
Em abril de 2017 a desenvolvedora Tarsier Studios e Bandai Namco Entertainment nos apresentou Little Nightmares, um jogo de aventura com temática de terror, de plataforma e com quebra-cabeças, protagonizado por uma garotinha com capa de chuva amarela, chamada Six.No título, ela tentava escapar de Borraca, um local sinistro, enquanto esgueirava-se por ambientes escuros, superando sessões de plataformas e quebra-cabeças, munida apenas de isqueiro, inteligência e agilidade, enquanto era perseguida por criaturas imensas e bizarras.
Six sofria de crises intensas de fome, tentava desvencilhar-se dos perigos que a rodeavam ao mesmo tempo que ela tentava compreender o que estava de fato passando naquele local.
Em fevereiro de 2021 fomos apresentados ao segundo título da série, e agora controlamos Mono e contávamos com ajuda de Six do primeiro jogo para superarmos os horrores da cidade pálida ao mesmo tempo que tentávamos descobrir seus segredos obscuros, superando uma nova leva de horror, plataformas e quebra-cabeças.

E agora, em outubro de 2025 temos Little Nightmares 3, desenvolvido pela Supermassive Games, que também foi responsável por uma versão aprimorada do segundo jogo para atual geração de consoles, além de ser responsável pelo Until Dawn original. E nessa análise, saberemos se eles conseguiram dar continuidade ao legado criado e desenvolvido pela sueca Tarsier Studios.
Little Nightmares 3 começa com a gente acordando em lugar sinistro, até então, desconhecido por Low e Alone, os dois personagens jogáveis do jogo. Depois de nos situarmos numa espécie de mapa que está em posse de Low, partimos para uma cidade localizada em pleno deserto, onde tudo encontra-se caindo aos pedaços, repleto de ruínas e morte. Na franquia Little Nightmares, as histórias são contadas de forma totalmente abstratas, não há arquivos de áudio ou texto, nem tão pouco diálogos, tudo é interpretativo baseado nas cinemáticas mudas e na gameplay.
Depois subirmos uma longa escada e ter acesso a primeira sala do jogo, iniciamos nossa verdadeira jornada, e nos são apresentados as mecânicas básicas do jogo, em um cenário parcialmente destruído e carregado de uma atmosfera densa e nada amistosa, onde tudo aparentemente quer nos devorar, prosseguimos correndo, saltando, subindo em algumas plataformas, movendo mecanismos e nos esgueiramos para passarmos despercebidos em certos trechos, tudo isso em colaboração entre os dois personagens jogáveis.

Não demora muito para conhecermos nosso primeiro perseguidor, que aqui, eu vou chamá-lo de “Bebê gigante de porcelana”, que tem o poder de destruir cenários para nos esmagar e nos petrificar com seu olhar de Medusa, além dele parecer ser o grande responsável por toda destruição e morte dos moradores locais, já que vemos vários habitantes mortos e petrificado na região.
Low usa uma máscara de corvo e coincidentemente ou não, em um certo momento da história em que estávamos prestes a morrer pelo Bebê, uma chuva de corvos ataca o nosso oponente, nos livrando da morte certa, fazendo com o que Low acorde em um quarto de reformatório, onde ele escuta algo sinistro aproximando-se da porta, obrigando a se esconder debaixo da cama às pressas para evitar a pessoa que se aproxima. Logo em seguida voltamos a dormir, e acordamos na fábrica de doces, não demorando muito, temos um novo perseguidor que é mais sinistro e implacável em sua perseguição.
A jogabilidade de LN3, assim como de seus antecessores é bem simples, com controles fáceis e intuitivos e aqui podemos: andar em pé e agachado, correr, saltar, escalar, pendure-se em objetos específicos do cenários, deslizar após correr e esgueirar-se por lugares estreitos, passando por frestas em janelas e por debaixo de tubulações improvisadas para ter acesso a novas áreas, além de atirar com arco e flecha, usar uma chave de rodas, tanto para lidar com inimigos no combate quanto em mecanismos, na resolução de quebra-cabeças para avançarmos no jogo.

O jogo é totalmente em 3D com movimentação 2.5D na maioria do tempo, com a possibilidade de acessarmos o fundo ou a frente dos cenários, para explorar, coletar itens diversos e também para a resolução de quebra-cabeças, servindo para correr em lutas contra inimigos comuns e principalmente nas lutas contra os chefes.
O título não possui mapa para nos orientar, existem sinais, mas são discretos se observados, nos informando sobre a exploração e interação como portas e passagens, temos alguns locais onde o ir e vir (backtracking) se faz necessário, e precisamos destrancar portas, e essas dependem de chaves a serem encontradas e coletadas, assim como fusíveis que também servem para ligar mecanismos se retirado, desligando a energia em certos locais.
Existem equipamentos que vão nos auxiliar na exploração, alguns para alcançar certas áreas, outros outros para iluminar locais. Há também momentos onde é necessário usar a furtividade (stealth) ou lançar uma garrafa para quebrá-la e assim chamar a atenção de um inimigo próximo, criando a possibilidade da distração para avançarmos para o local desejado, tudo feito de forma bem direta e fácil. O jogo no geral é fácil, não há níveis de dificuldade, sendo possível jogar ele totalmente em co-op, sendo que o mesmo possui um “passe amigo”, onde só é exigido uma cópia do jogo, nos mesmos moldes de jogos da Hazelight, como: It Takes Two e Split Fiction, com a necessidade do amigo convidado fazer apenas o download do título específico de forma gratuita, dependendo apenas de internet e Playstation Plus (no caso do Playstation) para ser aproveitado na íntegra, com exceção dos troféus para o jogador convidado.

Little Nightmares 3 foi desenvolvido na Unreal Engine, assim como seus antecessores, os gráficos são bonitos e detalhados até certo ponto, sendo a direção arte e a atmosfera a melhor parte da obra, tornando a experiência semelhante aos jogos anteriores. A movimentação e a física de personagens são boas, assim como a física dos objetos. Optei por jogar no modo qualidade (priorizando os gráficos) e tive uma experiência estável, tendo “crashado” umas duas vezes em toda a minha jogatina que durou cerca de 10 horas.
A trilha sonora do jogo é amena, quase inexistente e pouco impactante, aparecendo somente em momentos mais tensos do jogo, sendo a sonoplastia de destruição de ambientes, grunhidos dos inimigos e a movimentação dos personagens mais consistente nesse sentido, cumprindo o seu papel.
Junto ao lançamento de Little Nightmares 3, a Bandai Namco disponibilizou uma versão remasterizada do primeiro jogo e todos que possuem a versão original, recebem essa versão sem custos adicionais.
Little Nightmares 3 trocou de desenvolvedora, mas manteve boa parte da essência dos seus antecessores, como o modo abstrato de contar sua história, essa que no final pode chocar por conta da sua natureza triste. O jogo possui belos gráficos, boa atmosfera, direção de arte consistente com muita brutalidade e horror em todas as camadas. O som cumpre o papel, mas poderia ser melhor sendo mais presentes e mais audível. A exploração é semelhante aos antecessores e respeita a inteligência do jogador, porém sem nada de novo e com bastante repetição na exploração e nas resoluções dos puzzles. Outros fatores como: controles intuitivos porém imprecisos, uma IA do personagem que nos acompanha tendo um desempenho ruim, fazendo com que mortes ocorram de forma injustas na maioria das vezes, deixando um gosto amargo na experiência. Alguns pontos críticos podem ser consertados via update, outros estão ligados ao level design e eu acredito que não sejam viáveis tais alterações.
7
Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Bandai Namco para PlayStation 5.