Abathor – Análise

Washington "MeuGameB" DiasAnálises08/08/2026887 Visualizações

​Abathor é um jogo de ação e plataforma 2D hack and slash inspirado nos clássicos dos anos 80 e 90, desenvolvido pelo estúdio indie espanhol Pow Pixel Games e publicado pela JanduSoft.

​O jogo foi concebido como uma carta de amor aos arcades e consoles de 16 bits, buscando resgatar a sensação de títulos icônicos como Golden Axe, Rastan, Castlevania IV e Demon’s Crest. A narrativa se baseia nos mitos gregos de Atlântida e nas obras literárias de Robert E. Howard (Conan) e H.P. Lovecraft. A trama acompanha heróis defendendo o continente de Atlântida após a abertura dos portões de Abathor por demônios.

​História de Abathor

​Movidos por uma ambição insaciável, os Atlantes abriram as portas de Abathor em busca de uma fonte infinita de energia. No entanto, o ato desencadeou uma invasão demoníaca avassaladora, que rapidamente começou a consumir e destruir Atlântida.

Para prosperar e conquistar novas terras, os Atlantes utilizavam a energia do mineral Oricalco para impulsionar sua tecnologia avançada. Embora esse recurso tenha garantido um alto padrão de vida e a criação de artefatos surpreendentes, a ganância cega fez com que acreditassem que poderiam ir além. Esse desejo incontrolável, somado a uma sequência de erros fatais, culminou na ruína da civilização.

Ao perceberem que a resistência contra a força dos demônios era inútil, alguns Atlantes tentaram fugir do continente em um ato de desespero. Utilizando as poucas embarcações restantes e sobrevivendo a violentos tsunamis, tentaram zarpar. Contudo, algo aterrorizante emergiu das profundezas do oceano: uma criatura cthulhiana, alimentada pelo poder dos Portões, atacou a frota com uma fúria inimaginável. Esse inimigo colossal destruiu a frota inteira com ferocidade impiedosa, eliminando os habitantes um a um.

​Com Atlântida tomada por forças malevolentes, exércitos demoníacos e armadilhas engenhosas, nossos heróis precisaram atravessar os muros do que outrora foi a fortaleza de Mneseus — o antigo rei que ergueu a grandiosa estrutura durante o “Amanhecer de Atlântida”. É nesse cenário de caos que a jornada dos quatro bravos guerreiros tem início.

Um arcade de ação e plataforma 2D

Após o chamado inicial, temos a oportunidade de escolher entre quatro personagens disponíveis para jogar a campanha solo ou no modo cooperativo local para até quatro jogadores. Conheça os heróis:

  • Crantor: Um guerreiro bárbaro extremamente habilidoso que empunha uma espada de duas mãos. Seus ataques são focados em força bruta, e seu ataque especial carregado é capaz de aniquilar inimigos comuns com um único golpe (ao custo de estamina). Ele também pode arremessar machados e se destaca por seus altos pontos de poder e defesa. Para esquivar, Crantor realiza um rolamento, o que permite se posicionar estrategicamente atrás dos oponentes.
  • Sais: Uma valquíria equipada com espada média e escudo. Possui ataques ágeis de dano moderado e usa o escudo para se proteger; se executado no tempo certo, seu bloqueio aplica um parry que quebra a defesa inimiga. Ela conta com um dash para esquiva (que consome estamina), pode arremessar lanças e se destaca pela excelente defesa, combinada com poder e agilidade moderados.
  • Kritas: Um assassino extremamente ágil que domina o uso de duas katanas médias. Utiliza o dash para ganhar impulso e alcançar saltos mais longos. Seu ataque especial (Crescent Moon) desfere um golpe de baixo para cima, rápido e letal para múltiplos inimigos, além de permitir o arremesso de adagas. Seus pontos fortes são a destreza e a agilidade máximas com poder moderado, tendo como contrapartida uma defesa baixa.
  • Azaes: Um guerreiro mágico que empunha uma espada curva em uma das mãos e canaliza magia necromântica com a outra (ao custo de estamina). Seu dash tem caráter ofensivo, atingindo inimigos com um soco mágico, e ele pode arremessar as almas de oponentes derrotados.

Evolução e Recursos

Todos os heróis podem adquirir melhorias com o mercador encontrado nas fases, utilizando moedas de Oricalco obtidas em combates e na abertura de baús durante a exploração dos cenários.

​Essas melhorias aumentam atributos básicos (como Força, Agilidade e Defesa) e garantem efeitos passivos (como Taxa Crítica e Sorte). Além disso, os jogadores podem utilizar poções de cura, água benta contra demônios e invocações temporárias — que variam entre companheiros auxiliares e invocações avassaladoras de uso único encontradas pelo mapa.

Gráficos, Direção de arte e Desempenho

Desenvolvido no motor gráfico GameMaker Studio 2 (ou simplesmente GameMaker), Abathor emula com maestria o visual dos jogos de 16 e 32 bits, resgatando a essência dos clássicos de arcade e plataformas 2D. O título se destaca por uma extensa variedade de biomas e cenários, incluindo enseadas marítimas, florestas nebulosas, montanhas rochosas, pântanos lamacentos e as ruínas de Atlântida.

​Tudo é muito bem caracterizado, apresentando uma paleta de cores viva e saturada, acompanhada de uma pixel art rica em detalhes. A performance é sólida ao longo de toda a jornada, mantendo uma taxa de quadros estável e sem bugs visuais aparentes, mesmo em momentos de ação intensa com vários jogadores na tela.

Áudio e sonoplastia

​A sonoplastia acompanha o alto nível do conjunto técnico e remete diretamente aos jogos das gerações 16 e 32 bits, utilizando a clássica síntese FM (Modulação de Frequência) combinada com composições em chiptune e ritmos de heavy metal e synthwave. A trilha sonora conta com uma excelente variedade de faixas que transitam harmoniosamente entre as fases, reforçando o senso de urgência e a atmosfera épica das batalhas. Os efeitos sonoros complementam perfeitamente a proposta retrô, oferecendo um feedback tátil e nostálgico a cada golpe e impacto.

Uma carta de amor aos velhos tempos

​Abathor é, em essência, uma verdadeira carta de amor aos fãs dos jogos clássicos do início da década de 90. Cada elemento da obra remete com precisão a essa era de ouro, recriando com maestria até mesmo as limitações técnicas e as ferramentas visuais da época de forma intencional.

​O título destaca-se pelo excelente fator de rejogabilidade e por uma experiência co-op local memorável, recheada de confrontos contra subchefes e chefes marcantes. Para garantir o acesso aos mais variados perfis de jogadores, a jornada oferece duas opções de dificuldade iniciais, permitindo ainda o desbloqueio de um terceiro modo extremamente desafiador (o Épico, que inclusive revela o verdadeiro final) após a primeira conclusão. Essa versatilidade torna a obra altamente acessível e democrática.

Como ponto crítico, a ausência de um modo co-op online limita o alcance do título. Trata-se de uma barreira considerável, visto que boa parte do público que viveu a era 16/32 bits é composta hoje por adultos que já não moram perto de seus antigos parceiros de jogo. Outro aspecto a ser pontuado é a previsibilidade dos confrontos contra os chefes: embora satisfatórias, as lutas exigem pouco do jogador em termos de engenhosidade, apostando na elevação artificial da dificuldade em vez de mecânicas complexas.

​Em suma, os tropeços de Abathor são infinitamente menores do que o vasto conjunto de suas qualidades e o profundo respeito ao legado de uma geração apaixonada por videogames. A experiência diverte do início ao fim, resgatando com perfeição aquela inesquecível sensação de ligar — e assoprar — um cartucho inédito no Super Nintendo.

Prós:

  • Excelente sensação retrô com pixel art rica e ótima performance;
  • Trilha sonora vibrante em chiptune, FM, heavy metal e synthwave;
  • Modo cooperativo local para até 4 jogadores altamente divertido e com personagens distintos;
  • Alto valor de replay e desbloqueio do final verdadeiro.

​Contras:

  • Ausência de modo cooperativo online;
  • Padrões de chefes previsíveis que apostam mais em dificuldade artificial do que em mecânicas complexas.

Veredito

Abathor é um tributo vibrante, nostálgico e extremamente bem-executado à era de ouro dos arcades e dos consoles de 16 bits. Com uma excelente jogabilidade cooperativa local, direção de arte impecável e uma trilha sonora que dita o tom épico da jornada, o jogo supera com folga suas poucas limitações — como a ausência de co-op online e chefes previsíveis. É uma compra obrigatória para veteranos em busca da nostalgia dos anos 90 e para novos jogadores que querem entender o verdadeiro espírito dos clássicos hack and slash.

Nota

8.5

Jogo analisado com cópia fornecida gentilmente pela JaduSoft S.L. para PlayStation 5. O título possui localização para Português, e está disponível também para PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).

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