Final Fantasy VII Rebirth – Análise

Jackson FrançaAnálises16/02/2026157 Visualizações

A série nipônica Final Fantasy nasceu no ano de 1987, lançando o primeiro jogo para o finado Nintendo Entertainment System, ou popularmente conhecido como NES. A famosa série RPG surgiu com o intuito de ser a última tentativa de Hironobu Sakaguchi da Squaresoft (atual Square-Enix, após a Enix comprar a mesma), do qual estava prestes a desistir da carreira de desenvolvedor de jogos com a eminente falência da empresa. E bom, o jogo fez sucesso, rendendo diversos e diversos títulos, fazendo com que o jogo não só caísse no gosto do público, mas que também virasse referência no mercado de jogos.

E dentre os mais diversos títulos da série, Final Fantasy VII é um dos títulos que mais caiu no gosto dos jogadores, gerando inúmeros fãs novos, separando a franquia em alguns casos até como, antes e depois do sétimo título da série de tão influente que foi.

Com isto em mente, e após diversos anos e diversos pedidos de fãs da franquia, a Square-Enix anunciou o remake de Final Fantasy VII divido em 3 partes, do qual começou com Remake, sendo lançado em 2020, e Rebirth, a segunda parte, lançado primeiramente para PlayStation 5 em abril de 2024, depois para PC em janeiro de 2025, e sendo recém anunciado para Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2 com lançamento previsto para junho de 2026. O jogo original, de 1997, encontra-se disponível para todas as plataformas atuais, como Xbox, PlayStation, Nintendo e Steam (PC).

Final Fantasy VII Rebirth continua as aventuras de Cloud, Tifa, Barret, Aerith e Red XIII, dos quais estão sendo procurados pela Shinra, e com o objetivo de fugir dela, todos decidem sair de Midgar e irem além das fronteiras da grande cidade controlada pela própria Shinra, como também para lutar contra um inimigo maior e mais temido ainda: Sephiroth.

Com a saída de Midgar, Rebirth tem o árduo trabalho de nos apresentar um mundo aberto, do qual é esperado diversas novidades, não somente na construção do mesmo, mas também nas atividades e no que vão nos permitir fazer. Diferente de Remake, o jogo era linear do início ao fim, possuindo poucas missões secundárias e nem sequer tínhamos como utilizar o icônico mascote da franquia, os Chocobos. Será que a transição foi feita com maestria? Será que a Square-Enix conseguiu tal feito?

Em sua história, acompanhamos Cloud, Tifa, Barret, Aerith e Red XIII em busca de pistas para alcançar Sephiroth, como também para impedir o plano do mesmo, do qual deseja reconstruir um mundo à sua maneira, à sua vontade. E no decorrer do jogo, nos são apresentadas partes da vida de cada personagem, mostrando um pouco de seus passados, das suas motivações por serem o que são hoje, e isso nos faz criar laços mais profundos com cada personagem, tendo um desenvolvimento bem maior. Outros personagens são inseridos na nossa equipe durante a jornada, mas não são colocados lá de uma forçada, mas que aos poucos vão sendo apresentados e no fim, decidem se juntar a nós e uma maneira orgânica.

Neste título, nos são apresentadas diversas áreas novas grandes e com diferentes tipos de cenários, como regiões montanhosas, praianas, desérticas, florestas ou planícies de perder de vista. Tais regiões nos apresentam diferentes tipos de biomas, sendo áreas bem grandes, livres para nós explorarmos, além de que, temos uma construção de mundo bem diversa, diga-se de passagem, onde é possível visitar certos locais com pequenas cidades, vilas ou locais de interesse que estão espalhados pelas regiões. Um exemplo disso, é a cidade de Kalm, que fica na região da Pradaria, é a primeira localidade que nos é apresentada logo após iniciarmos o jogo. Nesta cidade em questão, temos alguns NPCs para comprar itens, adquirir armamentos, podemos inclusive perambular por ela e visitar até a sua Torre do Relógio, da qual nos permite ver Midgar ao horizonte.

A qualidade da construção do cenário são belíssimas, com diversas paisagens, podendo ficar horas e horas no Modo Foto para achar um local para foto. Porém, nem tudo é perfeito. O jogo, por utilizar a Unreal Engine 4, a mesma já possui problemas para carregar texturas, problemas dos quais já eram aparentes no seu jogo antecessor, o Final Fantasy VII Remake. Em alguns locais, é possível ver que as texturas não estão carregadas, ou estão com baixíssima resolução, deixando um aspecto borrado no local em questão. É possível ver isso principalmente em pedras, áreas que não são possíveis de alcançar, mas que estão bem próximas do jogador, em objetos (como vasos de flores), dentre outros exemplos.

Nas regiões mostradas, temos diversas missões e atividades secundárias. Algumas missões secundárias são para recuperar objetos perdidos, lutar com monstros para obter itens perdidos, ou missões que fazem referência aos mini-games presentes no jogo. E uma das coisas que foi melhorada comparada ao primeiro, é que os NPCs não estão tão estáticos como no primeiro, onde era mais uma conversa para adquirir a missão, e só. Agora, os NPCs que interagimos para conversar sobre a missão, possuem mais emoções em seus rostos, com movimentos nos braços, alterando suas posturas, mostrando também o por quê eles se encontram naquele local, as suas motivações, dando assim mais vida ao personagem.

E por ter o mundo aberto, temos também a adição das nossas amadas galinhas gigantes, os Chocobos. Em Rebirth, cada região tem seu próprio tipo de Chocobo, alguns nos dão a habilidade de pular em cogumelos gigantes, para saltar grandes distâncias, e outros nos dão a habilidade de escalar partes específicas, para alcançar locais mais altos. Também temos a adição de um veículo grande de 6 rodas, para percorrer em locais dos quais não existem chocobos, e para atravessar locais com barreiras onde não é possível atravessar utilizando os nossos companheiros de pelugem amarela, facilitando mais ainda a nossa locomoção.

Como citado anteriormente, durante a visita nas regiões, possuímos algumas atividades secundárias, das quais são ligadas aos Registro de Informes de Chadley, um NPC do qual encontramos lá em Final Fantasy VII Remake, no Setor 7. E em Rebirth, ele volta e nos permite continuar a lutar no seu Simulador de Combate, onde tais combates são liberados de acordo com que completamos as suas atividades em cada região, e alguns combates fornecem recompensas básicas, como consumíveis, como também podem fornecer matérias ou equipamentos únicos.

Algumas atividades são a caça à Protorrelíquia, que varia de região para região o tipo de atividade que teremos de fazer, para adquirir uma parte de uma misteriosa relíquia. Os informes de combate, onde iremos batalhar contra alguns monstros da região. Realizar a ativação das Torres da Shinra, com um propósito similar ao sistema de Sincronização do Assassin’s Creed, porém neste caso, revela-se somente as atividades próximas, marcando-as no mapa, não revelando o mapa em questão. Os Altares da Divindades, dos quais nos permite adquirir o conhecimento sobre tal divindades , e assim enfrentar uma versão enfraquecida das Invocações, para adquiri-las de uma forma mais facilitada. E as Nascentes Anímicas, das quais somos guiados por um pássaro até onde estão localizadas grandes formações de Cristais Mako, para escaneá-las.

Fazendo tais atividades, nos é recompensado com Pontos que podem ser gastos na loja de Chadley, para adquirir novas Matérias, e algumas delas são Matérias novas, como a matéria de Fogo e Gelo, que permite que você use as magias de Fogo ou Nevasca, unidas em uma única materia, sem a necessidade de ocupar dois slots para obter tais magias, como seria normalmente, dentre outras.

Há algumas missões das quais envolvem um membro do grupo, e nisso envolve o Sistema de Afinidade e de Sinergia, sendo que o de Sinergia nos foi apresentado na DLC Intermission, lançada para Final Fantasy VII Remake, introduzindo as Habilidades de Sinergia (habilidades realizadas em dupla). Realizando tais missões, aumenta a afinidade com o personagem, sendo possível ver o seu nível de afinidade ao apertar L1 fora do combate, mostrando o círculo no topo da cabeça do personagem, que vai do Cinza (início) até o Verde (afinidade alta).

Uma outra forma de aumentar a afinidade é, realizando as escolhas certas de diálogos quando interagimos com tais personagens. Algumas destas escolhas podem aumentar muito ou pouco a barra de afinidade. Este sistema de Afinidade vem do jogo original de 97, porém, diferente do mesmo, aqui em Rebirth, não é possível diminuir a barra. Um exemplo disso é, caso você tenha a afinidade maior com a Aerith comparado aos outros personagens, iremos ter um encontro com esta personagem em determinado momento do jogo.

Outros meios para aumentar a afinidade são utilizando as Habilidades e Ações de Sinergia. As ações são desbloqueados através dos Fólios, que serão explicados mais adiante, que serve como um substituto da Árvore de Habilidades que tínhamos para cada arma no Remake. Tais ações, podem ser Ofensivas ou Defensivas, utilizando os outros membros da equipe, junto com o qual você está controlando, dos quais podem ser rapidamente executados através do atalho R1 + combinação de qualquer um dos 4 botões de ação (X, Quadrado, Círculo, Triângulo), sendo duas Ofensivas e duas para Defensivas. Um exemplo destas ações é a Defesa de Ferro, que pode ser utilizada para diminuir o dano recebido de ataques físicos ou mágicos. As ações não consomem a barra ATB, necessária para realizar ataques com habilidades, mas auxilia no preencimento da mesma.

Sobre as Habilidades de Sinergia, são golpes poderosos, similar aos Limites, dos quais nos fornecem certos Status bônus ao utilizar, como possuir 3 Barras de ATB ao invés de 2, lançar magias sem gastar PM algum por um período de tempo ou estender a duração de um atordoamento de um inimigo. Tais habilidades só podem ser utilizadas ao preencher pequenas barras que podem ser visualizadas em baixo da barra de HP do personagem ou acessando a opção Menu de Sinergia quando abrir o Menu Tático, que só estão disponíveis durante o combate. Algumas habilidades requerem uma quantidade diferente de barras, algumas mais e outras menos.

Os Fólios, como dito anteriormente, é a nova Árvore de Habilidades de cada personagem, anteriormente cada arma tinha sua própria “Árvore”, onde eram diversos cristais que você ia desbloqueando com os Pontos de Habilidades ao subir de níveis. Cada árvore era aprimorada de forma individual, mas os PH que você ganhava eram para todas as armas, mesmo que você pegasse uma nova, a mesma teria a quantidade de pontos que você ganhou desde o início da sua jornada. Em Final Fantasy VII Rebirth, os Fólios vieram para substituir tal árvore e facilitar também o desenvolvimento dos personagens.

Nesta nova árvore, podemos desbloquear melhoria de atributos para os personagens, como mais defesa, mais ataque, dentre outros. Também é possível adquirir novas Habilidades, como ataques mágicos sem o custo de PM, como também para melhorias específicas para cada personagem, como aumento do dano no Modo Soldado para Cloud por exemplo, ou aumentar a duração do Poder Imensurável para Tifa, e assim por diante. Além dos citados, a árvore permite habilitar mais Ações de Sinergia todos os personagens, e melhorar as mesmas.

Durante o combate, assim como no anterior, nos é permitido controlar os demais personagens, alterando à vontade, inclusive a formação da equipe em momentos em que todos estão na mesma. Alguns personagens possuem características próprias, como Cloud, com seus dois modos de combate, o Soldado, onde ele possui ataques e movimentação rápida, e o Justiceiro, do qual ele possui uma movimentação mais lenta, mas com um ataque forte e pesado com a sua espada. Tifa, com sua agilidade e seus punhos rápidos que ajudam na hora de encher a barra de atordoamento, Aerith com seus ataques básicos a distância, que a permitem carregar rapidamente sua barra ATB para utilizar habilidades, e Barret, com sua lenta movimentação no combate, porém com uma alta vitalidade e defesa, permitindo que o mesmo, suporte mais golpes, e que pode realizar ataques concentrados com a sua metralhadoras em seu braço direito.

Neste segundo título, temos adições de novos personagens, Red XIII, Yuffie e Cait Sith. O gameplay de Red, que até então, é inédito e não tivemos a chance de conseguir controlar ele durante Final Fantasy VII Remake, possui uma rápida locomoção durante a batalha com golpes rápidos, além de ter habilidades que causam um dano alto, mas possui uma baixa defesa similar à Aerith. E possui a mecânica de Presas de Sifão, onde ao ativá-la, podemos nos curar ao atacar os inimigos, dando uma sobrevida. Yuffie, já sendo apresentada na DLC Intermission, permanece com um gameplay idêntico ao que apresentado na DLC, onde ela possui um combate corpo-a-corpo com a sua arma ninja, Fuuma Shuriken, uma estrela ninja gigante, ou um combate a distância, lançando a sua arma ao inimigo, ficando alguns segundos dando um dano contínuo, permitindo assim que ela possa atacar a distância com seus Jutsus, podendo inclusive adicionar algum elemento em tais ataques, caso queira, para explorar a fraqueza do inimigo. Sendo possível, nesse meio tempo enquanto a Shuriken está no inimigo, recuperar antes, fazendo com que a Yuffie avance direto ao inimigo e dê um golpe corpo-a-corpo.

E por último, Cait Sith, um gato andróide que utiliza um megafone para atacar corpo-a-corpo, ou o usa para soltas notas musicais como seu ataque a distância após se esquivar. Cait é acompanhado por um moogle de pelúcia gigante, do qual pode ser chamado através da sua habilidade “Vamos juntos!”, e acaba virando um montaria temporária dentro do combate. O Moogle não pode ser controlado enquanto estivermos separado do mesmo, agindo de forma individual e o mesmo possui uma barra de HP circular que fica próxima do HP do próprio Cait.

Enquanto no Remake tínhamos pouquíssimos mini-games, em Rebirth temos diversos (até mesmo em exagero), sendo alguns deles totalmente inéditos, como o viciante Queen’s Blood, um jogo de cartas, com uma jogabilidade parecida com Gwent, de The Witcher 3. Temos a volta da Corrida de Chocobos, presente no jogo original, com diversas corridas, mega divertidas e inclusive com algumas super desafiantes. Possuímos também o mini-game G-Bike, onde controlamos Cloud em cima de uma moto e temos que derrotar nossos adversário usando a Espada de Cloud para atacá-los, e tudo isso em alta velocidade. A luta 3D, onde controlamos um Cloud poligonal, para enfrentar outros inimigos numa arena virtual. Piano, onde podemos tocar diversas músicas do jogo. Temos também a volta do Fort Condor, que nos foi apresentado na DLC Intermission de Final Fantasy VII Remake, onde temos que enviar nossos soldados para derrubar a base inimiga, enquanto defendemos a nossa.

Um ponto curioso para se dizer é que, em certos momentos em que estamos explorando, a caminho do objetivo de alguma missão principal, acontecem pequenas interações entre os personagens na composição atual, como por exemplo, quando estamos escalando uma montanha, com Aerith e Red, começam a conversar sobre a própria sensação de estar escalando, e a Aerith acaba agradecendo a própria montanha por estar impulsionando ela a realizar tal feito, e Red acaba rindo e dizendo que se algo acontecer, ele se responsabilizará por ela.

Final Fantasy VII Rebirth possui três modos disponíveis de jogo: Modo Qualidade, Desempenho e Aprimorado. Durante grande parte jogatina, optei pelo modo Qualidade, onde visava manter a resolução alvo de 4K e 30 FPS. De início, estranhei o baixo FPS devido a estar acostumado a jogar, tanto no console, no modo desempenho, que tem como alvo os 60 FPS quanto no PC. O modo performance, visualmente, possui uma espécie de borrão na tela, não deixando nada de forma nítida ou bem clara na tela, e isso é devido a sua resolução ser bem menor comparada ao modo qualidade e por utilizar um método de upscaling próprio, que só deve fazer com que a resolução de saída seja maior, sem algum tratamento de melhoria de imagem. E acredito que, se tivessem optado por utilizar alguma técnica de upscaling já conhecida, como o AMD FSR 2 ou FSR 3, teria uma melhor qualidade visual, diminuindo assim, os borrões e os artefatos visuais na tela.

E durante a minha jornada para concluir a platina do jogo, realizei a segunda jogada, tal como os troféus restantes jogando no PlayStation 5 Pro, que nos permite utilizar o terceiro modo gráfico citado: Aprimorado. Este modo em questão, une a qualidade e o desempenho em um único modo, deixando o jogo com uma qualidade visual até mesmo maior que do modo Qualidade, e muito mais dinâmico para quem gosta de jogar com uma taxa de 60 quadros por segundo ao implementar o PlayStation Super Spectral Resolution (ou PSSR), uma técnica de upscaling similar ao AMD FSR ou Nvidia DLSS, porém exclusiva ao PlayStation 5 Pro.

A Square-Enix é conhecida por fazer trilhas sonoras memoráveis em seus jogos, principalmente na série Final Fantasy, e Rebirth não fica atrás disto, trazendo releituras de músicas já apresentadas anteriormente no Original e no Remake. Alguns exemplos são as novas versões para o Tema de Aerith e Tifa, do qual ganharam mais tons instrumentais em suas músicas, e também algumas variações, como remixes, e dependendo de onde esteja ocorrendo a cena. Temos também uma nova versão da música tema de Sephiroth, a One Winged Angel, que ganhou um tom muito mais melancólico e enigmático, mantendo ainda o estilo de uma Opera.

Veredito

Final Fantasy VII Rebirth é o segundo título de uma planejada trilogia, do qual busca trazer a imponência que o título original nos trouxe em seu lançamento. Por ser uma parte de algo maior, é possível sentir algumas pontas soltas em determinados momentos da história, ou quando ela se prolonga mais do que deveria. Além disso, o jogo trouxe melhorias em seu combate muito bem-vindas comparado ao título anterior, tornando-o mais rápido, responsivo e dinâmico. Também trouxe um mundo aberto com um bom tamanho a ser explorado, apesar de ter algumas missões genéricas e problemas com algumas texturas. Trazendo inclusive, um trabalho excepcional na trilha sonora do jogo, digna de elogios.

Nota

9

Jogo analisado com cópia adquirida pelo redator para PlayStation 5.

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