Crisol: Theater of Idols – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises10/02/2026131 Visualizações

Desenvolvido pelo estúdio espanhol Vermila Studios, da qual tem em seu currículo premiadas animações de artes de 2D e 3D (essas artes são terceirizadas para outras desenvolvedoras, como Fortnite da Epic Games) e publicado pela Blumhouse Games, Crisol: Theater of Idols é o primeiro jogo desenvolvido completamente pelo estúdio. Aqui o “sangue” é mais que a representação da vida, ele também serve como munição para nossas “armas sagradas”, onde essa bênção ou maldição, que adquirimos através de um pacto com Deus Sol, dita boa parte das regras e faz parte do contexto do jogo.

Adquirimos essa bênção quando nosso protagonista encontra-se morto, mas foi milagrosamente revivido, e essa mecânica nos permite usar sangue como munição, moldando todo o gameplay, criando uma experiência única. Crisol é um jogo de aventura em primeira pessoa com elementos de sobrevivência e horror, onde o folclore e religião misturam-se. O jogo se passa em uma ilha chamada Tormentosa, uma região hispânica, pertencente a Espanha do século XX.

Por alguma razão ainda desconhecida e sem saber o porquê, nós fomos escolhidos pelo Deus Sol, não sabemos o que nós diferencia dos demais seguidores, mas temos a convicção que não podemos decepcioná-lo, sendo preciso chegar até a Catedral o mais rápido possível e enfrentar o que quer que nos aguarde dentro de suas paredes. Essa são as primeiras palavras de Gabriel, um soldado, convicto de sua fé, a serviço do Deus Sol, em busca de cumprir sua missão divina.

Depois de acordarmos na ilha macabra Tormentosa, debaixo de uma forte chuva, avistamos a Catedral que buscávamos, exatamente como nos foi revelado em sonho pelo Deus Sol. Uma estrutura colossal, com torres imensas, quase arranhando o céu de tão imponentes. Ali, temos uma sensação ruim, que parecia que o lugar não era deste mundo, fazendo com o que o nosso sangue gelasse, mas sabendo que não tínhamos o que temer, pois o nosso senhor era conosco, seguimos em frente.

No meio do caminho, na beira mar, onde acordamos até chegarmos aos portões da Catedral, conhecemos dois personagens muito importantes para trama, eles conversam com a gente através do rádio comunicador que encontramos ao lado de um corpo de soldado do Deus Sol. Uma mulher chamada Mediodía, afirmando ser uma adoradora do Sol, diz para gente encontra-la e assim formamos uma aliança contra o inimigo em comum, mas nós a ignoramos, dizendo a ela que trabalhávamos sozinhos e estamos ali por um motivo especifico, que por isso, não sairíamos do caminho traçado por nos até chegarmos ao nosso destino, a Catedral. Ela diz que tudo bem, e diz que o único caminho para chegarmos até a Catedral era seguindo o rio seco. Seguimos o rio com certo receio de estarmos sendo enganados, mas conseguimos.

Ao chegarmos aos portões da Catedral, somos recepcionados via rádio pelo Padre Arroyo, um homem com ar presunçoso e misterioso que faz questão de dizer quem ele é. Ele diz que o poder que reside dentro da Catedral era imenso, e que o próprio mar estava selado dentro destas paredes. Ao cruzarmos os portões, sentimos o ar pesado, como se próprio oceano estivesse sobre nossos ombros, confirmando o que padre tinha dito não era exagero. Pedimos ao Deus Sol que nos conceda força o suficiente e que nos guie para o que está por vir.

Próximo ao altar, havia uma figura de uma Deusa, a Deusa do Mar, que estava presa por selo prestes a se romperem a qualquer instante. Ao nos aproximarmos, algo acontece, nos deixando imóveis e demos de cara com uma grande besta, que ao que tudo indica, guarda o local. Uma batalha inicia-se, atiramos na besta com a nossa pistola, mas não causamos dano algum, logo em seguida recebemos um ataque que nos mata quase instantaneamente, mas nesse momento, entramos em espécie de sonho e falamos com o Deus Sol, implorando por uma segunda chance e ele na sua infinita misericórdia, nos trás de volta à vida, com todo o seu poder queimando dentro de nós. Logo em seguida, uma cena se inicia, soldados aliados a Mediodía lutam contra a besta, alguns deles padecem, outro vão a nosso socorro, nos retirando da Catedral, e assim terminamos o prólogo da história.

Acordos tempos depois no esconderijo secreto de Mediodía, que fica em algum próximo centro comercial da cidade. Descobrimos que ela é de fato, uma seguidora do Deus Sol e tem seus motivos para permanecer na cidade lutando contra as forças inimigas locais. Descobrimos também que o Padre Arroyo é apenas um dos vilões dessa história, e que os outros ficam em partes separadas da Tormentosa, cada um em uma região, assim como no clássico Bioshock. Uma parte é dominada por um destes e todos estão envolvidos com o culto da Deusa do Mar, aliados posteriormente ou atualmente, com o Padre Arroyo, mas todos com suas próprias motivações e ambições. A grande besta que do prólogo é um perseguidor, semelhante ao Mister X de Resident Evil 2. Novos personagens vão aparecer conforme nós avançamos no jogo, como a bruxa, que além de ter um visual curioso e estranho, é responsável por fazer melhorias ao logo da nossa jornada, entre outras coisas que ela nos explica no decorrer jogo, e sempre usando um linguajar de humor negro.

Em Crisol: Theater of Idols, a jogabilidade é simples e corriqueira, onde podemos andar, correr, abaixar e andar agachado, nos esgueirando-se por locais estreitos, saltar obstáculos automaticamente assim que nos aproximarmos de um objeto demarcado, subir e descer escadas, arrastar objetos, resolver quebra-cabeças, tudo isso no quesito exploração.

No modo combate podemos atirar com armas de fogo, atacar com faca no combate corpo a corpo e defletir com a mesma, da mesma forma que Leon faz em Resident Evil 4 (2023), funcionando assim: no momento que o inimigo nos atacar, pouco antes de sermos atingidos, apertamos o botão R1, assim contra-atacamos para evitar o dano e lançarmos um poderoso contra-ataque, infligindo dano ao mesmo. A faca ao ser usada após uma quantidade vezes, deverá ser amolada, já que vai perdendo o fio e ficando cega. Para amolarmos ela, dependemos de inserimos um galão de gasolina em um motocicleta estrategicamente localizada, equipada com um esmeril em sua garupa, tornando possível a função. Os galões são itens consumíveis espalhados pelo mapas. Tudo isso somando a mecânica de sobrevivência, que consiste em usarmos nosso próprio sangue para criarmos munições para nossas armas de fogo, cria uma camada extra de estratégia.

Usando o botão L1 recarregamos nossas armas de fogo, em troca disso, perdemos um pouco da nossa energia vital (HP), com isso o combate torna-se muito mais estratégico, exigindo cautela e melhor planejamento, já que é necessário ter sangue para permanecer vivo, além de ter também para criar e usar munições para atirarmos nos inimigos. O jogador precisa calcular bem todos os embates, usar bem o que os cenários nos fornece a nosso favor, como barris explosivos e cover para inimigos que atacam de longe, pelo menos até o jogador ser capaz de fazer certas melhorias.

Tais melhorias permitem aumentar a barra de energia vital (através de um específico coletável), aumentar a taxa de absorção de sangue obtidos através de animais e de pessoas mortas, das fontes de sangue e da potência das seringas. Aumentar a durabilidade da faca, a quantidade de cartuchos no estojo de cada arma, tornando o combate mais fácil e flexível, e fazer outras melhorias que vão melhorar ainda mais as possibilidades em combates. Também existem melhorias passivas, e uma delas está atrelada a bruxa e uma classe de coletável especifica, que quanto mais coletado for, menor é os custos para fazer novas melhorias.

Todos os itens coletáveis são destacados em cada mapa, mostrando a quantidade exata de itens a serem coletados área por área, marcando precisamente todos os tipos de itens presentes, tudo através de seus contadores em tempo real. Apertando o Touchpad (na versão de PlayStation 5) acessamos o mapa da região e visualizamos cada camada de forma detalhada, e também temos acessos aos nomes de cada lugar, os objetivos a serem concluídos e quando nos aproximamos de um objeto consumível ou coletável, ele é marcado automaticamente no mapa, desaparecendo ao ser coletado. Lugares trancado ou que dependem da resolução de um quebra-cabeças, de uma ferramenta ou artefato para progredirmos, automaticamente ficará detalhado da mesma forma, tudo muito bem feito e de fácil compreensão.

A cada área teremos objetivos e situações diferentes para serem superadas. Por natureza, vão se tonando mais complexas e exigindo cada vez mais do jogador, o que é um processo natural da maioria dos jogos e aqui não seria diferente.

Crisol: Theater of Idols tem gráficos agradáveis, mas nada muito complexo ou cheio de detalhes, ficando entre um puro indie game e um AA. O jogo foi desenvolvido na Unreal Engine 5, e durante a minha experiência, permanecia bastante estável, com uma resolução boa e efeitos práticos de boa qualidade para os padrões do jogo. As texturas variam, algumas parte são consistentes outras meio borradas (algo comum para o motor escolhido, a menos que seja corrigido), mas nada que comprometa a experiência visual do jogo.

A direção de arte de Theater of Idols é boa, com um bom nível de detalhes interessantes, cores condizentes, com destaque para os ambientes e inimigos não humanos. No jogo, chove em boa parte dos cenários abertos, mas a chuva não afeta os personagens, pois é como se não estivesse chovendo.

A trilha sonora desse jogo é com certeza a parte que mais me agradou. Em uma das classes de coletáveis, consiste em coletarmos disco de vinis, além de que todas as músicas podem serem escutadas no menu do jogo e, em sua maioria, são excelentes e condizem com a atmosfera do jogo.

A sonoplastia é boa, cumpre seu papel com leve deslize, mas é possível ouvir cada tipo de piso que estamos pisando naquele momento através do tipo de som emitido, os grunhidos do corvos são ótimos, assim como seu bater de asas, e com a ressalva de alguns momentos em que fui desnecessariamente surpreendido por não ouvir alguns inimigos aproximando-se do personagem, estando a poucos metros de distância.

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Crisol: Theater of Idols fala de amores, dos quais podem ser impossíveis e incompreendidos. Também fala de fé, religião, sonhos, decepções e de como cada dos indivíduos daquele universo os interpretam. Essas interpretações muitas das vezes, causam consequências e junto elas, algumas mazelas.

Crisol inspira-se em uma das maiores obras já feita nos consoles: Bioshock. Este título em questão foi feito e dirigido pelo talentosíssimo Ken Levine e sua equipe. E a equipe da Vermila Studios faz bem vários aspectos da obra da qual servira-lhe de inspiração, mas acredito eu que, seja pelo fato de Bioshock ser uma obra extremamente autoral e bastante complexa, é difícil replica-la, além de claro, do fator econômico oferecido pela 2K Games.

E tenho algumas ressalvas nas partes técnicas do jogo, na profundidade da jogabilidade, na exploração totalmente guiada por tintas amarelas e pela baixa qualidade da inteligência artificial dos inimigos que se comportam de forma muito semelhantes. Alguns dos vários quebra-cabeças do jogo são resumidos em tentativas e erros, e são apresentado de uma forma não muito adequadas aos jogadores, tornando-se um tanto, confusos. Não são todos, mas em alguns me senti burro e com necessidade de ter mais informações para entender suas exigências, e assim compreende-los. Existem uma baixa variedade de inimigos e como já dito, pouco inteligência artificial, mas dado ao fato do jogo ser uma produção indie e que geralmente tem um orçamento limitado e controlado e justificáveis alguns tropeços.

Por outro lado, me encantei com a atmosfera promovida pelo folclore espanhol do século XX, a sonoplastia que nos permitia saber exatamente em que tipo de terreno pisávamos, as trilhas sonoras, as animações que encerram os capítulos em formato semelhante a Black Myth: Wukong, os grunhidos e ruídos, além da bela direção de arte e ao uso do sangue como munição sagrada nos embate.

Estes são os pontos mais altos da experiência e juntando tudo isso a ótima dublagens (em inglês) dos personagens que eu reconheci de vários outros jogos, e eu curti cada dialogo falado da história e também da forma como ela se desenvolve.

No geral, Crisol: Theater of Idols me agradou e me fez querer jogar cada vez mais, tanto para querer saber mais sobre a sua história, quanto para revelar seus segredos, assim como os pontos de vida diferentes de cada um dos personagens que nos eram apresentados.

Com atualizações via update, o jogo pode se torna mais fluído e dinâmico e talvez fazendo ajustes na forma de conduzir o jogador nos quebra-cabeças, ajude a melhorar ainda mais experiência.

Veredito

Crisol: Theater of Idols nos entrega uma história cheia de questionamentos sobre fé e amor, além de nos entregar um gameplay único utilizando o sangue do próprio personagem para diversas mecânicas do jogo. Porém, seus puzzles fazem com que o jogador perca bastante tempo na resolução dos mesmos, além de que a IA dos inimigos ser extremamente pobre, ao ponto de diversos inimigos terem os mesmos comportamentos. Sua imersão, dublagem e trilha sonora são dignas de elogios, sendo um dos pontos altos deste jogo.

Nota

8

Jogo analisado com cópia gentilmente fornecida pela Blumhouse Games para PlayStation 5.

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