
Planet of Lana foi uma surpresa inesperada que me proporcionou uma experiência inesquecível, como você pode conferir em nossa análise completa aqui no site. O título é cativante, intuitivo e esteticamente impecável, provando que um jogo pode ser divertido e artisticamente marcante ao mesmo tempo.
Recentemente, a sequência foi anunciada e uma demo gratuita chegou para PS4 e PS5 durante o último State of Play. Nós, do CS Reviews, preparamos uma prévia detalhada na ocasião, embora o enredo tenha permanecido um mistério. No dia 5 de março, Planet of Lana II: Children of the Leaf finalmente foi lançado, desenvolvido pela talentosa equipe sueca original sob o selo da Thunderful Publishing. Nesta análise, avaliamos se esta continuação consegue manter o alto nível do seu antecessor e se sua existência realmente se justifica.
A história de Planet of Lana II começa com uma recapitulação legendada — e muito bem-vinda — dos principais acontecimentos do primeiro jogo. Logo em seguida, iniciamos nossa nova jornada revisitando uma área vista na aventura anterior, porém, agora estamos sós, sem a companhia de Mui, a carismática e graciosa criatura semelhante a um gato que foi de suma importância no título antecessor.

Diante de um quadro que remete a uma família (pai, mãe e filho), avançamos um pouco mais até ouvirmos alguém nos chamar: Lanaaaa! – é Anua, uma nova personagem pequenina que, ao nos ver, salta de alegria. Após uma troca de carinhos fraternais, ela nos convida para brincar de esconde-esconde na grama alta. É com essa brincadeira que se inicia o primeiro tutorial do jogo, servindo para nos situar na mecânica de furtividade.
Ao terminar a brincadeira, continuamos avançando com o objetivo inicial de encontrar Mui. À medida que novas partes do ambiente são reveladas, desafios de plataforma e quebra-cabeças são apresentados. Já neste início, é possível notar as similaridades e diferenças em relação ao primeiro jogo. Anua é uma criança, enquanto Lana agora é uma adolescente.
A dinâmica de dupla mudou: Anua se desloca pelos cenários através de tubulações, e onde ela não alcança, Lana utiliza sua estatura, experiência e força para ajudar a pequena a prosseguir. Lana desliga a energia, move alavancas em locais eletrificados, arrasta objetos ou puxa plataformas para superar as dificuldades de locomoção de sua parceira. Essa interação funciona de forma semelhante ao primeiro jogo, com a diferença crucial de que Anua, por ser humana, não possui as habilidades especiais que Mui apresentava.

Ao chegar a um determinado ponto, Anua chama por Mui, indicando que todos se conhecem e dando a entender que a família aumentou. A cena corta para Mui e assumimos o controle da criatura de forma solo. Usamos apenas o direcional esquerdo e o botão R1 para interagir com pontos específicos, fazendo nosso amiguinho correr até o local desejado. Passamos por uma breve seção de plataforma e quebra-cabeças, utilizando tanto as velhas quanto as novas habilidades de Mui.
Os controles em PoL II foram reformulados e ampliados, tornando-se mais práticos e fáceis de entender. Isso se aplica tanto a Mui quanto a Lana, já que o level design, a fluidez das plataformas, os puzzles e as integrações diversas receberam grandes adições neste novo capítulo. Prosseguindo com Mui até chegar ao ponto de onde vinha o chamado de Anua, presenciamos um encontro tríplice em uma cena que esbanja qualidade e carisma. Assim como no primeiro jogo, é possível fazer carinho em Mui, concluindo nosso primeiro objetivo: encontrar nosso amiguinho.
De posse de um novo objetivo, seguimos em frente em trio. Agora, a jogatina recebeu mais camadas: é possível ver parte dos resultados das reformulações e as novas adições que foram implementadas na jogabilidade. Ao pressionar um determinado botão com Mui, ele concentra energia em torno de si e, em seguida, lança uma descarga elétrica que serve para acionar ou desabilitar mecanismos e inimigos.

Já com Lana, agora podemos correr ao segurar o botão dedicado, deslizar ao correr, nadar com mais velocidade, mergulhar, escalar ou dependurar-se em paredes — tudo de forma simples e intuitiva. Há mais para detalhar sobre as novas adições e suas utilidades, mas descreverei em um campo dedicado mais abaixo.
Seguimos no mesmo loop de gameplay descrito anteriormente. Descobrimos que Mui ainda tem medo de água e que, no fundo dela, existem inimigos mortais. Ao chegarmos a um determinado ponto, temos acesso a um holograma que revela algo importante para a história; em seguida, ocorre uma cena envolvendo Mui e outros dois personagens que serão revelados adiante, encerrando o objetivo atual e o prólogo.
Ainda sobre a trama de Planet of Lana II: Children of the Leaf, a história gira em torno da busca por três ingredientes essenciais para salvar a vida de um personagem importante. É válido destacar que existem outras frentes de combate e um inimigo principal que se revela ao longo da jornada. Personagens novos e antigos aparecem durante a narrativa, e segredos não revelados no primeiro título são esclarecidos — ao mesmo tempo em que novos mistérios surgem, deixando ganchos para uma futura continuação ou DLC.

Assim como o antecessor, Planet não possui diálogos em língua comum, arquivos de texto ou áudio. A história é expressada por meio de cenas não interativas, pela jogabilidade, direção de arte, comunicação visual e, agora, por embates diretos. Mistério, companheirismo, coragem, amor e ódio são alguns dos vários componentes que estruturam o jogo.
Ciente das características únicas de sua obra, a produtora disponibilizou — logo no início do jogo — um compilado completo da história até aqui. O vídeo conta com as principais cenas totalmente legendadas, servindo para esclarecer segredos da primeira parte da trama e situar tanto novos quanto antigos jogadores.
A jogabilidade de Planet of Lana recebeu uma excelente atualização, com comandos ainda mais simplificados e intuitivos, além de várias adições que se adequam muito bem ao novo e excelente level design. Correr, saltar para alcançar maiores distâncias, e deslizar para ganhar tempo em portas que estão para se fechar (ou para não ser esmagado por mecanismos) adicionou várias camadas à gameplay.

Lana mantém as habilidades originais, mas agora nada mais rápido e pode mergulhar com Muí através de uma bolsa, entre outras coisas, dependendo da ocasião. Já Muí faz tudo o que fazia no primeiro jogo e recebeu novas adições, como: concentrar energia e lançar cargas elétricas e magnéticas, podendo inclusive controlar terceiros (mecânicos e orgânicos).
Lana e Muí estão mais sincronizados do que nunca; a jogabilidade está mais fácil e fluida, o level design muito mais amplo e os cenários mais variados. Isso, somado aos puzzles inteligentes, sessões de fuga e até boss fights, torna a experiência muito mais abrangente e ambiciosa, elevando o nível em comparação ao antecessor e às suas inspirações, como Another World e Inside.
Os gráficos de Planet receberam um bom tratamento. As animações, que já eram muito boas no primeiro jogo, estão ainda melhores; os biomas são mais variados e com mais densidade, os efeitos de sombra e luz estão mais bem-feitos e as cenas não interativas, muito bem dirigidas.

A direção de arte com certeza é a melhor parte dos gráficos. Várias camadas, detalhados e uma paleta de cores vivas deixam tudo muito bonito e, às vezes, de queixo caído — tamanho o esmero e o capricho em capturar cada momento que o jogo quer transmitir.
A qualidade musical e a sonoplastia continuam geniais. Sólidas e bem encorpadas, fazem com que até mesmo lugares quase silenciosos “gritem” de tão bem implementadas, sem falar no talento nato do compositor Takeshi Furukawa e sua orquestra.
Planet of Lana II: Children of the Leaf é um exemplo de como se fazer uma continuação. Com uma boa recapitulação no início, o jogo situa tanto novos quanto velhos jogadores. Comandos e controles reformulados e ampliados, somados a novas possibilidades, deram um frescor incrível à sequência de algo que já era bom. O jogo apresenta pequenas falhas na inteligência artificial de Mui, mas que podem ser corrigidas com atualizações futuras. O fato de a narrativa deixar lacunas na história não me desagrada, pois podem ser explicadas em uma futura DLC ou continuação. Os gráficos (não a direção de arte) talvez sejam a parte que menos evoluiu.
9.5
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Thunderful Publishing para PlayStation 5.