Marathon – Análise

Matheus YamanishiAnálises19/03/202647 Visualizações

Marathon, o extraction shooter da Bungie e primeiro projeto após a aquisição pela PlayStation, tem lutado contra o fantasma de Concord que se tornou um estigma nos títulos multiplayer e live service da Sony, mas será que a história vai se repetir ou a Bungie conseguiu entregar um jogo de qualidade?

Marathon não é uma IP nova. Já existe um trilogia lançada na década de 90 para computadores, mas a proposta era completamente diferente. O título originalmente era single player e seguia a linha de outros jogos da mesma época como Doom e Wolfenstein, mas com uma narrativa pouco convencional para os padrões da época e que pode ser um dos principais pontos nessa nova entrada da franquia.

O extraction shooter da Bungie te coloca na pele de um corredor, personagens que podem transferir sua consciência para armações, uma espécie de corpo biossintético que tem suas próprias habilidades e funciona como uma classe. Cada armação tem uma abordagem diferente que varia entre combate direto, furtividade e até mesmo suporte e desempenham um papel importante na gameplay.

Apesar da possibilidade de jogar solo ou no modo Rook (uma armação específica que não pode fazer missões, não pode ser unir a esquadrões, mas é excelente para coletar recursos sem perder seus equipamentos), o jogo foi pensado para um esquadrão de três jogadores e a escolha das armações pode ser determinante para uma run bem sucedida ou o fracasso que, provavelmente, será bem presente em sua experiência com o título.

Apesar de não ser um veterano no gênero e tendo mais experiência apenas em Arc Raiders, é seguro dizer que as runs de Marathon tem uma estrutura clássica dos títulos de extração. Você prepara seu equipamento, escolhe um dos três mapas disponíveis (a Bungie lançará mais mapas ao longo do tempo) e inicia sua caçada por itens e equipamentos de qualidade enquanto enfrenta ameaças do cenário (PvE) e outros corredores (PvP), e caso você consiga superar os desafios, consegue ser extraído do mapa levando seus espólios.

O loot é dividido entre materiais para venda e troca para melhorias definitivas acessíveis através das facções presentes no jogo, equipamentos que melhoram sua armação como aumento de dano corpo a corpo ou resistência a determinados danos, armas e peças de armas que se dividem em categorias: branca, verde, azul, roxo e amarelo.

O jogo também tem várias missões que são apresentadas como contratos oferecidos por uma das seis facções e precisam ser resolvidos ao longo das runs. A estrutura das missões não tem grande variedade e geralmente pedem a análise de equipamentos, derrotar uma quantidade determinada de inimigos ou jogadores adversários, coleta e entrega ou extração de alguns itens e até um pedido bastante sádico da companhia que desenvolve as armações para que você teste os limites do seu corpo e sofra dano de fontes distintas no ambiente (!). Apesar de não parecer algo complexo, fazer as missões será desafiador, já que as runs costumam ser bem “movimentadas” e muitas vezes, você precisa fazer múltiplos objetivos de uma só vez ou extrair com segurança para completar a tarefa.

O gunplay de Marathon segue o padrão da Bungie que, para quem não conhece, é bem alto. O jogo entrega armas com impacto, um arsenal diverso e boa movimentação, além de um trabalho de áudio muito legal, dando uma excelente noção espacial e permitido identicar combates a distância, o que te ajuda a decidir se vai enfrentar, evitar ou emboscar outros jogadores. Ainda sobre a movimentação, o jogo tem uma mecânica de aquecimento que consiste numa barra que enche na medida que você corre, desliza ou dá golpe corpo a corpo (facadas e/ou coronhadas). É algo muito similar a barra de stamina em outros jogos, mas aqui, por haver relação com temperatura, quando está chovendo ou quando você se
move em lagos ou poças, as ações consomem menos temperatura.

O clima é dinâmico e entrega dias limpos, chuva moderada, tempestades com raios que atingem o solo e até mesmo “cascatas térmicas”, uma chuva de fagulhas que causam dano caso você esteja sem cobertura. Os mapas são interessantes e apesar de não serem diversos na aparência, entregam elementos únicos, como eventos específicos, e tem uma verticalidade interessante que permite elaborar algumas estratégias de combate, seja contra a IA que é extremamente agressiva e tem variações bem desafiadoras ou contra outros jogadores.

Cada mapa tem uma dificuldade que não está claramente descrita, mas é perceptível pelo comportamento e resistência das IAs, nível de loot e pontos que foram claramente projetados para engajar o PvP. Algumas mapas ainda não foram liberados e guardam segredos de mecânicas centrais de Marathon. A Bungie inclusive pediu que os reviews fossem “postergados” para quando todo o conteúdo fosse liberado, mas se dá pra jogar, já dá pra avaliar.

Extraction shooters costumam ser tensos e isso não é diferente em Marathon. A IA do jogo é agressiva, está sempre atenta, se renova com frequência (ou seja, não adianta “limpar” as áreas, reforços serão enviados em breve) e são um desafio real, principalmente unidades de alto nível. Os robôs da UESC, única classe de inimigo presente no jogo no momento atual, variam entre recrutas, que são frágeis, mas agressivos e os generais, que podem ser granadeiros (auto explicativo), escudeiros que são extremamente resistentes e os furtivos, que ficam invisíveis e podem hackear o jogador.

O maior risco, como podem imaginar, reside nos outros jogadores. Diferente de Arc Raiders que tenho mais experiência, os jogadores não vão ser cooperativos ou compreensivos, e a grande maioria dos encontros vai resultar em traição ou morte, e as interações no chat de proximidade se resumem em avisos e provocações. Na minha experiência, só encontrei um jogador tentando ser “amigável”, mas estava com loot de valor e ele recarregava os escudos, além de ficar fora do meu raio de visão todo o tempo, me levou a pedir que ele se afastasse e depois do silêncio e uma tentativa de aproximação, resultou em um breve duelo que felizmente, sai vitorioso.

A HUD do jogo entrega o essencial e a UI, apesar de muita gente reclamar, não foi um ponto que me atrapalhou. Existe uma pequena curva para se adaptar a interface e a pressão em avaliar os conteúdos com a pressa habitual do gênero não colabora, mas depois de algumas partidas, eu já estava fazendo todas as ações “no automático”.

O jogo tem um desempenho satisfatório no Xbox Series X (provavelmente, bastante similar no PS5 base) e mantém 60 FPS. Como sei disso? O jogo disponibiliza um contador de frames e por mais estranho que possa parecer, permite ativar ou desativar o FSR. Essa opção talvez faça mais sentido nos PCs que tem outras opções, e no PS5 Pro, que dispõe do PSSR, mas eu não me arrisquei a desligá-lo.

Os visuais talvez sejam um dos pontos mais polêmicos de Marathon. A Bungie optou pelo “graphic realism”, um estilo que aposta em cores vibrantes e formas simples. Por ser algo pouco convencional, a comunidade recebeu com uma relação de ame ou odeie, mas definitivamente o jogo tem uma identidade bastante única e está foi a intenção da produtora. A trilha sonora não é muito marcante, mas conversa muito bem com a estética geral do jogo e te transporta para o universo e constroem uma atmosfera incrível, principalmente quando consideramos o elemento que mais me pegou: A narrativa.

Narrativa em extraction shooter não é o foco e nem deveria, mas ter um universo bem construído, história interessante e eventos que engajam foram o grande diferencial de Marathon. Como um veterano de Destiny, uma lore densa e misteriosa é algo que eu esperava do próximo título da Bungie e mesmo que gênero não permita uma narrativa convencional, ela conseguiu entregar um mundo bem construído e um plot misterioso que te prende. A história é contada através de arquivos desbloqueados após o atingimento de algumas metas e podem ser lidos ou ouvidos (e devidamente dublados) no códice disponível no menu inicial do jogo.

A história gira em torno da UESC Marathon, uma nave enviada para colonizar o sistema Tau Ceti e dar alternativas para a humanidade que já sofre com a escassez de recursos na Terra e em Marte. A missão de colonização é iniciada no planeta Tau Ceti IV, que serve de palco para os três primeiros mapas de Marathon, mas todos os colonos desapareceram e mesmo as IAs pararam de responder no planeta.

O corredor (jogador), é um autônomo que é enviado ao planeta para investigar e coletar recursos para as facções do jogo que foram investidores desta missão de colonização, mas a UESC, uma espécie de ONU futurista que aposentou o conceito de países e é a principal responsável pela missão, decidiu que Tau Ceti IV é de propriedade dela, e está usando todo seu arsenal de robôs assassinos para proteger cada canto do planeta e esconder seus mistérios.

A história do jogo de 2026 tem diversas similaridades com a trilogia original, o que significa que podemos esperar raças alienígenas que, inclusive, já apareceram nos trailers e capa do jogo e alguns horrores cósmicos, com direito a deuses dormentes, raças ancestrais e criaturas que desafiam a física.

Como sempre, nem tudo são flores. O jogo tem alguns problemas como demora no matchmaking (o que pode ter relação com vendas), a impossibilidade de navegar no jogo ou ler o códice durante a busca de partidas, algumas armas que precisam ser balanceadas, o pouco incentivo na colaboração quando jogando solo ou como Rook e, no atual estado, pouca variedade de inimigos e mapas.

Além disso, sofri um crash uma vez e já tive algumas desconexões durante espera que “congelaram” o início da partida e me forçaram a reiniciar o jogo, o que me deu a opção de entrar novamente na partida, mas prejudicou o início da run, além de perder tempo.

Veredito

Marathon foi uma surpresa, principalmente por conseguir conciliar história e atmosfera em um jogo que não necessariamente brilha neste aspecto. Ele não entrega mecânicas incríveis, mas executa tudo com qualidade, principalmente na hora de trocar tiro, que é justamente onde ele não pode errar. O jogo não está sendo vendido à preço cheio e apesar de ter micro transações e passe de temporada, tudo é estético e sem qualquer elemento P2W (pay to win). Marathon pode se tornar ainda melhor na medida que for trazendo novos mapas, novos inimigos e talvez novas mecânicas, caso a Bungie torne realidade as promessas de eventos da comunidade e elementos que exigem interação do esquadrão como as saudosas raids de Destiny.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para Xbox Series X.

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