Planet of Lana – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises12/02/2026172 Visualizações

​Sabe aquela sensação maravilhosa de descoberta única que você tem ao ter contato com algo novo? Aquela satisfação que te faz mergulhar de cabeça e, quando percebe, já consumiu quase todo o conteúdo? Planet of Lana, um jogo cinematográfico de plataforma com jogabilidade 2D, exploração e quebra-cabeças, me proporcionou exatamente isso.

​Desenvolvido no motor gráfico Unity e inspirado nas animações do Studio Ghibli, o jogo é fruto da pequena equipe sueca Wishfully Studios. O projeto conta ainda com o talento de Takeshi Furukawa, compositor indicado ao BAFTA. O título foi lançado em 2023 pela Thunderful Publishing, o título está disponível para diversas plataformas, incluindo celulares.

​No controle de Lana, seguimos nosso irmão, Leo, em uma corrida pela vila de pescadores — um local belíssimo que emana paz. Essa disputa funciona como um tutorial orgânico para familiarizar o jogador com os comandos básicos. Aprendemos a correr, saltar, rastejar e escalar, superando obstáculos e plataformas que se quebram sob nossos pés.

​Embora Lana perca a corrida, o reencontro com Leo é selado com um abraço afetuoso, em uma cena que exala o comprometimento artístico dos desenvolvedores. É nítida a inspiração em clássicos como Another World e Inside, referências fundamentais para este estilo de jogo e narrativa visual.

Momentos após o encontro, o céu escurece e objetos flamejantes começam a cair do espaço. O que parece uma chuva de meteoros, revela-se algo pior: máquinas quadrúpedes surgem e capturam os habitantes.

Em um instante, vemos Leo ser aprisionado em uma gaiola esférica e levado em direção à vila.
​Desesperada, Lana tenta alcançá-los. E ao retornar à vila, encontramos o caos, moradores sendo abduzidos e robôs agressivos patrulhando a área. Utilizando a furtividade e os conhecimentos obtidos no início, devemos avançar sem sermos notados. A busca de Lana segue para o leste, em uma tentativa incansável de resgatar seu irmão antes que as máquinas desapareçam no horizonte.

A jogabilidade de Planet of Lana sustenta-se em três pilares: exploração, plataforma e quebra-cabeças. Logo após os trágicos incidentes com o irmão de Lana, Leo e com os moradores da vila de pescadores, conhecemos Muí — uma criaturinha curiosa e carismática. A partir do nosso segundo encontro, Muí torna-se nossa companheira de suporte até o fim da jornada, sendo de suma importância para o progresso, ajudando na exploração e na resolução de enigmas.

​Nossa relação com essa criatura fofa começa quando ela, ao tentar capturar uma borboleta, cai em uma armadilha deixada pelos robôs que patrulham o planeta e capturam seus habitantes. Após uma breve sessão de exploração e plataforma, conseguimos liberta-la, que foge em disparada para a direita.
​Mais adiante, enfrentamos uma situação semelhante: Muí é acuada por um robô vigilante e presa novamente. Desta vez, para libertá-la, precisamos nos esconder na grama alta e esperar o momento certo para ativar o mecanismo mecânico. Após o resgate, fugimos do robô e, na tentativa de evitar a captura, caímos de um penhasco. Durante o desmaio, Lana sonha com os últimos momentos antes de Leo ser levado; ao acordar, encontra Muí a acariciando, selando a amizade entre as duas.

Deste ponto em diante, Muí atua como um suporte essencial. Através de comandos simples e intuitivos, ela nos auxilia em quebra-cabeças que se tornam cada vez mais complexos e exigem maior interação mútua.

​Muí assemelha-se a um pequeno felino: é ágil, leve e rápida, alcançando locais e interagindo com objetos fora do alcance de Lana. Contudo, o inverso também ocorre, Lana precisa ajudar Muí em situações que ela não consegue resolver sozinha. Essa complementaridade transforma a dupla em uma equipe eficiente para superar os desafios do level design.

Planet of Lana possui gráficos de altíssima qualidade, com lindas paletas de cores. Suas animações são ricas e detalhadas, com ótimas texturas, iluminações e efeitos práticos de muita qualidade, independentemente do ambiente onde estamos. A direção de arte é um show à parte e muito única, tanto nos cenários quanto na criação dos personagens animais, humanos e inimigos robóticos. Os momentos de computação gráfica, não interativos são muito bem feitos, com animações extremamente refinadas e bem sonorizadas.

A trilha sonora do título beira o surreal de tão impactante e bem implementada. Ela demonstra todo o talento de Takeshi Furukawa e sua capacidade de invocar momentos calmos, intensos, alegres, tristes e de curiosidade em questão de instantes, conseguindo casar a música com toda e qualquer situação. A sonoplastia também é excelente, tanto nos sons de movimentação dos personagens e inimigos quanto nos ruídos provocados pelas máquinas e ambientes, apresentando muita clareza auditiva.

​Segue abaixo o trailer com a data de lançamento de Planet of Lana II: Children of the Leaf, que já se tornou um dos meus títulos mais aguardados para este ano.

Veredito

Planet of Lana foi uma grande surpresa para mim. Com um lado técnico que beira a perfeição, o jogo é um excelente exemplo de como criar uma obra simples, mas com muita alma, mostrando que pequenas e médias produções podem sim, ser referência no mundo dos videogames. ​A contribuição de Takeshi Furukawa é inestimável, com uma trilha sonora incrível, as animações dos personagens e criaturas são um show à parte e merecem ser contempladas. Senti falta de apenas duas coisas: um pouco mais de desafio e maior variedade de inimigos e ambientes. De resto, é um jogo incrível.

Nota

9.5

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para PlayStation 5.

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