pelos cenários quanto ser usado no combate.

Falando da exploração, da qual é bastante inteligente, com momentos de plataforma bem desenhados, com alguns quebra-cabeças, onde podemos até mesmo mergulhar, trazendo assim uma camada extra, além de conter áreas secretas, deixando tudo bem consistente.

O combate é dinâmico com boas animações e algumas habilidades servem tanto para exploração quanto para o combate, e Possessor(s) tem uma boa dose de desafio, principalmente nas lutas contra os chefes que tem uma lista de movimentos bem abrangentes e com mais de uma fase para serem derrotados.

Os gráficos do jogo são 2D com alguns efeitos 3D no fundo dos cenários, e de forma geral, é simples porém agradáveis, contendo uma boa variedade de ambientes e cenários, com cores fortes, vibrantes e em alguns momentos saturadas, mas com uma boa quantidade de camadas para dar nitidez e riqueza de detalhes a mais ao jogo.

A direção também é boa e cumpre bem seu papel, o design de personagens também são bons, com personagens bem construídos e com uma ótima gama de detalhes sendo um dos pontos mais altos da obra.

O jogo conta com poucas faixas musicais, sendo bem ausentes em grande parte do jogo, e quando aparecem, são condizentes, cumprindo o papel, mas não se destacam a ponto de serem memoráveis. A sonoplastia no combate, durante movimentos e dos inimigos são boas, competentes, cumprindo bem seus papeis.

Veredito

Possessor(s) no geral é bom, não reinventa a roda, mas é competente no que entrega, a exploração e o combate são bons, as lutas contra os chefes tem uma boa dose desafio, mas os inimigos comuns de cenários são cansativos e repetitivos, principalmente por que o personagem não sobe de nível. Os gráficos são bonitos e os personagens principais tem charme e carisma, a história é boa, mas os diálogos são rasos às vezes, principalmente pela natureza visceral do jogo, a trilha sonora é quase ausente e não se destaca quando aparece.

Nota

8

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Devolver Digital para PlayStation 5.

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